Os desafios e caminhos da cafeicultura sustentável
Os impactos das mudanças climáticas e a transição do uso de agroquímicos para práticas biológicas

A cafeicultura enfrenta hoje grandes transformações — e também grandes desafios. Em entrevista durante a Expedição Regenera, Rodolfo Climaco, gerente de agricultura Nestlé fala sobre a eficiência no uso de fertilizantes, a importância do melhoramento genético frente às mudanças climáticas e a inevitável transição do químico para o biológico. Para ele, práticas regenerativas não só reduzem custos e emissões, como também melhoram as condições sociais no campo. E, no fim do dia, o café continua sendo mais que uma bebida — é um modo de viver.

Mundo Agro: Em termos de sustentabilidade e uso de insumos, como essa fazenda se destaca dentro do Nescafé Plan?
Rodolfo Climaco: No uso eficiente de fertilizantes, essa fazenda é um exemplo. Ela está entre as mais eficientes quando olhamos para os indicadores do Nescafé Plan. Nós mensuramos, por exemplo, a relação entre quilos de nitrogênio aplicados por quilo de café verde produzido. E nesse indicador, eles estão bem abaixo da média — com um fator de emissão bastante reduzido.
Mundo Agro: Se você tivesse que apontar o maior desafio para o setor cafeeiro hoje, seria o clima?
Rodolfo Climaco: Com certeza, as mudanças climáticas são um dos maiores desafios. Elas exigem um constante esforço em melhoramento genético. O clima de hoje não será o mesmo daqui a cinco ou dez anos. Por isso, tudo o que mostramos aqui — o viveiro, os cruzamentos, a escolha de variedades — tem como objetivo aumentar a resistência à seca, às pragas, e preparar a planta para o futuro.
Mundo Agro: E quanto ao uso de agroquímicos? É possível reduzir ou substituir?
Rodolfo Climaco: Sim, esse é outro grande desafio — e também uma enorme oportunidade. O uso de agroquímicos está sendo repensado. Hoje vemos muitas indústrias multinacionais investindo em controle biológico, incorporando o manejo sustentável ao seu portfólio. É um caminho sem volta. Já temos fazendas que comprovaram, na prática, que podem reduzir custos com bioinsumos e controle biológico. Isso é mensurável. Mas há ganhos que vão além do que se mede: o trabalhador do campo, por exemplo, pode atuar com mais segurança, sem a mesma exigência de EPIs pesados. O impacto social também é significativo.
Mundo Agro: E para você, o que é o café?
Rodolfo Climaco: O café é tudo. Eu nasci em uma fazenda de café, minha família sempre viveu disso. Passei a infância e os feriados em meio às lavouras. Está na minha história.
Mundo Agro: E como você toma seu café? Tem uma preferência?
Rodolfo Climaco: Tenho rituais diferentes ao longo do dia. Pela manhã, prefiro um expresso forte, bem direto. Depois do almoço, talvez algo mais suave. À noite, gosto de preparar um V60, que é um café especial, mais delicado — ótimo para tomar em família.
Mundo Agro: Já calculou quanto café você consome por dia?
Rodolfo Climaco: Olha, acho que chega perto de um litro por dia. Fácil! (risos)
Mundo Agro: Muito obrigada pela entrevista!
Rodolfo Climaco: Eu que agradeço. É sempre um prazer falar sobre o que a gente acredita e vive todos os dias.
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