Mercado de vinhos no Brasil cresce, mas ainda explora só parte do potencial
Com consumo concentrado, baixa penetração e avanço do segmento premium, setor vive transição e abre novas oportunidades

O mercado brasileiro de vinhos começa a retomar fôlego após o ajuste observado no pós-pandemia. Com cerca de R$ 21 bilhões movimentados por ano e um volume estimado em 54 milhões de caixas de 9 litros, o setor segue em expansão — ainda que em ritmo mais moderado e com mudanças estruturais no perfil de consumo.
“Durante a pandemia houve um crescimento expressivo, mas, na sequência, fatores econômicos impactaram o consumo e exigiram um ajuste de estoques. Agora vemos uma retomada gradual do abastecimento”, explicou Felipe Galtaroça, CEO da IDEAL.BI.
As perspectivas do mercado foram debatidas no evento “Vinhos da França: Tendências e Oportunidades”, promovido pela Business France e pela Vinexposium, que reuniu especialistas e representantes do setor. O encontro também serviu como prévia dos temas que estarão em destaque na Vinexpo Americas, em abril, em Miami.

Apesar da evolução, o Brasil ainda está longe de ser um mercado maduro. O consumo per capita gira em torno de 3 litros por adulto ao ano, com crescimento médio de 3%. A penetração também é limitada: de um universo de mais de 160 milhões de adultos, cerca de 28 a 29 milhões consomem vinho regularmente.
Esse dado revela uma das principais oportunidades do setor. “A penetração ainda é de aproximadamente 17%, o que mostra o potencial de crescimento. Além disso, existe um contingente relevante de consumidores que não consomem álcool, abrindo espaço para categorias como os vinhos zero álcool”, destacou Felipe.
Outro ponto de transformação está no valor agregado. Embora o vinho de mesa represente mais da metade do volume consumido, ele responde por apenas 30% do faturamento. Já os vinhos importados, com cerca de 30% do volume, concentram metade da receita do setor — sinal claro do processo de premiumização.
No ranking de origem, o Chile lidera o mercado brasileiro, seguido por Brasil e Argentina. A França, por sua vez, se destaca no segmento de maior valor, com crescimento recente e forte presença em rótulos premium. “Cerca de 63% dos vinhos franceses importados estão acima de US$ 100 por caixa, consolidando o país como referência em produtos de alto valor agregado”, afirmou Felipe.

Entre as principais tendências, ganham força o crescimento dos espumantes — que deixaram de ser sazonais —, a expansão dos vinhos brancos e o avanço de categorias sem álcool. Diferente do rosé, que teve um crescimento mais associado a modismos, os vinhos brancos apresentam evolução mais consistente, alinhada ao clima e à gastronomia brasileira.
Regionalmente, o consumo ainda é concentrado. O Sul lidera com cerca de 7 litros per capita, seguido pelo Sudeste, com 4 litros, enquanto Norte e Nordeste permanecem abaixo de 2 litros — evidenciando um espaço relevante para expansão.
No campo regulatório, o acordo entre União Europeia e Mercosul pode trazer mudanças importantes, com potencial de redução de tarifas e impacto direto nas margens. Ainda assim, a tendência é de rearranjo entre origens, mais do que crescimento imediato do mercado.
Já no segmento de espumantes, a competição tende a se intensificar. Hoje, o produto brasileiro se destaca pelo preço, mas eventuais mudanças tributárias podem aproximar os valores dos rótulos importados. “Nesse cenário, o peso da marca e da origem pode influenciar ainda mais a decisão do consumidor”, avaliou Felipe.
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