Livro reúne histórias que explicam a evolução do agro brasileiro
Publicação destaca líderes e transformações que marcaram o setor

Registrar o passado é mais do que preservar memórias — é entender as decisões, os riscos e as visões que moldaram o presente e ajudam a projetar o futuro do agronegócio brasileiro. É a partir dessa perspectiva que surge Da Porteira para o Mundo – Volume 2, obra que reúne trajetórias de produtores, empresários e lideranças que protagonizaram algumas das transformações mais relevantes do setor nas últimas décadas.
Em um país que se consolidou como potência agrícola global, contar essas histórias é também revelar o capital humano por trás dos números recordes e da expansão produtiva. Mais do que uma publicação, o projeto se posiciona como um retrato vivo de um agro construído com base em inovação, resiliência e visão de longo prazo.
Em entrevista ao Mundo Agro, Aryane Garcia, organizadora da obra e idealizadora do Agrotalk Meeting, detalha os bastidores do projeto e reflete sobre os marcos que ajudaram a transformar o setor no que ele é hoje.
Mundo Agro: O que motivou a continuidade do projeto com o lançamento do Da Porteira para o Mundo – Volume 2 após o sucesso da primeira edição?
Aryane Garcia: A continuidade do projeto surgiu de uma percepção muito clara após a primeira edição: havia uma necessidade real de registrar e preservar as histórias que ajudaram a construir o agronegócio brasileiro. O livro nasce justamente desse propósito de valorizar trajetórias que, muitas vezes, permanecem restritas ao ambiente do campo, mas que tiveram impacto significativo no desenvolvimento econômico do país.
O segundo volume amplia esse olhar ao reunir novos protagonistas, representando diferentes regiões e cadeias produtivas. É, ao mesmo tempo, uma evolução natural do projeto e um reconhecimento à contribuição dessas lideranças para a consolidação do agro brasileiro.
Mundo Agro: Quais critérios foram utilizados para selecionar os produtores, empresários e lideranças que participaram desta nova edição?
Aryane Garcia: A curadoria buscou identificar trajetórias que representassem impacto, transformação e capacidade de liderança. Mais do que o tamanho das operações, o critério central foi reconhecer histórias que contribuíram para o desenvolvimento de suas regiões e para a evolução de diferentes cadeias produtivas.
O resultado é um conjunto bastante plural de lideranças que refletem a diversidade e a força do agronegócio brasileiro.
Mundo Agro: De que forma as histórias reunidas no livro ajudam a entender a transformação do agro brasileiro nas últimas seis décadas?
Aryane Garcia: Os relatos ajudam a compreender que a evolução do agro brasileiro foi resultado de um processo contínuo de adaptação e inovação. Ao longo de seis décadas, o setor deixou de operar com fortes limitações estruturais e tecnológicas para se tornar um dos sistemas produtivos mais eficientes e competitivos do mundo.
Essas histórias revelam como visão estratégica, investimento em conhecimento e capacidade de superar desafios foram determinantes para essa transformação.
Mundo Agro: O livro traz relatos que vão além da produtividade e tecnologia. Como foi capturar a dimensão humana por trás dessas trajetórias?
Aryane Garcia: Desde o início, a proposta foi justamente ir além dos números. O agronegócio é um setor profundamente humano, construído por famílias, comunidades e gerações de produtores.
Capturar essa dimensão foi um dos aspectos mais enriquecedores do projeto. Muitos coautores compartilharam momentos decisivos de suas trajetórias, revelando não apenas conquistas, mas também os desafios e escolhas que marcaram suas histórias.
Mundo Agro: Há algum relato presente na obra que simbolize de forma especial a evolução do agronegócio brasileiro?
Aryane Garcia: Um aspecto que me marcou profundamente foi a presença e o protagonismo das mulheres retratadas na obra. As narrativas femininas evidenciam uma transformação importante no agronegócio brasileiro.
Se antes muitas mulheres ocupavam posições mais discretas no campo, hoje assumem papéis de liderança, participam de decisões estratégicas e conduzem negócios de grande relevância. Esse movimento representa uma mudança significativa na dinâmica do setor.

Mundo Agro: Na sua visão, quais foram os principais marcos que consolidaram o Brasil como potência agrícola global?
Aryane Garcia: O avanço da pesquisa científica aplicada à agricultura, a expansão da fronteira produtiva baseada em tecnologia e a crescente integração do Brasil aos mercados internacionais foram fatores decisivos.
No entanto, o elemento central dessa transformação foi o próprio produtor rural. Foi ele quem apostou em inovação, investiu em conhecimento e teve a coragem de transformar desafios estruturais em oportunidades de crescimento.
Mundo Agro: Como os produtores brasileiros equilibram hoje inovação tecnológica, sustentabilidade e competitividade internacional?
Aryane Garcia: Hoje existe uma compreensão muito clara no setor de que competitividade internacional depende diretamente de inovação e sustentabilidade. Tecnologias de agricultura de precisão, gestão profissionalizada e práticas ambientais mais avançadas já fazem parte da realidade de muitas propriedades.
O produtor brasileiro tem demonstrado uma capacidade notável de incorporar novas soluções e evoluir constantemente seus sistemas produtivos.
Mundo Agro: O livro reúne histórias de diferentes regiões e cadeias produtivas. Quais diferenças e semelhanças mais chamaram sua atenção?
Aryane Garcia: A diversidade regional do Brasil se reflete fortemente nas histórias do livro. Cada cadeia produtiva e cada região enfrentam desafios específicos e desenvolvem soluções próprias.
Ao mesmo tempo, há uma característica comum muito marcante: a visão de longo prazo e o forte compromisso com a terra, com a produção e com as próximas gerações.
Mundo Agro: O que essas trajetórias revelam sobre a capacidade de adaptação do produtor rural brasileiro diante de crises econômicas e climáticas?
Aryane Garcia: As histórias evidenciam um produtor extremamente resiliente. O agronegócio brasileiro sempre conviveu com volatilidade econômica e eventos climáticos desafiadores.
O que diferencia o produtor brasileiro é justamente a capacidade de adaptação, seja por meio da diversificação produtiva, da adoção de novas tecnologias ou da modernização da gestão.
Mundo Agro: Qual é o papel da sucessão familiar na continuidade e profissionalização do agronegócio no Brasil?
Aryane Garcia: A sucessão familiar aparece como um tema central em muitas das histórias retratadas. A transição entre gerações tem trazido novas perspectivas, maior profissionalização e uma visão mais global do negócio.
Quando bem estruturada, essa sucessão fortalece as propriedades rurais e garante a continuidade de projetos que muitas vezes atravessam décadas.
Mundo Agro: Que características em comum você encontrou entre os líderes do agro retratados na obra?
Aryane Garcia: Uma característica recorrente entre essas lideranças é a combinação entre visão estratégica e capacidade de execução. São pessoas que acreditaram em seus projetos, investiram em conhecimento e construíram redes de colaboração ao longo de suas trajetórias.
Também chama atenção a capacidade de adaptação. O agro brasileiro passou por transformações profundas nas últimas décadas, e esses líderes souberam acompanhar esse movimento, incorporando inovação e modernizando suas operações.
Mundo Agro: Como iniciativas como o Agrotalk Meeting contribuem para fortalecer o diálogo no setor?
Aryane Garcia: O Agrotalk Meeting foi concebido justamente para promover conexões entre diferentes áreas que influenciam o agronegócio. O setor precisa dialogar constantemente com agendas estratégicas como inovação, tecnologia, sustentabilidade e políticas públicas.
Eventos como esse criam um ambiente de troca de experiências entre produtores, empresários, pesquisadores e gestores públicos, estimulando discussões mais amplas sobre os desafios e oportunidades do agro.
Mais do que um espaço de debate, o Agrotalk Meeting se consolidou como uma plataforma de conexão e construção coletiva.
Mundo Agro: Quais são os principais desafios que o agronegócio brasileiro deve enfrentar nos próximos anos?
Aryane Garcia: Entre os desafios mais relevantes está a necessidade de manter a competitividade do setor em um ambiente regulatório equilibrado. O excesso de burocracia ou agendas que não refletem a realidade da produção podem comprometer o potencial do agro.
O produtor brasileiro já incorpora práticas sustentáveis e investe continuamente em tecnologia. O setor precisa, sobretudo, de segurança jurídica, previsibilidade regulatória e reconhecimento internacional pelos avanços que já alcançou.
Mundo Agro: De que forma a nova geração de produtores pode aprender com as experiências retratadas no livro?
Aryane Garcia: As histórias reunidas na obra mostram, de forma muito concreta, como visão estratégica, valores sólidos e capacidade de adaptação podem construir trajetórias duradouras.
Para a nova geração, esses relatos funcionam como exemplos reais de liderança, empreendedorismo e resiliência no campo.
Mundo Agro: Se pudesse resumir em uma mensagem central, qual legado o livro pretende deixar?
Aryane Garcia: O principal legado do livro é mostrar que o agronegócio brasileiro é feito, antes de tudo, de pessoas e histórias.
Por trás dos números que frequentemente aparecem nas estatísticas de produção e exportação, existem trajetórias marcadas por trabalho, decisões difíceis e uma visão de longo prazo que atravessa gerações.
Ao registrar essas experiências, buscamos preservar uma memória importante do setor e evidenciar como essas lideranças contribuíram para a construção de um agro moderno, inovador e essencial para os desafios globais de segurança alimentar e sustentabilidade.
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