Por que o feijão é a ‘caneta emagrecedora’ natural da alimentação brasileira
Especialista da Kicaldo detalha como o alimento tradicional atua de forma semelhante ao medicamento Ozempic
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Considerado um dos pilares da alimentação brasileira, o feijão ganhou recentemente o apelido de “Ozempic natural” por seus efeitos fisiológicos semelhantes ao medicamento semaglutida, usado no tratamento da diabetes tipo 2 e da obesidade.
Em entrevista à Mundo Agro, Lígia Luna, especialista em nutrição da Kicaldo, explica como fibras, amido resistente e peptídeos bioativos presentes nos grãos ajudam a aumentar a saciedade, controlar a glicemia e promover uma alimentação saudável e equilibrada.

Mundo Agro: Por que o feijão tem sido chamado de “Ozempic natural”?
Lígia Luna: O feijão tem sido apelidado de “Ozempic natural” porque apresenta efeitos fisiológicos semelhantes ao medicamento semaglutida, utilizado no tratamento da diabetes tipo 2 e da obesidade.
O Ozempic age estimulando o hormônio GLP-1, que aumenta a sensação de saciedade, retarda o esvaziamento gástrico e contribui para o controle da glicemia.
O feijão, graças às suas fibras solúveis, ao amido resistente e a peptídeos bioativos, também promove a liberação desse hormônio de forma natural. Assim, o consumo frequente de feijão ajuda a controlar o apetite, manter níveis estáveis de glicose e apoiar o equilíbrio energético do corpo — com a vantagem de ser um alimento seguro, acessível e parte da cultura alimentar brasileira.
Mundo Agro: Quais os principais nutrientes do feijão que contribuem para esses efeitos?
Lígia Luna: O feijão é um alimento extremamente completo, sendo rico em fibras solúveis e insolúveis, que ajudam a controlar a absorção de glicose e prolongar a saciedade; proteínas vegetais, importantes para a manutenção da massa magra; e minerais como ferro, magnésio e potássio, essenciais para o metabolismo energético. Além disso, os peptídeos bioativos presentes nos grãos contribuem para a liberação de hormônios ligados ao controle do apetite e da glicose no sangue.
Mundo Agro: Há diferenças nos efeitos de diferentes tipos de feijão (preto, carioca, vermelho) no organismo?
Lígia Luna: Sim, todos os tipos — preto, carioca e vermelho — promovem benefícios semelhantes em relação à saciedade e ao controle da glicemia. Cada variedade, porém, apresenta compostos bioativos e antioxidantes específicos; por isso, variar os tipos de feijão ao longo da semana é uma ótima forma de ampliar a ingestão de nutrientes e antioxidantes.
Mundo Agro: Quais outras leguminosas oferecem benefícios semelhantes ao feijão? E como essas leguminosas podem ser incorporadas na alimentação diária de forma prática?
Lígia Luna: Outras leguminosas, como lentilha e grão-de-bico, também apresentam efeitos positivos para o metabolismo. Seus peptídeos bioativos estimulam a liberação de GLP-1 e ajudam a melhorar marcadores inflamatórios. Consumidas regularmente, essas leguminosas contribuem para o equilíbrio da glicose e a manutenção do peso de forma consistente e saudável.
Mundo Agro: Qual é a importância do feijão na alimentação tradicional brasileira e sua contribuição para a saúde?
Lígia Luna: O feijão, principalmente na clássica combinação com arroz, é considerado um dos pilares da alimentação brasileira. Essa dupla fornece proteínas de alto valor biológico, carboidratos complexos, fibras, vitaminas e minerais de forma equilibrada e acessível.
Além do aspecto nutricional, o feijão carrega um forte valor cultural e social, presente diariamente na mesa das famílias de todas as regiões do país. Sua inclusão regular na dieta não apenas garante saúde e saciedade, mas também reforça a identidade alimentar do Brasil, sendo um símbolo de segurança nutricional.
Mundo Agro: Quais dicas práticas você daria para quem quer incluir mais leguminosas na dieta sem perder sabor e praticidade?
Lígia Luna: Existem muitas formas criativas de consumir feijão além do preparo tradicional. Ele pode ser utilizado em saladas frias, sopas, caldos, tortas, escondidinhos, hambúrgueres vegetarianos e até em snacks crocantes preparados na airfryer. O mesmo vale para lentilha e grão-de-bico, que podem ser transformados em pastas, ensopados e acompanhamentos diversos.
Para quem busca praticidade, é possível cozinhar uma quantidade maior, armazenar em porções no freezer e descongelar ao longo da semana. Técnicas como deixar os grãos de molho, cozinhar bem e germinar aumentam a biodisponibilidade de nutrientes, reduzem antinutrientes e minimizam desconfortos digestivos, garantindo sabor, nutrição e variedade sem abrir mão da praticidade.
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