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Pesquisa mineira transforma soro do leite em bebida funcional

Projeto da EPAMIG avança para fase de validação e pode levar ao mercado uma alternativa sustentável e nutritiva para a indústria de laticínios

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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EPAMIG desenvolve bebida inovadora à base de soro e mira indústria láctea Foto cedida: Marcelo Ribeiro - EPMAIG ILCT

O soro do leite, tradicionalmente tratado como subproduto da indústria de laticínios, pode ganhar novo protagonismo no mercado brasileiro de bebidas.

Pesquisadores do Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT), vinculado à Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), avançam no desenvolvimento do chamado “Refrigerante do Bem”, que acaba de entrar na fase de validação tecnológica.


A proposta é transformar o soro em uma bebida carbonatada, que pode ser acidificada ou fermentada, com possibilidade de enriquecimento nutricional. O objetivo é unir inovação, sustentabilidade e geração de valor para a cadeia produtiva do leite.

“Chamamos de “Refrigerante do Bem” porque contribui com o meio ambiente ao utilizar um soro que, muitas vezes, seria descartado e poderia causar poluição. Também contribui para a saúde, já que mantém nutrientes do leite, como cálcio, outros sais minerais e vitaminas, além de poder conter prebióticos e probióticos”, disse Junio de Paula, coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Leite e Derivados da EPAMIG.


Projeto financiado pela Fapemig testa estabilidade e segurança de refrigerante funcional com potencial probiótico Foto cedida: Marcelo Ribeiro - EPMAIG ILCT

Além de reduzir o descarte de soro — que pode causar impacto ambiental quando não destinado corretamente — a formulação preserva nutrientes importantes do leite, como cálcio, sais minerais e vitaminas, podendo ainda incorporar prebióticos e probióticos.

Nesta etapa, os pesquisadores realizam ensaios para caracterizar a composição do soro e definir ingredientes, formulação e processo produtivo. A próxima fase prevê a produção em escala piloto na fábrica-escola da EPAMIG ILCT, em Juiz de Fora (MG), onde a bebida passará por dois tratamentos tecnológicos — fermentação e acidificação.


O produto será envasado, armazenado sob refrigeração e submetido a análises físicas, químicas e microbiológicas ao longo do período de estocagem. Os testes irão avaliar estabilidade, segurança e vida de prateleira, além de verificar a viabilidade tecnológica do uso do soro em bebida carbonatada.

A conclusão do projeto está prevista para o início de 2027. Após essa etapa, os resultados deverão ser apresentados em congressos científicos e publicados em periódicos especializados. A expectativa é que a tecnologia possa ser transferida para laticínios interessados, desde que cumpridas as exigências regulatórias para produção e comercialização.


O projeto conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), tem execução da EPAMIG ILCT e gestão da Fundação Arthur Bernardes (Funarbe).

Ao transformar um subproduto em oportunidade de mercado, a iniciativa reforça o potencial da pesquisa agropecuária mineira na geração de soluções sustentáveis para a indústria de alimentos.

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