O avanço dos bioinsumos impulsionado pela confiança do produtor
A atuação técnica da Bionat mostra que a eficácia em campo depende tanto da cepa e formulação quanto do manejo correto

Por trás do avanço dos bioinsumos no campo brasileiro existe um trabalho consistente de educação e validação científica.
Álefe Borges, gestor de portfólio da Bionat Soluções Biológicas, explicou que romper as barreiras culturais exige mostrar, na prática, como e por que os biológicos funcionam.
Nesta conversa com a Mundo Agro, ele detalhou o impacto do programa “Biológico Não É Tudo Igual”, comenta o crescimento do mercado e projetou uma nova fase da agricultura nacional — mais sustentável, integrada e tecnicamente preparada.

Mundo Agro: Quais são as principais barreiras culturais que ainda impedem a adoção em larga escala de bioinsumos pelos produtores rurais?
Álefe Borges: As barreiras mais significativas são culturais e técnicas. Ainda existe uma percepção de que os biológicos não entregam resultados com a mesma rapidez dos produtos químicos. Esse olhar imediatista gera resistência inicial, principalmente em culturas de alto valor ou de manejo intensivo. Soma-se a isso o desconhecimento sobre conceitos básicos de aplicação — como compatibilidades, conservação e momento correto de uso — que são decisivos para o sucesso da tecnologia.
A estratégia da Bionat para romper essas barreiras é baseada em educação e conscientização. Por meio do programa “Biológico Não É Tudo Igual”, a empresa promove treinamentos, workshops e jornadas técnicas que explicam, de forma prática, como e por que os biológicos funcionam. Nosso foco é gerar confiança com base em conhecimento técnico, tanto para produtores quanto para consultores e distribuidores.
Mundo Agro: De que forma o manejo inadequado pode descredibilizar produtos biológicos de alta performance?
Álefe Borges: Os biológicos são organismos vivos, e isso exige cuidados específicos. Quando o manejo não é adequado — seja pela mistura com produtos incompatíveis, aplicação em horários desfavoráveis ou doses fora da recomendação, o desempenho pode ser comprometido.
Essa perda de eficiência muitas vezes é atribuída ao produto, e não à forma como foi utilizado, o que gera percepções equivocadas. Por isso, a Bionat mantém acompanhamento técnico direto em campo, além de ações contínuas de capacitação, justamente para garantir que os produtos expressem todo o seu potencial agronômico.
Mundo Agro: Como a falta de bioherbicidas no mercado afeta a comparação entre defensivos químicos e biológicos?
Álefe Borges: A ausência de bioherbicidas comerciais distorce a comparação entre químicos e biológicos. O mercado total de defensivos no Brasil é fortemente influenciado pelos herbicidas, o que reduz artificialmente a participação percentual dos biológicos. Atualmente, os biológicos representam cerca de 5% do mercado total de defensivos, algo em torno de R$ 6 bilhões. Mas se excluirmos os herbicidas — segmento ainda não atendido por biológicos — essa participação sobe para cerca de 8%, considerando fungicidas, nematicidas e inseticidas. Há menos de uma década, os biológicos representavam apenas 1% do mercado. Esse crescimento expressivo mostra o avanço tecnológico e o amadurecimento do setor, mesmo sem os bioherbicidas ainda disponíveis.
Mundo Agro: A que se deve a dificuldade em mensurar os efeitos dos bioinsumos sobre a produtividade vegetal?
Álefe Borges: O desafio está no fato de que os efeitos dos biológicos são multifatoriais e cumulativos. Em muitos casos, o impacto não se traduz em um único número de produtividade, mas em maior equilíbrio fisiológico, resiliência a estresses e eficiência no uso de nutrientes.
Enquanto o controle de pragas é de observação direta, o efeito sobre crescimento e rendimento exige comparações bem estruturadas, com acompanhamento técnico e protocolos padronizados. Por isso, a Bionat realiza ensaios em parceria com instituições como ESALQ-USP e EMBRAPA, além das diversas consultorias e instituições de pesquisa pelo Brasil, para mensurar de forma precisa o impacto real das suas tecnologias em produtividade e rentabilidade.
Mundo Agro: Quais estratégias a Bionat tem utilizado para capacitar produtores e técnicos sobre o uso correto de biológicos?
AÁlefe Borges: Capacitação é um pilar estratégico para a Bionat. Internamente, a empresa investe na formação contínua de suas equipes técnicas e comerciais. Externamente, atua com o programa “Biológico Não É Tudo Igual”, que promove palestras, cursos e eventos regionais voltados à educação do setor agrícola. Esse programa tem sido fundamental para esclarecer dúvidas e orientar o mercado sobre as mais de 750 tecnologias biológicas registradas atualmente. O objetivo é qualificar a tomada de decisão, ajudando o produtor a diferenciar formulações, entender modos de ação e realizar aplicações mais assertivas.
Mundo Agro: O programa “Biológico Não É Tudo Igual” tem gerado impacto positivo na percepção dos agricultores? Como isso é medido?
Álefe Borges: Sim, o impacto é muito claro. O programa aumentou significativamente o interesse técnico dos produtores e a busca por informações confiáveis. Medimos esse avanço por meio do engajamento nos treinamentos, do crescimento na taxa de recompra e da ampliação das áreas tratadas com nossas tecnologias. O “Biológico Não É Tudo Igual” reforça uma mensagem simples, mas poderosa: eficiência depende de cepa, formulação, processo industrial e posicionamento correto. Essa conscientização tem elevado o nível técnico do mercado e melhorado o desempenho dos produtos biológicos em campo.
Mundo Agro: O que ainda falta para o setor agrícola entender o diferencial dos biológicos em relação aos químicos? E como a Bionat enxerga a evolução da agricultura biológica nos próximos 5 a 10 anos?
Álefe Borges: O que falta é vivência prática com o uso integrado dos biológicos. À medida que os produtores percebem que os biológicos não substituem os químicos, mas os complementam de forma estratégica, o entendimento muda. Nos próximos 5 a 10 anos, veremos uma agricultura híbrida e inteligente, onde soluções biológicas e químicas atuarão de forma sinérgica. A Bionat acredita nesse mercado e se apresenta como referência no segmento, no qual o Brasil é protagonista global nesse avanço — tanto pela diversidade microbiana quanto pela capacidade técnica instalada —, consolidando-se como referência mundial em bioinsumos para uso na agricultura tropical.
Mundo Agro: Quais são os principais diferenciais de um defensivo biológico eficaz na visão da Bionat?
Álefe Borges: Na visão da Bionat, um biológico eficaz deve combinar:
Cepa exclusiva e comprovadamente eficiente, validada por instituições científicas;
Formulação estável, que preserve a viabilidade (e vigor no caso de fungos) do microrganismo e garanta resultado no campo;
Processo industrial controlado, assegurando padronização lote a lote;
Armazenamento e logística efetivos, com cadeira fria de ponta a ponta visando preservar a qualidade e garantir a vida de prateleira indicada no rótulo.
Esses princípios norteiam todo o portfólio da empresa. Exemplos são o Sprinter, com Pantoea agglomerans ESALQ 33.1; o Peregrino, com Bacillus subtilis e B. velezensis; o Habitat, com Trichoderma afroharzianum CEN 287; e o Dissara e Spaiteran, desenvolvidos com a EMBRAPA para controle de lagartas e bicudo-da-cana, respectivamente. Esses produtos representam o resultado de parcerias científicas sólidas e de um modelo de inovação contínua.
Mundo Agro: De que forma os biológicos contribuem para uma agricultura mais sustentável e menos dependente de insumos químicos?
Álefe Borges: Os biológicos promovem equilíbrio e resiliência nos agroecossistemas. Reduzem o uso de moléculas químicas, ajudam a restabelecer a microbiota do solo, diminuem a pressão de seleção para resistência de pragas e doenças e reduzem a presença de resíduos nos alimentos.
Além disso, ao substituir parcialmente defensivos sintéticos, diminuem a pegada de carbono e os impactos ambientais. Para a Bionat, sustentabilidade não é apenas um discurso — é uma consequência direta de soluções biológicas que entregam resultados agronômicos e econômicos, garantindo produtividade com responsabilidade ambiental.
✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp













