Piracicaba sediará Rural Summit com debates sobre tecnologia e mercado
Evento será realizado em 21 de maio e deve reunir mais de mil participantes

A quarta edição do Rural Summit 2026 marca uma nova fase ao ampliar o foco na conexão entre os diferentes elos do agronegócio. O evento será realizado no dia 21 de maio, em Piracicaba, um dos principais polos de inovação do setor no país, e deve reunir mais de mil participantes.
Com uma proposta voltada à integração entre tecnologia, capital e produção, o encontro reúne startups, produtores, investidores e especialistas para discutir temas que vão da inovação aplicada no campo à transição energética. A programação também inclui debates sobre mercado, crédito rural e soluções voltadas à eficiência produtiva.
O Mundo Agro conversou com Fernando Rodrigues, responsável pela criação do evento.

Mundo Agro: Quais são as perspectivas para a 4ª edição do Rural Summit?
Fernando Rodrigues: A quarta edição representa uma virada de chave para o Rural Summit. Estamos esperando mais de mil participantes. E, mais do que volume, o que muda é a profundidade. Queremos reunir, de fato, startups, produtores, investidores e lideranças do setor para discutir os temas que realmente vão mudar o futuro do agronegócio.
O Rural Summit nasceu como um espaço de conexão entre inovação e o agronegócio, e essa edição marca a consolidação do evento como esse grande elo entre as cadeias.
Mundo Agro: Piracicaba foi escolhida para essa nova fase do evento. Por quê?
Fernando Rodrigues: Piracicaba tem um valor muito estratégico e muito forte para o agronegócio brasileiro. Ela é o berço do AgTech Valley, sede de instituições como a ESALQ e o PECEGE.
Levar o Rural Summit para lá é reconhecer a força desse ecossistema e aproximar o evento de quem vivencia o agronegócio de forma prática, com empreendedorismo, capital e adoção de tecnologia, que converge de todo o país para essa cidade. E nós queremos fazer parte disso.
Mundo Agro: A programação deste ano será dividida em dois grandes blocos. Você pode detalhar como eles foram estruturados?
Fernando Rodrigues: Bom, a lógica foi bem simples. De manhã a gente traz o contexto e, à tarde, vamos para a ação.
De manhã, temos uma agenda macro, com economia, geopolítica, segurança alimentar, bioenergia e transição energética. A ideia é posicionar o agro dentro de discussões que vão muito além da porteira.
À tarde, entramos na prática: inteligência artificial, conectividade, casos reais de adoção de tecnologia e, principalmente, investimento. O objetivo é que o participante saia com uma visão estratégica e um repertório concreto para aplicar no dia a dia.
Mundo Agro: Como você avalia o papel do Brasil na transição energética?
Fernando Rodrigues: O Brasil possui uma posição estratégica e única. Poucos países no mundo têm a combinação que nós temos de base agrícola, capacidade industrial, conhecimento acumulado e disponibilidade de biomassa para liderar essa transição energética de forma competitiva.
E a gente não está chegando agora nesse debate. É importante citar o Proálcool, que há 50 anos trouxe o biocombustível para a nossa cadeia. Além disso, temos a mudança dos veículos para o modelo flex — hoje, aproximadamente 78% da frota tem essa flexibilidade de usar gasolina ou etanol.
Isso nos dá uma liderança única dentro dessa cadeia. E o mundo começa a perceber com mais clareza que a agricultura brasileira não participa apenas da segurança alimentar, mas também da segurança energética do planeta.
Mundo Agro: Qual é o papel de culturas como cana e milho na agenda de bioenergia?
Fernando Rodrigues: A cana e o milho mostram, na prática, como o agro gera muito mais do que alimento.
Nós já temos uma história com o Proálcool, e o milho chegou mais recentemente, em 2017, mas cresceu de forma impressionante. Nos últimos nove anos, saiu de praticamente zero para cerca de um quarto da produção nacional de etanol. Isso é muito relevante.
E o mais interessante não é só o volume de etanol produzido. Uma tonelada de milho processado gera etanol, proteína animal (DDG), óleo vegetal e energia elétrica — são quatro produtos a partir de uma única matéria-prima.
Isso enfraquece bastante o argumento de que o biocombustível compete com a produção de alimentos. Em muitos casos, acontece exatamente o contrário. Essa lógica de economia circular acelera o desenvolvimento e torna o sistema mais eficiente. E isso precisa ser mostrado ao mundo.
Mundo Agro: Nesta edição, teremos o Prêmio AgriMatching, que selecionará 45 startups. Como essa iniciativa contribui para o desenvolvimento do ecossistema?
Fernando Rodrigues: O Prêmio AgriMatching nasceu com um objetivo muito claro: resolver um problema crônico do ecossistema de inovação, que são as conexões.
Gerar conexão qualificada é muito difícil, principalmente entre quem está desenvolvendo tecnologia e quem tem capacidade de acelerar a adoção, o investimento e a escala desses negócios.
Ao selecionar startups em diferentes estágios — do pré-seed à série A —, conseguimos olhar para o ecossistema de forma mais completa e criar oportunidades reais de aproximação com investidores, corporações e tomadores de decisão.
No final do dia, o desenvolvimento do ecossistema depende menos de discurso e muito mais de conexões que geram negócios, validação e crescimento. E o AgriMatching foi desenhado exatamente para isso: fazer com que a tecnologia chegue, de fato, ao campo.
Para mais informações sobre a programação e inscrições, acesse: Rural Summit.
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