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Quais os cuidados que você deve ter para proteger a sua pele no campo

Exposição solar constante exige atenção redobrada dos trabalhadores rurais

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Proteção da pele no campo: dermatologista alerta para riscos e cuidados essenciais Foto: Arquivo pessoal

A intensa exposição ao sol é um desafio diário para quem trabalha no campo, aumentando o risco de problemas dermatológicos, especialmente o câncer de pele.

Em entrevista exclusiva, o Dr. Carlos Barcaui, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), detalhou os cuidados fundamentais para proteger a pele, os tipos ideais de protetor solar, os sinais de alerta e a importância do acompanhamento médico regular.


Ele reforçou a urgência de conciliar tradição e saúde para garantir qualidade de vida aos trabalhadores rurais.

RESUMO DA NOTÍCIA

  • A exposição solar intensa aumenta o risco de problemas de pele, incluindo câncer.
  • É essencial o uso de protetor solar, chapéus e roupas adequadas para proteção.
  • Consulta anual ao dermatologista é recomendada para detecção precoce de lesões.
  • Campanhas de conscientização são importantes para informar sobre cuidados com a pele.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Dr. Carlos Barcaui, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia Foto cedida: Sociedade Brasileira de Dermatologia

Mundo Agro: A exposição solar constante é um grande risco, principalmente para quem trabalha no campo. Em alguns cultivos, não há como evitar. Além do protetor solar, o uso de chapéus e roupas adequadas também é fundamental, não?


Carlos Barcaui: Sim, a exposição solar constante representa um grande risco, especialmente para quem trabalha no campo. Como em muitos cultivos não é possível evitar essa exposição, é fundamental adotar medidas eficazes de proteção. O uso do protetor solar é indispensável, mas é importante lembrar que ele não bloqueia totalmente a radiação, e que chapéus e roupas protegem apenas as áreas cobertas — já que a radiação ultravioleta também é refletida por superfícies ao redor. Por isso, a combinação de diferentes formas de proteção é essencial. O ideal é usar chapéus de aba larga, roupas adequadas com proteção UV, óculos escuros e reaplicar o protetor solar a cada duas horas. Essas medidas são fundamentais para preservar a saúde da pele e prevenir danos a longo prazo.

Mundo Agro: Qual é o tipo mais indicado de protetor solar para trabalhadores rurais? Que fatores devem ser levados em conta — como o fator de proteção (FPS), a textura e a resistência ao suor e à água?


Carlos Barcaui: A combinação entre proteção física e o uso de loções com filtro solar é fundamental para reduzir os danos causados pelo sol. O protetor solar deve ser reaplicado a cada duas horas, o fator de proteção deve ser no mínimo 30 FPS, e o ideal é evitar a exposição entre 10h e 15h, quando a radiação ultravioleta é mais intensa. Quando isso não for possível, o uso de chapéus, roupas adequadas, preferencialmente com proteção UV, óculos escuros e protetor solar se torna indispensável para preservar a saúde da pele.

Mundo Agro: Antigamente, não se falava tanto em proteção solar, e o uso de protetor era raro no campo. É possível comparar os números de câncer de pele nas décadas de 1980, 1990 e 2000? Os casos aumentaram ou diminuíram? Houve mudança no perfil das vítimas — como gênero, faixa etária ou localização das lesões no corpo?


Carlos Barcaui: Sim, é possível observar uma tendência clara de aumento no número de casos de câncer da pele ao longo das últimas décadas. Esse crescimento está relacionado, em parte, à maior exposição solar sem proteção em décadas passadas, especialmente entre trabalhadores rurais e pessoas com atividades ao ar livre, e também ao aumento da expectativa de vida, da urbanização e do acesso ao diagnóstico. Entre os anos 1980 e 2000, houve avanço na conscientização sobre os riscos da radiação ultravioleta, mas o uso regular de protetor solar e outras medidas de fotoproteção ainda era muito limitado, sobretudo em populações de áreas rurais. Por isso, muitos diagnósticos atuais refletem exposições acumuladas no passado.

Quanto ao perfil das vítimas, observamos:

• Aumento na incidência em pessoas acima dos 60 anos, justamente por causa da exposição solar crônica acumulada.

• Homens apresentam maior número de casos graves, especialmente porque tendem a se proteger menos do sol.

• As lesões são mais frequentes em áreas expostas, como rosto, orelhas, pescoço, dorso das mãos e antebraços.É importante lembrar que a detecção precoce cresceu com campanhas como o Dezembro Laranja, o que também contribui para o aumento do número de diagnósticos — embora não necessariamente signifique aumento real na incidência.

Mundo Agro: Quais são os problemas de pele mais comuns entre quem trabalha na lavoura, na pecuária ou em áreas externas? E como podemos preveni-los no dia a dia?

Carlos Barcaui: Os trabalhadores rurais e profissionais expostos ao ambiente externo enfrentam diversos problemas dermatológicos, sendo os mais comuns: • Câncer da pele (principalmente o não melanoma, como carcinoma basocelular e espinocelular), por exposição solar crônica.

• Queimaduras solares e fotodermatoses.

• Dermatites de contato (por exposição a agrotóxicos, plantas e materiais de trabalho).

• Micoses (devido à umidade, calor e uso prolongado de calçados fechados).

• Feridas crônicas e infecções por traumas repetitivos ou cuidados inadequados com a pele. Prevenção no dia a dia:

• Uso de roupas adequadas: chapéus de aba larga, camisas de manga longa, calças e luvas.

• Protetor solar com FPS 30 ou mais, aplicado nas áreas expostas, com reaplicação durante a jornada.

• Higiene adequada da pele, principalmente pés e mãos.

• Substituição ou lavagem regular de EPIs e roupas de trabalho.

• Uso de barreiras físicas, como óculos e máscaras, quando há exposição a produtos químicos.

• E, o mais importante: acesso à informação e à saúde, com acompanhamento médico regular para detecção precoce de lesões suspeitas.

A SBD tem reforçado essas orientações nas campanhas nacionais, especialmente no Dezembro Laranja e nos mutirões de atendimento à população vulnerável.

Mundo Agro: Com que frequência um trabalhador rural deveria consultar um dermatologista, mesmo sem apresentar sintomas visíveis?

Carlos Barcaui: Ideal é fazer check-up de pintas e manchas uma vez ao ano Mesmo sem sintomas visíveis, o ideal é que o trabalhador rural consulte um dermatologista pelo menos uma vez por ano. Esse check-up anual permite a avaliação de pintas, manchas e outras alterações na pele que podem indicar problemas mais sérios, como o câncer de pele. A exposição solar constante aumenta o risco de lesões, muitas vezes silenciosas, por isso o acompanhamento preventivo é fundamental.

Mundo Agro: O Dia Mundial da Saúde da Pele foi comemorado em 8 de julho. Eu mesma sempre me expus muito ao sol e achava que pele bronzeada era sinônimo de saúde e beleza. Mas depois de enfrentar dois cânceres de pele (carcinoma basocelular e espinocelular) no rosto, entendi na pele a gravidade disso. Como podemos alertar outras pessoas — especialmente quem vive e trabalha no campo — sobre a importância de cuidar da pele, especialmente nesta data?

Carlos Barcaui: É comum vermos pessoas que acreditavam que pele bronzeada é sinal de saúde, principalmente os jovens, até enfrentarem diagnósticos graves, por isso, o Dia Mundial da Saúde da Pele, e este mês todo de julho, em que dedicamos uma campanha para dar luz a data, é um momento importante para reforçarmos que cuidar da pele é, acima de tudo, cuidar da saúde. A pele pode sinalizar doenças sérias, e qualquer alteração deve ser avaliada. Por isso, sempre oriento que o check-up dermatológico anual se torne um hábito, especialmente para quem trabalha sob o sol, como é o caso dos trabalhadores rurais. Além do cuidado individual, precisamos avançar coletivamente. A proteção solar deve fazer parte das práticas de segurança no trabalho, e leis como a 8.231/91 e a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer (Lei 14.758/2023) são fundamentais para garantir que esses direitos sejam respeitados. A prevenção é o caminho mais eficaz, inclusive reduz custos ao sistema de saúde e, principalmente, salva vidas.

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