Pesquisa reforça valor do mel branco e da árvore carne-de-vaca no RS
Estudo identifica abelhas visitantes da flor típica da região e apoia pedido de Indicação Geográfica

Os pesquisadores do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDPA/Seapi) realizaram, em janeiro, um levantamento dos visitantes florais da árvore carne-de-vaca nos Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul.
A pesquisa foi conduzida nos municípios de Cambará do Sul e Jaquirana, com o objetivo de identificar outras espécies de abelhas com potencial para a produção do mel branco, ainda não reconhecidas como associadas a esse tipo de mel.
O estudo integra um projeto que busca reunir subsídios para uma possível Indicação Geográfica (IG) do mel branco, concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
A Clethra scabra, popularmente conhecida como carne-de-vaca, é uma espécie nativa da Floresta de Araucária e floresce entre os meses de janeiro e fevereiro. Nesse período, suas flores disponibilizam pólen e néctar a diversos visitantes florais, principalmente abelhas.
O néctar da carne-de-vaca é amplamente explorado pela abelha melífera (Apis mellifera), resultando na produção de um mel de coloração clara e sabor característico, conhecido como mel branco, bastante valorizado.
Pesquisas realizadas pelo DDPA/Seapi nos anos de 2021 e 2024 demonstraram que esse mel também é produzido por abelhas sem ferrão. Segundo a pesquisadora Sídia Witter, duas das principais espécies associadas ao produto — a guaraipo (Melipona schencki) e a manduri (Melipona torrida) — assim como a própria carne-de-vaca (C. scabra), constam na lista de espécies ameaçadas de extinção no Estado.

“Dessa forma, o mel branco assume não apenas relevância econômica e cultural, mas também um importante papel na valorização e conservação das espécies nativas e de seus habitats”, disse Sídia Witter, pesquisadora do DDPA.
Durante o trabalho de campo, os pesquisadores também entrevistaram duas apicultoras de mel branco dos municípios de Cambará do Sul e Jaquirana, premiadas na edição 2024 do Prêmio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), na categoria mel claro. O questionário aplicado, com 26 questões abertas e fechadas, tem como objetivo resgatar a história do mel branco no território, descrever o manejo produtivo e verificar sua nomenclatura.
Adriana de Bortoli, de Jaquirana, destacou a importância da pesquisa para a conquista da Indicação Geográfica do mel branco.
“Vai valorizar ainda mais o nosso mel, ampliar o conhecimento sobre essa flor típica da nossa região, que é a carne-de-vaca, e permitir que mais pessoas apreciem esse mel tão saboroso”, comentou Bortoli.
Já a apicultora Liane de Oliveira, de Cambará do Sul, ressalta que o mel branco é um produto de extrema importância, não apenas pela raridade, mas por fortalecer a apicultura local.
“Quando se conquista uma IG, não é só o produtor que ganha. Toda a cidade e todo o território são beneficiados, ao identificar um produto que é único, que só existe neste clima, nesta terra e neste lugar”, disse Oliveira.
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