Do grão ao gole: congresso aproxima produtores e consumidores de cerveja
Evento reúne especialistas, pesquisadores e mestres-cervejeiros para discutir inovação, sustentabilidade e tendências do mercado no Brasil
O Congresso Cervejeiro Do Grão ao Gole, promovido pela Ambev, surge como uma plataforma para integrar toda a cadeia produtiva da cerveja no Brasil — do campo ao copo.
Com palestrantes renomados, incluindo pesquisadores, mestres-cervejeiros e especialistas internacionais, o evento aborda temas que vão da inovação e sustentabilidade às estratégias para aproximar o consumidor e fortalecer o setor.
Mais do que um espaço de troca de conhecimento, o congresso busca celebrar a diversidade e a riqueza da cultura cervejeira brasileira, promovendo conexões entre profissionais e oferecendo insights para um mercado mais profissional, inclusivo e sustentável.
O Mundo Agro conversou com Anna Paula Alves, diretora de Categoria Cervejeira da Ambev.

Mundo Agro: Como surgiu a ideia de realizar o Congresso Cervejeiro Do Grão ao Gole?
Anna Paula Alves: A Ambev tem o compromisso de fortalecer todo o ecossistema cervejeiro no Brasil e fomentar o crescimento compartilhado por meio de diversos programas e plataformas.
A Academia da Cerveja nasceu com esse propósito: impulsionar a cultura cervejeira no país, promovendo o compartilhamento de práticas de excelência, o acesso a referências nacionais e internacionais, a profissionalização do setor e a troca de conhecimento entre especialistas.
Para materializar esse compromisso e criar um marco nesse movimento, surgiu a ideia do Congresso Cervejeiro Do Grão ao Gole. O evento foi concebido como uma grande oportunidade para disseminar conhecimento técnico e prático, aproximar profissionais do setor e celebrar a riqueza e diversidade do universo cervejeiro.
Mundo Agro: Quem serão os principais palestrantes e qual é a relevância deles para o mercado cervejeiro?
Anna Paula Alves: O Congresso Do Grão ao Gole reunirá grandes nomes da indústria cervejeira, pesquisadores, produtores, sommeliers, mestres-cervejeiros e especialistas de diversas áreas para abordar toda a cadeia produtiva da cerveja por completo. Entre os palestrantes confirmados estão:
John Palmer – Uma das maiores autoridades do universo cervejeiro mundial e autor do clássico How to Brew.
Mauricio Tkatchuk – Especialista em Transformação Digital, trazendo uma visão estratégica sobre inovação no setor.
Mariangela Hungria – Pesquisadora da Embrapa.
Gilberto Tarantino – Presidente da ABRACERVA.
Leonardo Barbosa – Pesquisador da Universidade Federal do ABC.
Maciel Silva – Diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Carlos Goulart – Secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
Jeferson Caus – Superintendente de Negócios da Cooperativa Agrária Agroindustrial.
Mundo Agro: Qual é a pretensão do encontro: fortalecer a cultura cervejeira, fomentar negócios ou aproximar consumidores e produtores?
Anna Paula Alves: Um pouco de tudo isso. A proposta do Do Grão ao Gole é olhar para a cadeia cervejeira de forma ampla e integrada, do campo ao copo, abordando todas as nuances da produção, passando pela pesquisa, inovação, sustentabilidade, distribuição e, claro, o consumo. O evento pretende incentivar conexões entre os diversos pontos da cadeia produtiva e valorizar a cerveja como um importante polo econômico e cultural do país.
Mundo Agro: A cerveja faz parte da vida do brasileiro e, em muitos casos, há fidelização de marca. Como atrair novos consumidores nesse cenário?
Anna Paula Alves: Muito além de uma empresa que produz cervejas, estamos presentes em momentos de conexão, celebrações e socialização, e isso se aplica a qualquer estilo de vida. Por isso, cada brasileiro tem uma Ambev para chamar de sua.
Nos últimos anos, apostamos na escuta ativa e na criatividade para fortalecer nossas conexões com os consumidores. E, hoje, simbolizamos o brinde entre a tradição e a transformação, com um portfólio que une o melhor do Brasil e do mundo: marcas centenárias daqui e de fora.
A partir de investimentos em pesquisa e na expertise dos nossos cervejeiros, criamos cada vez mais possibilidades para o consumidor, com cervejas de baixa caloria, como a Stella Pure Gold, por exemplo, ou cervejas adicionadas de vitamina D, como a Corona Zero.
Mundo Agro: Pilsen, Puro Malte, versões menos calóricas ou sem álcool - qual é a mais consumida no Brasil atualmente?
Anna Paula Alves: Com um portfólio mais amplo, que vai do Puro Malte às versões zero álcool e menos calóricas, refletimos os diferentes perfis de consumo dos brasileiros, incluindo os que buscam moderação.
As cervejas zero, por exemplo, têm ganhado cada vez mais espaço. Elas não são mais vistas apenas como alternativa para quem não pode ou não quer consumir álcool, mas como uma escolha de moderação em novos momentos de lazer, seja num show, num bar com amigos ou relaxando na natureza. Isso é resultado de anos de escuta ativa e investimento em inovação, o que nos permite oferecer opções para todos os tipos de ocasião e preferência.
Mundo Agro: Qual é a tendência de preferência do consumidor brasileiro para os próximos anos?
Anna Paula Alves: Hoje, temos notado momentos de consumo mais diversos e com expectativas diferentes para cada momento. Independentemente de serem com ou sem álcool, o consumidor quer qualidade. Por isso, a nossa percepção sempre foi pautada em qualidade, desde os ingredientes até o copo do consumidor
Mundo Agro: O setor cervejeiro representa 2% do PIB brasileiro. Qual o principal desafio do setor neste momento?
Anna Paula Alves: O setor cervejeiro é expressivo: além de representar cerca de 2% do PIB brasileiro, gera mais de 2 milhões de empregos e movimenta mais de R$ 27 bilhões em salários por ano. Queremos crescer de forma sustentável e alinhada às transformações sociais e ambientais do país. Queremos evoluir junto com o Brasil, acompanhando suas nuances e contribuindo ativamente para o desenvolvimento econômico, cultural e sustentável da cadeia cervejeira como um todo.
Mundo Agro: O congresso busca aproximar público e profissionais. De que forma essa conexão pode fortalecer o mercado cervejeiro?
Anna Paula Alves: A iniciativa contribui diretamente para a evolução do setor ao promover o compartilhamento de conhecimento técnico e prático sobre produção, inovação, pesquisa, mercado e gastronomia. Acreditamos que a profissionalização, a educação cervejeira e a democratização do conhecimento são fundamentais para o crescimento e fortalecimento do mercado brasileiro. De ponta a ponta da cadeia, o congresso impulsiona a excelência em todas as etapas, dos ingredientes à produção e ajuda a construir um ecossistema mais forte, integrado e sustentável.
Mundo Agro: A pesquisa Brand Footprint Brasil mostra que 63% dos brasileiros consomem cerveja fora de casa. O que isso revela sobre hábitos de consumo e oportunidades de mercado?
Anna Paula Alves: Para o brasileiro, o consumo de cerveja vai muito além da bebida em si, ele está profundamente ligado à socialização e a celebração de momentos significativos. A conexão que se forma nos bares é única. Mais do que um ponto de encontro, o bar é um espaço de convivência, cultura e afeto.
Os bares funcionam como verdadeiros polos de vida: lugares onde celebramos conquistas, dividimos histórias e, muitas vezes, encontramos apoio nos momentos difíceis. São espaços que promovem senso de comunidade, pertencimento e orgulho coletivo.
Mundo Agro: Quais são os principais desafios do setor cervejeiro em relação à sustentabilidade?
Anna Paula Alves: Manter a cadeia como um sistema mais sustentável e resiliente. Isso envolve ir além e partir para ações efetivas que gerem impacto real.
Na Ambev, trabalhamos com pilares de atuação que estão profundamente conectados à sustentabilidade do negócio. Mais do que cumprir metas ambientais, temos a ambição de contribuir ativamente para a solução de desafios sociais do nosso país. Por isso, afirmamos que sustentabilidade e impacto positivo não são apenas parte da Ambev, são nosso DNA. Um dos maiores exemplos dessa visão é o 100 + Labs, nosso programa de aceleração voltado para startups de impacto que tragam soluções inovadoras para os grandes desafios de sustentabilidade, como mudanças climáticas, economia circular, agricultura regenerativa, gestão da água e inclusão produtiva. Desde que foi criado, o programa já investiu globalmente cerca de 20 milhões de reais em contratação de serviços e premiações, reforçando nosso compromisso com inovação e impacto positivo.
Mundo Agro: De que forma a inovação e a pesquisa acadêmica podem beneficiar a cadeia produtiva da cerveja?
Anna Paula Alves: A inovação e a pesquisa acadêmica beneficiam toda a cadeia produtiva da cerveja ao oferecer soluções práticas para desafios reais, desde o uso eficiente dos insumos até o desenvolvimento de novas técnicas de produção. Na Ambev, mantemos parcerias estratégicas com instituições de pesquisa agropecuária e universidades na Argentina, Brasil e Uruguai. Incentivamos pesquisas conjuntas com entidades locais para testar as melhores variedades de cevada, aplicar práticas sustentáveis e desenvolver tecnologias agroecológicas acessíveis, fortalecendo o manejo do solo e o crescimento sustentável dos nossos agricultores.
Mundo Agro: Como o evento pode contribuir para tornar o mercado cervejeiro mais inclusivo e sustentável, do campo ao consumo final?
Anna Paula Alves: Reunindo diversas vozes da cadeia cervejeira, conectando produtores e consumidores para discutir práticas e soluções pensando em um ecossistema mais justo e consciente. Compartilhar conhecimento gera transformação, e esse encontro de ideias, ciência e experiência impulsiona soluções para trilharmos um caminho mais sustentável.
Mundo Agro: A água representa quase 90% da composição da cerveja. Como a Ambev certifica a qualidade da água utilizada em suas cervejas? Quais requisitos essa água precisa atender?
Anna Paula Alves: A Ambev garante a excelência da água utilizada em suas cervejas por meio de Estações de Tratamento de Água (ETA) próprias, que tratam a água captada de fontes naturais, subterrâneas ou superficiais, para atender aos mais altos padrões de qualidade.
A água passa por rigorosos controles de pH, teor de sais e parâmetros microbiológicos, além de processos que asseguram que ela seja insípida, inodora e incolor. Com o apoio de tecnologia de ponta, muitos desses parâmetros são monitorados em tempo real, com ajustes automáticos e análise de dados 24 horas por dia, garantindo consistência e segurança em todas as etapas da produção.
Essa atenção ao detalhe é essencial, já que a qualidade da água impacta diretamente a excelência da cerveja que chega ao consumidor.
Mundo Agro: Os principais fornecedores de insumos da Ambev (como malte, lúpulo, outros cereais, frutas, especiarias e açúcares) estão concentrados em quais regiões do Brasil?
Anna Paula Alves: As principais regiões produtoras de cevada estão localizadas no Planalto do Rio Grande do Sul e na Região de Guarapuava e Ponta Grossa no Paraná. Nestas regiões, as áreas médias são de pequenos produtores - assim, podemos dizer que a maior parte da cevada produzida no Brasil é originada a partir de pequenos produtores. A produção de cevada no Rio Grande do Sul é superior a 100 mil toneladas, que são utilizadas em nossas maltarias próprias localizadas em Passo Fundo e Porto Alegre.
Mundo Agro: Como é a relação da Ambev com seus fornecedores para garantir a qualidade e a padronização das matérias-primas ao longo do tempo?
Anna Paula Alves: Na Ambev, mantemos uma relação próxima e colaborativa com nossos fornecedores, especialmente os agricultores de cevada, por meio de projetos de capacitação e acompanhamento técnico contínuo. Investimos em pesquisas para selecionar as melhores variedades de cevada para cada região e fornecemos sementes de alta qualidade. Além disso, estabelecemos protocolos de boas práticas para otimizar a produtividade e reduzir impactos ambientais e sociais. Um time de especialistas realiza visitas técnicas periódicas para orientar e apoiar os produtores, garantindo a qualidade e padronização das matérias-primas ao longo do tempo.
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