Bambu e seu potencial sustentável e versátil
Entre lembranças e colmos, o bambu apareceu no meu caminho e ganha destaque no agro

Nasci brincando no meio de um bambuzal. E sigo no meio dele. Você já vai entender o motivo.
A gente tinha o costume de montar a nossa “casa” em um espaço aberto de uma fazenda em Itu, onde havia um registro de água. Varríamos o chão de terra, fazíamos prateleiras com pedaços de madeira, cada uma tinha o seu quarto improvisado, panelinhas de um lado, bicicletas de outro.
Sem falar das varas de pescar, que fazíamos na hora: escolhia-se o bambu ali mesmo, direto do pé, e pedia-se para os nossos pais cortarem e prenderem um anzol na ponta. Simples e eficaz.
O tempo passou — e o bambu ganhou destaque.Hoje, essa planta tão presente nas nossas brincadeiras infantis se mostra uma matéria-prima versátil: móveis, utensílios, artesanato, estruturas e muito mais.
Outro dia, fui a outro bambuzal, numa fazenda diferente, buscar alguns colmos para montar um mural de orquídeas.A escolha foi criteriosa: nada de meter a mão sem olhar ou sair pisando sem cuidado. Mesmo de bota, uma mordida de cobra pode assustar.

Repare nas fotos como o bambu faz parte da nossa rotina. Tenho um registro com a Titano Volcano e, outro dia, voltamos com os bambus na caçamba da Toro Volcano 4x4 a diesel. A Stellantis, desde o início, apoia as expedições do blog.
Sou suspeita para falar — acho a Toro completa para quem precisa de praticidade na fazenda. Aguenta o tranco e ainda oferece um conforto sem igual. Acomoda quatro adultos com folga e surpreende no desempenho. O motor a diesel traz a autonomia que quem roda muito, seja em áreas rurais ou urbanas, precisa. Eu costumo chamar de “picape para mulher”. Fácil de estacionar — e encara qualquer tarefa.

No caminho de volta, os bambus na caçamba chamaram a atenção de quem passava. A segunda etapa, a da construção do mural, ficou por conta do meu pai e da minha irmã. Com as ferramentas certas, tudo fluiu bem.

Mas o que antes era apenas parte da nossa infância, hoje é também um ativo importante no agronegócio brasileiro. Apesar de ainda pouco explorado comercialmente, o bambu começa a ganhar espaço como uma cultura promissora, sustentável e de baixo impacto ambiental.
Pertencente à família das gramíneas — a mesma do milho e do trigo —, o bambu cresce rápido, tem enorme variedade de usos e ajuda a regenerar áreas degradadas. Por isso, é visto como uma alternativa estratégica para uma agricultura mais equilibrada e resiliente.
O Brasil possui 258 espécies nativas, segundo a Associação Brasileira do Bambu. Duas delas, lenhosas, têm grande potencial para uso industrial e agrícola. A maior reserva natural fica no Acre, com mais de 4,5 milhões de hectares, dominada pela espécie Guadua weberbaueri. Apesar disso, muitas dessas espécies ainda não são domesticadas nem aproveitadas comercialmente.
Já as espécies asiáticas vêm ganhando espaço, com destaque para a Bambusa vulgaris e a Bambusa tuldoides. A primeira é bastante usada na fabricação de papel e geração de energia; a segunda, como suporte agrícola e quebra-vento em propriedades rurais.
Resistente às formigas cortadeiras, o bambu requer pouca adubação e se desenvolve bem em solos úmidos e bem drenados, com pelo menos 800 mm de chuvas por ano.
O bambu que antes era brincadeira virou projeto. E o que era projeto virou um olhar novo para o campo. De colmo em colmo, a natureza ensina — e a gente aprende.
E o resultado? Vejam só como ficou. Legal, né?

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