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Pirataria de sementes ameaça produtividade e sustentabilidade do agro brasileiro

Anderson Galvão, da Céleres, alerta para impactos econômicos, ambientais e legais do uso de sementes ilegais no país

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A pirataria de sementes de soja representa cerca de 11% da área plantada no Brasil, resultando em perdas econômicas significativas.
  • Sementes ilegais têm menor taxa de germinação e maior suscetibilidade a pragas, gerando perdas médias de 4 sacas por hectare.
  • A prática pode resultar em um custo ambiental alto, incentivando a expansão da fronteira agrícola e comprometendo a sustentabilidade do agronegócio brasileiro.
  • Produtores que usam sementes piratas enfrentam sanções severas e perda de benefícios fiscais, além de ter um impacto negativo na produtividade e no acesso a crédito e suporte técnico.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Sementes piratas causam prejuízo de bilhões ao agronegócio brasileiro Foto cedida: Céleres

O Mundo Agro reabre sua porteira para especialistas e representantes do setor publicarem artigos, e o engenheiro agrônomo Anderson Galvão, diretor da Céleres, aborda um tema preocupante: a pirataria de sementes de soja.

Anderson Galvão, engenheiro agrônomo, fundador e diretor da Céleres Foto cedida: Céleres

Combater a semente pirata é garantir a sustentabilidade da agricultura


“A pirataria de sementes de soja representa cerca de 11% da área plantada no Brasil, de acordo com levantamento da Céleres e da CropLife Brasil. A prática, embora reduza custos no curto prazo, impõe prejuízos econômicos, operacionais e institucionais ao produtor. Sementes piratas, ou ilegais, não possuem certificação ou registro e são vendidas no mercado informal. Elas apresentam menor taxa de germinação, vigor e maior suscetibilidade a pragas e doenças. O resultado são perdas médias de produtividade de 4 sacas por hectare. Para se ter uma ideia, cada ponto percentual de semente certificada adquirida pelo agricultor resulta em quase 100 mil sacas a mais, um faturamento adicional de R$ 40 milhões.

O Rio Grande do Sul tem o maior percentual do país, três vezes maior que a média nacional, uma prática que resulta em perdas anuais de R$ 1,1 bi ao Estado. Estima-se que o fim desse mercado poderia incrementar em R$ 6,6 bilhões a arrecadação pública do país em dez anos. Os impactos não se restringem à porteira. A indústria de sementes enfrenta ociosidade de até 40% devido à pirataria, que compromete o lançamento de novas variedades e biotecnologias, fundamentais para enfrentar novas pragas e as mudanças do clima.


Além das perdas econômicas, há um custo ambiental relevante. A redução da produtividade incentiva a expansão da fronteira agrícola, o que contraria os princípios de sustentabilidade e gera repercussão negativa da imagem do agronegócio brasileiro.

No campo jurídico, o produtor se expõe a sanções severas. As multas previstas são de até 250% do valor da carga apreendida, além de perda de benefícios fiscais. A aparente vantagem financeira da semente pirata é, na verdade, uma armadilha de curto prazo. Além de perdas produtivas, o agricultor perde acesso a crédito, seguro e ao suporte técnico dos produtores de sementes legais.


Superar essa realidade demanda mais que ações punitivas. É fundamental construir uma consciência coletiva no setor, onde o uso de sementes certificadas seja reconhecido como estratégia de gestão, produtividade e sustentabilidade da agricultura.”

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