Imunocastração alia bem-estar animal e ganhos produtivos na suinocultura
Tecnologia reduz impacto ambiental, melhora desempenho zootécnico e atende às demandas do mercado

Os números ajudam a dimensionar a maturidade da imunocastração no Brasil. Ao longo de 20 anos, mais de 220 milhões de suínos abatidos utilizaram a tecnologia, consolidando sua aplicação em diferentes sistemas produtivos.
Em entrevista ao Mundo Agro, Evandro Poleze, diretor da Unidade de Negócios de Suínos da Zoetis Brasil, explica como a Vivax evoluiu, superou desafios regulatórios e se tornou uma ferramenta estratégica para produtividade, qualidade de carne e sustentabilidade.

Mundo Agro: Como a imunocastração evoluiu no Brasil ao longo dos 20 anos da Vivax?
Evandro Poleze: Ao longo dos últimos 20 anos, a imunocastração no Brasil evoluiu de uma tecnologia inovadora e pouco difundida, em 2005, para uma prática plenamente consolidada na suinocultura nacional e presente em mais de 70 países no mundo. Vivax® é o produto pioneiro neste segmento que tornou o Brasil uma das referências globais, sustentado por ciência robusta, histórico consistente de segurança, eficácia e resultados à campo.
Hoje, a Vivax® é reconhecida não apenas como uma alternativa à castração cirúrgica, mas como uma ferramenta estratégica de gestão produtiva, alinhada às demandas de bem-estar animal, eficiência zootécnica, qualidade de carne, sustentabilidade e exigências dos mercados consumidores.
Nesse contexto, a Zoetis se diferencia, além da eficácia e segurança, pela excelência na gestão e no processo de vacinação, garantindo aplicação correta, padronização, rastreabilidade e previsibilidade de resultados - fatores determinantes para a consolidação da tecnologia no Brasil.
Mundo Agro: Quais foram os principais desafios e conquistas desde o registro da tecnologia em 2005?
Evandro Poleze: O principal desafio inicial foi a introdução de um conceito novo para o mercado, que exigiu investimento contínuo em ciência, validação e capacitação técnica e construção de confiança junto a toda a cadeia produtiva — produtores, cooperativas, agroindústrias e Fiscais Federais Agropecuários ( SIF – MAPA).
A grande conquista foi a atualização da legislação, permitindo o abate e a comercialização de animais imunocastrados. Ao longo de duas décadas, a tecnologia comprovou sua eficácia no controle do odor de macho, segurança alimentar e benefícios comprovados em toda cadeia produtiva.
Outro marco relevante dessa evolução é que Vivax® possui registro em bula para indicação de uso tanto em machos quanto em fêmeas suínas, o que amplia significativamente o escopo da tecnologia e reforça seu caráter inovador. A aplicação em fêmeas, por meio da supressão do estro (CIO), representa uma oportunidade concreta para o setor, ao oferecer ganhos produtivos, operacionais e industriais que vão além do manejo tradicional.
E a mais recente conquista foi a nacionalização da produção em 2024, que ampliou a segurança de abastecimento, fortaleceu a indústria nacional de saúde animal e reforçou ainda mais a credibilidade da tecnologia no mercado brasileiro.
Mundo Agro: O que os números — mais de 220 milhões de animais abatidos — representam para a consolidação da imunocastração?
Evandro Poleze: Esse número representa, de forma concreta, a confiança do setor na tecnologia. Mais de 220 milhões de animais abatidos ao longo de 20 anos refletem um uso contínuo, em larga escala, com segurança, eficácia e consistência de resultados.
Além disso, demonstra que Vivax® é plenamente aplicável aos diferentes sistemas produtivos do país e que gera ganhos mensuráveis e sustentáveis para toda a cadeia, do campo ao frigorífico.
Mundo Agro: Quais são os principais ganhos produtivos observados com o uso da solução?
Evandro Poleze: Vivax permite que os animais expressem seu potencial genético natural de crescimento por mais tempo, resultando em ganhos consistentes de desempenho. Entre os principais ganhos observados estão melhor conversão alimentar, maior ganho de peso diário, mais carne magra, maior uniformidade de lote e de carcaças.
No caso específico da aplicação da tecnologia Vivax em fêmeas suínas, por meio da supressão do estro (Cio), Além dos benefícios acima, constata-se: redução da mortalidade, incremento no ganho de peso, maior facilidade de manejo no carregamento para o frigorífico, além de aumento da uniformidade das carcaças.
Adicionalmente, os animais possuem uma quantidade maior de gordura firme, matéria-prima fundamental para a indústria de embutidos, o que resulta em maior produtividade a campo e melhores rendimentos industriais no frigorífico.
Mundo Agro: De que forma a solução contribui para o bem-estar animal e para a produtividade?
Evandro Poleze: A imunocastração elimina a necessidade de um procedimento cirúrgico doloroso e estressante, reduz a necessidade de uso de antimicrobianos, promovendo bem-estar animal.
Esse ganho em bem-estar animal, impacta diretamente à produtividade. Animais menos estressados apresentam melhor desempenho zootécnico, maior eficiência alimentar e crescimento mais uniforme, refletindo positivamente nos resultados técnicos e econômicos do sistema.
Mundo Agro: Como a imunocastração impacta a sustentabilidade da produção suinícola?
Evandro Poleze: A imunocastração contribui para a sustentabilidade sob múltiplos aspectos. Do ponto de vista ambiental, a melhoria da conversão alimentar reduz o consumo de ração, a produção de efluentes e consumo de água, por quilo de carne produzida.
Sob a ótica social e de mercado, fortalece o uso responsável de antimicrobianos e atende às crescentes exigências por práticas mais responsáveis, éticas e alinhadas às expectativas dos consumidores e mercados internacionais.
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