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Entre fé, superação e tradição: o cavalo como propósito de vida

Casal paranaense viaja até Itu, interior de São Paulo, para investir na modalidade Ranch Sorting e reencontrar, na pista, conexão, história e esperança

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Thiago Boscardin Dalprá e Catherine Schena Bächtold Foto: Arquivo pessoal

Era fim de tarde de sábado. Sol forte, calor típico do interior paulista. Peguei o Bronco — meu “cavalo selvagem” da Ford — e segui para o Haras EFI, do meu amigo Leonardo Augusto Figueiredo.

No local, acontecia o 2º Curso de Ranch Sorting. Como de costume, permaneci à margem da pista, observando atentamente cada participante e seus animais. Observar é parte essencial do ofício. Muitas das melhores histórias — e até grandes furos jornalísticos — nascem justamente do silêncio atento. Gestos, olhares e posturas revelam muito além das palavras.


Entre os competidores, dois rostos chamaram minha atenção. A aproximação, mais uma vez, teve a contribuição de Léo, anfitrião. Ao final do evento, quando ele fez questão de me apresentar ao grupo, muitos descobriram quem era a pessoa que circulava com câmera em mãos, registrando momentos únicos daquela imersão.

Ao Leonardo, minha gratidão. Ter acesso ao haras, à sua casa e à sua paixão pelos cavalos é também ter acesso a histórias que merecem ser contadas.


Foi nesse cenário que conheci o jovem casal de Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba (PR): ela, Catherine Schena Bächtold, médica-veterinária; e ele, Thiago Boscardin Dalprá, empresário, domador e treinador. Juntos, decidiram pegar a estrada para participar do curso.

O que poderia ser apenas mais uma capacitação revelou algo maior: uma trajetória construída na tradição familiar, no trabalho com o campo e, sobretudo, na superação pessoal. Para ela, que enfrentou um período delicado de depressão, o retorno às pistas simboliza reconexão e coragem. Para ele, a consolidação de uma paixão que atravessa gerações.


Em comum, uma definição simples e profunda sobre o que o cavalo representa: fé, conexão com Deus e esperança.

Saí do haras com a certeza de que histórias assim explicam por que continuo escolhendo estar onde estou — observando, ouvindo e contando o que realmente importa.


Mundo Agro: Como surgiu a decisão de participar do curso aqui no Haras EFI em Itu?

Thiago Boscardin Dalprá: Nossa história com a raça Mangalarga começou no leilão do Meio Milhão do BJC. A partir dali, passamos a adquirir cavalos e trabalhar mais diretamente com a raça. A modalidade veio naturalmente nesse processo. Quando soubemos do curso, entendemos que era uma oportunidade que não poderíamos deixar passar. Normalmente os eventos são longe da nossa região, então decidimos investir e prestigiar.

Mundo Agro: A paixão pelo cavalo vem da infância?

Catherine Schena Bächtold: Sim. Vem da família. Meu nono cria gado de corte e sempre teve cavalos. No caso dele (Thiago), o pai e o avô também lidavam com cavalos. É uma paixão que atravessa gerações.

Mundo Agro: É o primeiro curso da modalidade de vocês. Qual foi o maior desafio?

Thiago Boscardin Dalprá: Para mim, foi entender a dinâmica da prova. Mesmo já lidando com gado no campo, a estrutura da modalidade é diferente e exige muita sintonia com o parceiro dentro da pista.

Catherine Schena Bächtold: No meu caso, o desafio foi pessoal. Passei por um período difícil de depressão, precisei me adaptar ao meu corpo novamente e recuperar a confiança. Voltar a competir foi um processo de superação.

Mundo Agro: O que esse retorno representa para você?

Catherine Schena Bächtold: Representa reencontro. Desde criança eu monto e sempre fui muito confiante. Depois da depressão, me fechei bastante. Estar aqui é lembrar quem eu era — e perceber que posso ser novamente.

Mundo Agro: Em uma palavra, o que o cavalo representa para vocês?

Thiago Boscardin Dalprá: Para mim, é a forma como mais me conecto com Deus.

Catherine Schena Bächtold: Para mim, esperança. A conexão que Deus permitiu entre o ser humano e o cavalo é algo que me emociona.

Mundo Agro: Dá para viver sem cavalo?

Thiago e Catherine respondem sorrindo e emocionados com um não.

Enquanto não encontro uma brecha para conhecer o Rancho Boscardin, sigo acompanhando todo o trabalho deles pelas redes sociais.

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