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Moda sustentável como compromisso de legado

Com mais de quatro décadas de ações ambientais, o Grupo Malwee reforça seu protagonismo em sustentabilidade e inovação, mirando metas ousadas até 2030

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Malwee e seu legado de moda sustentável Foto cedida: Malwee

Nesta entrevista exclusiva à Mundo Agro, Renato Martins, Gerente de Comunicação Institucional e ESG da Malwee, detalha a trajetória da marca, desde a criação do Parque Malwee em 1978 até o desenvolvimento da inovadora camiseta Ar.voree, que captura CO₂ da atmosfera.

Martins também comenta sobre as metas do Plano ESG 2030, os desafios para escalar soluções regenerativas e a importância de uma cadeia têxtil comprometida com o futuro do planeta.


Renato Martins, Gerente de Comunicação Institucional e ESG da Malwee Foto cedida: Malwee

Mundo Agro: A sustentabilidade sempre foi um pilar da Malwee. Como essa visão evoluiu nos últimos anos?


Renato Martins: Nascemos com o propósito de deixar um legado positivo na vida das pessoas e no mundo, por meio da moda. Uma das estratégias e ambições do Grupo Malwee sempre foi oferecer produtos que fossem referência em qualidade e durabilidade, unindo ainda eficiência produtiva, inovação e sempre priorizando o compromisso firmado com nossos clientes. Buscando ainda fazer uma moda que também fosse boa para o planeta.

Abaixo, relato algumas das ações que realizamos ao longo dos anos e que tangibilizam a nossa proposta de valor, estratégia e flexibilidade para nos reinventar ao longo do caminho:


1978 - Inauguração do Parque Malwee, que é uma das maiores áreas de preservação ambiental de Santa Catarina. Localizado na cidade de Jaraguá do Sul, possui 1,5 milhão de metros quadrados, 16 lagoas, mais de 35 mil árvores plantadas e centenas de espécies de aves — uma avifauna considerada elevada por especialistas, uma vez que o parque está dentro de um centro urbano.

1987 - Início da implementação de sistemas para tratamento de efluentes.


1992 - Inauguração da nossa própria estação de tratamento de efluentes em nossa indústria.

2003 - Instalação de um sistema com capacidade de reutilizar até 200 milhões de litros de água por ano.

2012 - Novo investimento no tratamento de efluentes, para implementação do sistema de ultrafiltração, aumentando a capacidade de tratamento e a qualidade da água tratada.

2015 - Plano 2020 “Eu Abraço Sustentabilidade com Estilo”.

2018 - Entrada no programa ZDHC (Programa de Descarte Zero de Produtos Químicos Perigosos), um selo europeu sobre segurança de químicos.

2018 - Grupo Malwee lança a campanha “Atitudes do bem” que doa R$860mil para 20 ONGs brasileiras.

2019 - Grupo Malwee participa da COP-25.

2019 - Fundação do Instituto Malwee, para concentrar as ações socioambientais que o Grupo Malwee vem fazendo ao longo dos mais de 50 anos de história, com o desafio de aumentar seu impacto e alcance.

2020 - Grupo Malwee doa R$25 milhões para enfrentamento da pandemia e se reinventa com linha de máscaras e camisetas com tecnologias especiais de proteção, chamada Malwee Protege.

2021 - Plano ESG 2030 na COP-26;

2022 - Lançamento do movimento “DES.A.FIO”, que apresentou o primeiro moletom feito com o “fio do futuro”. Essa matéria-prima inovadora é produzida a partir de roupas usadas que seriam descartadas. Em 2023, o fio do futuro, composto por 85% de peças usadas e 15% de fibra de poliéster reciclado (feito a partir de garrafas PET), passou a fazer parte do mix de produtos das marcas Malwee e Malwee Kids.

2024 - Grupo Malwee conquista o primeiro lugar no Prêmio Exame - Melhores do ESG, na categoria Moda e Vestuário;

2025 - Lançamento da camiseta Ar.voree.

Mundo Agro: Quais são os principais compromissos ambientais da Malwee para os próximos cinco anos?

Renato Martins: Quando olhamos para o futuro, nosso foco é executar o Plano ESG 2030 com a certeza de que as ações e escolhas que tivermos hoje definirão o futuro do nosso planeta. Definimos metas baseadas na ciência para serem alcançadas até 2030, utilizando os princípios de visão circular, ODS, economia Donut e ESG.

Queremos contribuir com a melhoria dos indicadores de mudanças climáticas, evoluir ainda mais no uso de recursos materiais, no uso de água, promover maior redução de resíduos e poluição química.

Como exemplo, uma das metas é ter 100% dos produtos fabricados com matérias-primas e/ou processos com menor impacto ambiental em nossa cadeia de produção até 2030. Nesta meta, temos a alegria de já ter conquistado 92%, nosso objetivo é evoluir cada vez mais em toda a nossa cadeia, fazendo a nossa moda ter sinergia com os recursos naturais.

Também enfatizando a importância da qualidade e durabilidade, evitando assim que a moda seja descartável, que após pouco uso vá para para os lixões, etc.

E ainda, seguir com o compromisso de influenciar a toda a cadeia têxtil, pois não adianta sermos sustentáveis sozinhos. Este plano reforça nossa transparência e vontade de munir o consumidor com informações para que ele exija mais das empresas de moda e de outros segmentos.

Mundo Agro: Como a empresa mede e comunica o impacto ambiental de suas operações?

Renato Martins: Com uma operação verticalizada, abrangendo desde os processos de malharia, tinturaria, estamparia, corte, costura, expedição até canais de vendas, o Grupo Malwee detém grande parte dos processos de transformação dentro de suas operações diretas. Sendo possível ter um monitoramento e controle mais eficiente dos impactos dessas atividades, como o uso da água, as emissões diretas de gases de efeito estufa, geração de resíduos e a gestão dos mesmos.

Todas as nossas iniciativas e resultados estão publicadas no site do Grupo Malwee, que tem um espaço exclusivo para comunicar as nossas ações sustentáveis; e o nosso relatório anual de sustentabilidade também está disponível para consulta aberta ao público no site.

Mundo Agro: A Malwee tem alguma estratégia específica para atingir a neutralidade de carbono? Em que estágio está esse plano?

Renato Martins: Temos estratégias para a diminuição de nossas emissões de Escopo 1,2 e 3. A neutralidade é um “norte” mas o caminho é longo e, além das ações que executamos hoje, depende da evolução de tecnologias que ainda não foram lançadas.

Adotamos a premissa de investimento em P&D para mitigação de impacto de nossas operações, hoje por exemplo, o maquinário que mais utiliza energia na produção, são as RAMAS. Nós convertemos a maioria delas para fontes de energia renováveis. Esse processo exige investimento e adaptação de toda a estrutura de produção.

Precisamos sempre ter iniciativas para redução de impacto de CO2eq nos produtos, tanto o Fio do Futuro quanto a camiseta Ar.voree avançam nessa direção também.

Mundo Agro: Vocês lançaram no fim de maio a primeira camiseta que captura co2 e elimina na lavagem. A Ar.voree é uma iniciativa incrível. Como foi o desenvolvimento desse produto e qual o retorno que vocês tiveram até agora?

Renato Martins: Ar.voree é fruto de uma parceria inédita com a startup de Singapura Xinterra, por meio da tecnologia COzTERRA, e representa um avanço concreto no desenvolvimento de soluções regenerativas aplicadas à moda.

A camiseta marca a primeira aplicação prática, em roupas, da tecnologia desenvolvida ao longo de dois anos de pesquisa, que é basicamente uma molécula que captura o CO2, segura o gás, até ser lavada com sabão onde um processo químico transforma o CO2 em minerais naturalmente eliminados pela água, quando então se esvazia e fica pronta para capturar mais CO2.

Lançamos uma primeira edição super limitada de 250 camisetas, disponíveis com exclusividade no nosso e-commerce. A receptividade do público a esse produto tão inovador foi muito positiva. Nós praticamente esgotamos a primeira edição em menos de 20 dias após o lançamento.

Mundo Agro: Já há alguma previsão de escalar essa malha e linha de produtos feitos com ela?

Renato Martins: Para aplicar a tecnologia da camiseta Ar.voree em grande escala, ainda são necessários dois avanços principais. O primeiro é ampliar a aplicabilidade da tecnologia para além da camiseta preta de algodão, que atualmente é o único modelo compatível com o processo. Essa limitação restringe a escalabilidade da produção.

O segundo ponto é a otimização do processo de aplicação do gel fornecido pela empresa Xinterra, de Singapura, nossa parceira no projeto. Como essa etapa ainda é recente, o primeiro lote exigiu um processo mais complexo. Estamos trabalhando para tornar os dois pontos mais eficientes e adaptáveis à produção em larga escala.

Mundo Agro: Como vocês garantem que os fornecedores também sigam práticas sustentáveis e éticas?

Renato Martins: O Grupo Malwee é signatário da ABVTEX e para uma empresa fornecer para nós, é necessário atender uma série de premissas e práticas éticas.

Estimulamos a cadeia de fornecimento a adotar práticas de menor impacto em projetos conjuntos e colocando nosso time à disposição para eventuais consultas.

E sempre estamos disponíveis para parcerias focadas em menor impacto, como exemplo cito as parcerias com Eurofios no projeto Fio do Futuro.

Mundo Agro: Como a Malwee enxerga o papel da tecnologia na moda sustentável?

Renato Martins: Acreditamos que a inovação é um dos caminhos mais eficazes para uma moda mais consciente e com menor impacto ambiental. Para diminuirmos o impacto em uma indústria que tem processos otimizados ao longo de séculos, a inovação é o caminho mais eficaz. Moda, tecnologia e sustentabilidade precisam caminhar juntas — e essa peça, entre outros produtos sustentáveis do nosso mix, é um convite para que as pessoas também façam parte desse ciclo.

Mundo Agro: Reciclagem de roupas é viável no Brasil? Para Malwee?

Renato Martins: Existe um desafio enorme na legislação antes de mais nada. Não existem estímulos legais para que a reciclagem aconteça. A logística reversa nesse caso é cara pelo transporte e impostos, pagar imposto sobre peças usadas já traz um impacto enorme para a atratividade de uma operação dessas. A empresa estará sendo tributada em todas as etapas, já que na nova produção e venda, haverá nova incidência de impostos também.

Como é um processo de inovação que exige testes e riscos, isso precisa ser alterado.

Para a Malwee estamos fazendo isso neste cenário, porque temos em nossos valores fazer o bem e bem feito, nesse caso assumindo mais riscos do que o normal para um projeto que busca mitigar impacto.

Possível é, sem dúvidas.

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