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Pesquisa nacional revela estágio da agricultura regenerativa no campo brasileiro

Levantamento com produtores mapeia práticas adotadas, desafios da transição e avanços no manejo do solo

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Pesquisa nacional analisa práticas de agricultura regenerativa nas lavouras brasileiras Foto cedida: Alterra

A agricultura regenerativa ganha cada vez mais espaço nas lavouras brasileiras. Para entender como essas práticas estão sendo adotadas na prática, a Allterra iniciou um levantamento nacional junto a sua base de clientes, espalhada por diferentes regiões e sistemas produtivos do país.


O objetivo é transformar a experiência de campo em dados estruturados, capazes de orientar decisões técnicas, estratégias de mercado e o avanço sustentável da produção agrícola.

Nesta entrevista ao Mundo Agro, Walmor Roim, gerente de marketing da Allterra, explica o que motivou a pesquisa, quais indicadores estão sendo analisados e como o restabelecimento da microbiota do solo pode acelerar a adoção da agricultura regenerativa no Brasil.


Walmor Roim, gerente de marketing da Allterra Foto cedida: Walmor Roim

Mundo Agro: O que motivou a Allterra a iniciar um levantamento nacional sobre agricultura regenerativa entre seus clientes?


Walmor Roim: A agricultura regenerativa já é uma realidade crescente no campo, mas ainda carece de dados estruturados que mostrem como os produtores estão incorporando essas práticas no dia a dia. Como temos uma base muito diversificada de agricultores que utilizam a Biotecnologia Microgeo® em diferentes regiões e cultivos, percebemos que esse universo poderia revelar um panorama consistente do que, de fato, está avançando no Brasil. A motivação foi justamente transformar essa experiência prática em informação qualificada, capaz de orientar decisões técnicas, políticas e de mercado.

Mundo Agro: Como esse mapeamento pode contribuir para acelerar a adoção de práticas regenerativas no Brasil?


Walmor Roim: Ao identificar o que os produtores já fazem, o que funciona melhor e onde estão os principais gargalos, conseguimos direcionar conhecimento e tecnologia de forma mais assertiva, posicionando nosso portfólio com o objetivo de obter os melhores resultados. Esse diagnóstico permite que distribuidores, cooperativas, consultores e outros elos da cadeia tenham referências concretas. E, quando o agricultor enxerga resultados reais de seus pares, tende a avançar com mais segurança, acelerando a curva de adoção.

Mundo Agro: Qual é o principal indicador que a Allterra espera identificar com essa pesquisa?

Walmor Roim: Nosso olhar está voltado sobretudo para o grau de maturidade dos agricultores em relação à adoção de práticas sustentáveis. Além disso, buscamos entender quais práticas estão sendo priorizadas, como o manejo biológico do solo, redução de insumos, rotação ou integração de cultivos e a adoção de sementes de cobertura. Esse conjunto de informações permitirá construir um índice nacional de avanço e adoção entre nossos clientes.

Mundo Agro: O que será considerado como prática regenerativa dentro do estudo?

Walmor Roim: Consideramos práticas que contribuem para restaurar processos naturais, melhorar a saúde do solo e a fertilidade, além de aumentar sua resiliência às intempéries, principalmente climáticas. Isso inclui o manejo microbiológico, práticas de fertilidade, diversificação de sistemas produtivos, manutenção de cobertura vegetal, redução da dependência química, estratégias que ampliem a matéria orgânica e ações que influenciem positivamente a biologia, a física e a química do solo. O foco está em iniciativas que restabeleçam equilíbrio, não apenas mitigando impactos, mas promovendo longevidade.

Mundo Agro: Quais são as maiores dificuldades relatadas pelos agricultores para avançar na adoção de práticas agrícolas regenerativas?

Walmor Roim: Os desafios mais citados envolvem insegurança na transição, dificuldade em interpretar o comportamento do solo, falta de referências práticas na própria região e receio quanto ao impacto produtivo nas primeiras safras. Há também o obstáculo do tempo: muitos agricultores gostariam de fazer mudanças mais estruturais, mas não conseguem esperar pelos resultados. É por isso que o compartilhamento técnico e o acesso a demonstrações de campo têm sido tão importantes.

Mundo Agro: De que forma os eventos e demonstrações práticas ajudam a derrubar resistências e acelerar a troca de conhecimento entre agricultores?

Walmor Roim: Quando um agricultor vê a estrutura física do solo, o enraizamento, a agregação e os efeitos do manejo microbiológico diretamente na trincheira, a conversa muda de patamar. A troca de agricultor para agricultor tem muito peso, porque traz vivência, números e resultados da vida real. Esses eventos funcionam como um ambiente seguro para tirar dúvidas, comparar sistemas e observar o efeito do tempo sobre o solo — algo que dificilmente se transmite apenas por materiais técnicos.

Mundo Agro: O que diferencia a Biotecnologia Microgeo de outras soluções disponíveis no mercado?

Walmor Roim: A Biotecnologia Microgeo é a única no mercado que promove o restabelecimento da microbiota do solo. Além disso, cada agricultor produz em sua fazenda um composto exclusivo que carrega as características da sua região, chamado DNA Biológico (conferir se o nome está correto). Ela estimula o próprio potencial biológico do solo de cada propriedade. A tecnologia parte da realidade local e restabelece processos naturais que, muitas vezes, foram perdidos ao longo dos anos. É uma solução patenteada, exclusiva e comprovada em diferentes regiões do país e no exterior, com resultados consistentes em estrutura, biodiversidade microbiana e eficiência no uso de recursos disponíveis.

Mundo Agro: Quais resultados mais chamam atenção quando se observa a evolução do solo após o uso contínuo do Microgeo?

Walmor Roim: Os primeiros sinais geralmente aparecem na estrutura física: maior estabilidade de agregados, melhor infiltração de água e raízes mais profundas. Com o tempo, essa reorganização física se traduz em resiliência diante de veranicos, redução de compactação, maior resposta a manejos com outros insumos e um ambiente mais equilibrado para as plantas. Estudos de campo mostram que o solo passa a se comportar de maneira mais previsível e sustentável.

Mundo Agro: Como o restabelecimento do microbioma do solo se traduz em produtividade e estabilidade diante de variações climáticas?

Walmor Roim: Um solo com o microbioma equilibrado responde melhor às situações de estresse abiótico que podem ocorrer durante o ciclo dos cultivos. Em um solo equilibrado, ocorre maior infiltração de água, retenção de umidade por mais tempo, melhor disponibilização de nutrientes e um desenvolvimento radicular mais funcional. Isso se reflete diretamente em estabilidade e produtividade: mesmo em anos com irregularidade de chuva ou temperaturas extremas, o sistema tende a oscilar menos. Em última instância, adotar práticas sustentáveis e regenerativas reduz a vulnerabilidade dos cultivos.

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