Projeto mostra que é possível produzir mais cacau com floresta em pé
Com uso de nanotecnologia e manejo regenerativo, Biocabruca recupera roças antigas, amplia renda e fortalece a agricultura familiar

O sistema cabruca, que integra o cultivo do cacau à floresta nativa da Mata Atlântica, sempre foi reconhecido pelo seu valor ambiental, mas perdeu espaço ao longo dos anos por ser considerado pouco competitivo.
Agora, esse modelo tradicional ganha novo fôlego com o Projeto Biocabruca, que alia inovação tecnológica, agricultura regenerativa e inclusão social.
À frente da iniciativa, Marcelo Rodrigues, CEO da Krilltech, do grupo Casa Bugre, detalhou ao Mundo Agro como o uso de nanopartículas de carbono tem permitido recuperar lavouras antigas, elevar a produtividade sem abrir novas áreas e criar novas oportunidades econômicas para pequenos produtores do sul da Bahia, mantendo a biodiversidade e a floresta em pé.

Mundo Agro: O que motivou a Krilltech a criar o Projeto Biocabruca e qual é o impacto esperado para a cadeia produtiva de cacau?
Marcelo Rodrigues: O que motivou a gente foi justamente a vontade de regenerar o sistema cabruca produtivo. A gente tá falando de lavouras antigas, muitas vezes abandonadas ou com uma produtividade tão baixa que não se sustentam mais. Nosso objetivo foi mostrar que, com tecnologia certa, dá pra transformar essas áreas em sistemas rentáveis de novo, sem precisar derrubar árvore nenhuma. As tecnologias da Krilltech, principalmente os bioinsumos à base de nanopartículas de carbono, têm permitido alcançar níveis de produtividade que antes pareciam inviáveis nesse modelo. Isso torna o sistema cabruca competitivo e sustentável ao mesmo tempo. E tem outro ponto fundamental: tudo isso é feito dentro da Mata Atlântica, que é um dos biomas mais ameaçados que a gente tem hoje. Então o Biocabruca também é sobre conservar floresta em pé, proteger biodiversidade e ao mesmo tempo gerar renda. A gente conseguiu integrar ciência, inovação e tradição num projeto que tem impacto real na vida dos produtores e na cadeia do cacau como um todo.
Mundo Agro: Como o sistema cabruca, que mistura o cultivo de cacau com espécies nativas, contribui para a preservação ambiental e a biodiversidade?
Marcelo Rodrigues: O sistema cabruca, na prática, é uma estratégia real de sustentabilidade porque garante floresta em pé, reciclando carbono, protegendo o solo, contribuindo com o microclima e mantendo o equilíbrio ecológico local. Mas a floresta só vai ser valorizada de verdade quando ela estiver integrada a um sistema produtivo que gere renda. É aí que entra a importância do sistema cabruca como um modelo agroflorestal que consegue juntar biodiversidade conservada com produtividade. A grande maioria dos produtores de cacau na Bahia são agricultores familiares, pequenos produtores que historicamente foram impactados pela vassoura-de-bruxa e pelo modelo de produção de cacau a pleno sol, que tem maiores índices de produtividade. Isso fez com que a cabruca fosse sendo deixada de lado, por parecer menos competitiva. O que a gente está fazendo no Biocabruca é virar essa chave: mostrar que é possível sim tornar o sistema cabruca produtivo, rentável e atrativo de novo, com o uso de tecnologia. Aumentar a produtividade das lavouras dentro da floresta, sem precisar desmatar, é o nosso foco. E mais do que isso: a gente vê o sistema cabruca como uma plataforma mais ampla, onde é possível aproveitar também outros subprodutos do cacau, como a casca e a polpa, gerando novos produtos e agregando valor à cadeia como um todo, além do chocolate. Ou seja, é um modelo de produção regenerativo, que conserva, gera renda e abre novas possibilidades para os produtores.
Mundo Agro: De que maneira o uso de nanopartículas de carbono pode melhorar a eficiência fisiológica das lavouras de cacau?
Marcelo Rodrigues: As nanopartículas de carbono que a gente usa, conhecidas como nanodots ou Carbon Dots, são biodegradáveis, biocompatíveis e desenhadas para atuar em rotas fisiológicas específicas das plantas. Diferente de produtos que usam hormônios vegetais sintéticos, que hoje já são classificados como agrotóxicos, ou daqueles extratos genéricos feitos com misturas pouco controladas, a nossa abordagem é precisa. A gente desenha cada partícula para ativar sistemas específicos do metabolismo vegetal, como quem faz um ajuste fino no sistema endócrino de uma planta. Quando aplicadas, essas partículas conseguem modular rotas primárias, como fotossíntese, respiração, absorção de nutrientes, regulação hormonal e produção de energia. E isso é um ponto-chave: ao melhorar a eficiência desses processos, a planta passa a expressar seu real potencial genético. No caso do cacau, que é uma planta nativa de sombra, de origem amazônica, a floresta é o seu ambiente ideal. Quando ela está sob a copa da cabruca, sombreada e com microclima estável, e ainda recebe o estímulo certo no momento certo, o salto fisiológico é enorme. A gente tem exemplo de lavoura com mais de 70 anos, que produzia 10 arrobas por hectare, e que hoje, com o uso contínuo das nossas tecnologias, já chega perto de 80 arrobas, sem troca de material genético, sem abrir área nova, só ativando o que já está ali, adormecido. É uma nova forma de fazer agricultura, mais técnica, mais respeitosa com o ambiente e muito mais eficiente.
Mundo Agro: Quais são os principais benefícios para os pequenos produtores rurais que adotam a tecnologia do Projeto Biocabruca?
Marcelo Rodrigues: Os pequenos produtores que adotam a tecnologia do Biocabruca colhem benefícios que vão muito além do aumento de produtividade na lavoura. Claro, esse é um ponto central. A gente tem casos concretos de áreas que produziam 10 ou 15 arrobas por hectare e hoje chegam a 60, 70, até 80 arrobas, só com a aplicação correta das nanopartículas e o manejo adequado no sistema cabruca. Mas o projeto vai além da lavoura. Um dos pilares do Biocabruca é aproveitar o potencial completo do fruto do cacau. Normalmente, na produção de chocolate, só a amêndoa é usada e o resto acaba sendo descartado. No nosso caso, a gente está desenvolvendo uma frente de aproveitamento integral, que envolve o uso da polpa para produção de mel de cacau e bebidas fermentadas, e da casca para extração de açúcares complexos, fibras e até bioativos. Essa etapa mais avançada está sendo desenvolvida em parceria com o Cimatec, que atua no projeto com foco no uso de enzimas para extração de compostos de maior valor agregado a partir desses resíduos. Isso cria novas cadeias produtivas, gera novos produtos e amplia as oportunidades para os produtores. E o mais importante: tudo isso vem acompanhado de capacitação. A gente oferece treinamentos, apoio técnico, estrutura de laboratório e uso de equipamentos junto com as associações e cooperativas envolvidas. Ou seja, não é só aumentar a produção na roça, é criar oportunidade para os produtores participarem de etapas mais nobres da cadeia, transformação, beneficiamento, comercialização, e com isso gerar mais renda, mais autonomia e mais dignidade no campo. Tudo com uma tecnologia de aplicação simples, acessível, pensada justamente para o contexto da agricultura familiar.
Mundo Agro: Como o Biocabruca se alinha com as metas nacionais de neutralidade climática e o combate às mudanças climáticas?
Marcelo Rodrigues: O Biocabruca está diretamente alinhado com as metas brasileiras de neutralidade climática e combate às mudanças do clima. O sistema cabruca, por si só, já contribui significativamente como sumidouro de carbono, principalmente por manter grandes árvores da Mata Atlântica em pé e ativas no processo de sequestro de CO₂ atmosférico. Esse tipo de sistema agroflorestal ajuda a conservar os estoques de carbono no solo, reduz a temperatura do microclima e mantém a umidade, o que é essencial para a resiliência climática das lavouras. Quando somamos a isso o uso das nossas tecnologias à base de nanopartículas de carbono, conseguimos melhorar a eficiência fisiológica das plantas, o que se traduz também em um uso mais eficiente dos fertilizantes e de outros recursos. Isso contribui para uma pegada ambiental mais equilibrada, sem comprometer o desempenho produtivo. Além disso, o modelo do Biocabruca se encaixa numa lógica de agricultura regenerativa, que ao invés de degradar o ambiente, recupera áreas produtivas, ativa a biologia do solo e valoriza práticas tradicionais combinadas com inovação. Isso responde diretamente a compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris, como as metas de redução de emissões da NDC, está em sintonia com programas como o Plano ABC+ e também contribui para as diretrizes do Plano Nacional de Transição Ecológica, que reconhece a bioeconomia, os sistemas produtivos sustentáveis e a conservação da biodiversidade como pilares centrais para o desenvolvimento do país. Estimular o sistema cabruca através do Biocabruca é, portanto, também uma forma de impulsionar a transição para uma economia de baixo carbono, com inclusão social, floresta em pé e inovação aplicada no campo.
Mundo Agro: O projeto tem como foco a regeneração de roças antigas de cacau. Quais são os resultados observados até o momento em termos de aumento de produtividade?
Marcelo Rodrigues: O foco do Biocabruca sempre foi regenerar o que já existe. A gente trabalha com áreas antigas de cabruca, muitas com mais de 40, 50, até 70 anos de plantio, que estavam praticamente abandonadas ou produzindo muito pouco, na casa de 8 a 15 arrobas por hectare. Com a introdução das tecnologias baseadas em nanopartículas de carbono e o manejo ajustado ao ambiente de floresta, conseguimos resultados surpreendentes em termos de produtividade. Em algumas áreas onde já fizemos trabalhos prévios, em parceria com o SENAR e a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), conseguimos registrar produtividades até 50% mais altas com o uso contínuo das nossas soluções. Esses resultados práticos foram fundamentais para dar segurança técnica aos produtores e cooperativas que hoje participam do Biocabruca. Já temos áreas que chegaram a produzir 60, 70 e até 80 arrobas por hectare, com cacau comum, em sistema sombreado, sem troca de material genético e sem abrir nenhuma nova área. Isso mostra que o problema não está no modelo cabruca em si, mas sim na ausência de estímulo fisiológico adequado e no abandono dessas áreas ao longo do tempo. Quando a gente acerta os estímulos metabólicos, ativa rotas como fotossíntese, respiração, nutrição e regulação hormonal, a planta responde. O que estamos fazendo é provar, com dados reais de campo, que o sistema cabruca tem um enorme potencial adormecido, e que com ciência aplicada e manejo certo, ele pode voltar a ser economicamente viável para os pequenos produtores.
Mundo Agro: Quais desafios foram enfrentados para implementar o Projeto Biocabruca no sul da Bahia e como a Krilltech superou essas dificuldades?
Marcelo Rodrigues: Como o Biocabruca ainda está em fase de implementação nas áreas das associações parceiras, o maior desafio até agora tem sido conquistar a confiança dos produtores. O agricultor brasileiro, de forma geral, é naturalmente cauteloso com qualquer nova tecnologia, e com razão. A roça é o ganha-pão dele. Tudo que chega prometendo muito, sem comprovação, tende a ser recebido com desconfiança, ainda mais em um cenário onde muitos já foram bombardeados por produtos que prometem e não entregam. Essa resistência inicial foi um ponto importante que a gente precisou entender e respeitar. Por isso, nossa estratégia desde o começo tem sido de aproximação gradual, com testes em campo, ajustes técnicos e, principalmente, diálogo. As parcerias com o CNA e com o SENAR têm sido fundamentais nesse processo, porque nos ajudam a fazer essa ponte com os produtores, com respaldo institucional e suporte técnico. A gente só entra nas áreas depois de mostrar resultados concretos de outras experiências, com aplicação correta e dados reais de desempenho. Isso tem sido essencial para quebrar barreiras e abrir espaço para o projeto. Mas o Biocabruca também tem uma abordagem mais ampla. A gente está tentando entender o impacto da tecnologia além da produtividade. Com o apoio da nossa assistente social, Josiane, estamos colhendo relatos e percepções dos produtores para entender os efeitos intangíveis da regeneração produtiva. O que significa para uma família ver sua lavoura antiga, que parecia esquecida, voltar a produzir bem? Que tipo de orgulho isso desperta? Que mudanças isso gera no ambiente familiar? Como isso influencia a relação dos filhos com a terra? São questões que não aparecem nos relatórios técnicos, mas dizem muito sobre o sucesso real do projeto. Nosso olhar está voltado para o todo: técnica, economia, território e gente.
Mundo Agro: O Biocabruca está alinhado com as tendências globais de sustentabilidade. Como os produtos gerados por esse sistema agrícola são posicionados no mercado?
Marcelo Rodrigues: O Biocabruca nasce já conectado com as principais tendências globais de sustentabilidade e rastreabilidade no agronegócio. A proposta de regenerar áreas produtivas dentro da Mata Atlântica, com floresta em pé, tecnologia de ponta e inclusão de pequenos produtores, gera um diferencial de mercado muito forte. Produtos que vêm desse sistema carregam uma narrativa poderosa, que envolve conservação ambiental, agricultura de baixo carbono, respeito à biodiversidade e fortalecimento da agricultura familiar. Isso abre portas para nichos de mercado mais exigentes, tanto no Brasil quanto no exterior, que valorizam práticas sustentáveis e querem conhecer a origem do que consomem. Além disso, o Biocabruca permite que o produtor tenha acesso a certificações diferenciadas e a canais de comercialização mais valorizados, com potencial de comercializar não só o cacau in natura ou a amêndoa, mas também derivados como mel de cacau, polpa, bebidas fermentadas e outros subprodutos com valor agregado. O projeto já nasce com uma lógica de diversificação de produtos e acesso a cadeias curtas, circuitos premium e até exportação para marcas que buscam ingredientes com história, origem e impacto positivo. O consumidor final está cada vez mais atento a isso. Então, quando a gente junta um produto de qualidade, vindo de um sistema agroflorestal com rastreabilidade e regeneração, a gente entrega muito mais que uma mercadoria. Entrega um propósito, e isso é altamente valorizado no mercado atual.
Mundo Agro: Com o apoio da Finep, quais são os próximos passos para o Projeto Biocabruca? Há planos para expandir para outras regiões ou culturas agrícolas?
Marcelo Rodrigues: O apoio da Finep tem sido essencial para viabilizar o Biocabruca, não apenas como financiadora, mas como agente estratégico no fomento à bioeconomia e à inovação aplicada a sistemas produtivos complexos, como o da cabruca. O cacau, por ser uma cultura historicamente associada a pequenos produtores e sistemas agroflorestais, muitas vezes não se encaixa nas políticas tradicionais de financiamento agrícola voltadas para grandes culturas como soja, milho ou cana. Isso cria uma barreira real para a adoção de tecnologias por parte de agricultores familiares, que já enfrentam um cenário difícil, marcado por endividamento, baixa assistência técnica e anos de preços desvalorizados no mercado internacional. Agora, com o aumento recente no valor do cacau, surge a oportunidade concreta de recuperar as lavouras antigas como caminho mais rápido e sustentável para aumentar a produção. E é exatamente aí que o Biocabruca entra: oferecendo uma tecnologia acessível, já testada e adaptada ao contexto da cabruca, que permite ativar o potencial produtivo dessas áreas sem precisar abrir novas fronteiras agrícolas. A Finep, ao apoiar esse projeto, não está apenas financiando um experimento técnico. Está apostando num modelo de desenvolvimento regional que integra ciência, carbono, enzimas, regeneração produtiva e impacto social. Está mostrando que quando o financiamento público é direcionado a desafios reais do país, a ciência brasileira e as empresas inovadoras respondem com soluções concretas, escaláveis e com retorno para a sociedade. Os próximos passos do Biocabruca seguem totalmente focados no sul da Bahia, com a consolidação das áreas implementadas, validação dos resultados em diferentes realidades de produção e integração com outras culturas do sistema agroflorestal local, como açaí, café, banana e banana-da-terra. Ao longo do tempo, esse modelo pode ser ajustado, incluindo a introdução de novos clones mais produtivos dentro da lógica da cabruca, sem romper com o equilíbrio ambiental. É um caminho estruturado de transição regenerativa, e o papel da Finep nesse processo é absolutamente central.
Mundo Agro: Como as universidades e centros de pesquisa envolvidos no projeto contribuem para seu sucesso e replicabilidade em outras regiões?
Marcelo Rodrigues: As universidades e os centros de pesquisa têm um papel central dentro do Biocabruca, tanto no rigor científico quanto na aproximação entre conhecimento e realidade do campo. São eles que ajudam a validar os efeitos fisiológicos das tecnologias aplicadas, analisar os dados de produtividade e estruturar os indicadores técnicos e sociais que sustentam o projeto. Mas além disso, o que o Biocabruca mostra na prática é como a ciência pode sair da bancada e transformar a realidade das pessoas. Um dos diferenciais do projeto é justamente ter integrado pesquisadores e profissionais da própria região, como o Nikolas e a Josiane, que hoje atuam diretamente no acompanhamento técnico e social das áreas. São pessoas formadas localmente, que conhecem o território e os desafios da agricultura no sul da Bahia, e que agora aplicam ciência e inovação de forma prática, gerando impacto direto para as famílias agricultoras. Isso fortalece a economia regional, valoriza o capital humano local e mostra aos jovens da região que é possível sim fazer pesquisa aplicada de verdade, com retorno social. A presença da universidade ajuda a criar essa ponte entre o conhecimento e a vida real do produtor. Incentiva estudantes e extensionistas a entenderem que aquilo que estudam em sala de aula ou no laboratório pode ser transformado em soluções concretas para a agricultura local. Quando o jovem enxerga isso, ele se conecta com o território de outro jeito. Ele entende que inovação, quando é direcionada para problemas reais, pode mudar a vida das pessoas, inclusive a da própria família dele. É esse tipo de construção que o Biocabruca promove, ciência com propósito, tecnologia com aplicação e um modelo produtivo que une rigor técnico, inclusão social e impacto sustentável.
Mundo Agro: Você acredita que o modelo do Biocabruca pode ser adaptado para outras culturas além do cacau? Se sim, quais seriam as adaptações necessárias?
Marcelo Rodrigues: O Biocabruca faz parte de uma visão mais ampla que a Krilltech vem construindo: usar a ciência para adaptar as plantas à realidade em que elas estão inseridas, seja em floresta, no campo ou no sertão. A mesma tecnologia que hoje acelera a regeneração produtiva das roças de cacau na Mata Atlântica também está sendo usada em outros projetos, como o Nanorads, em parceria com a Shell Brasil e o INPA, que aplica os Carbon Dots para estimular o crescimento de espécies nativas da Amazônia e recuperar áreas degradadas da floresta. Em outra frente, voltada ao semiárido brasileiro, estamos trabalhando com o CNA no Projeto Forrageiras, com o objetivo de aumentar a produção de biomassa durante o período chuvoso e garantir mais alimento para o gado durante a seca. Isso fortalece a pecuária leiteira familiar em nove estados do Nordeste, com culturas como braquiária e palma forrageira. E essa lógica pode ser levada além: a gente acredita que é possível sim produzir comida no sertão, viabilizar cinturões verdes, especialmente nas áreas da transposição do Rio São Francisco, usando a tecnologia para melhorar a resiliência das plantas ao calor extremo e ao déficit hídrico. Essa mesma abordagem está presente no Desafio Al Miyah, uma iniciativa internacional liderada pelos Emirados Árabes Unidos, voltada para aumentar a produtividade agrícola em regiões desérticas. A Krilltech foi selecionada entre mais de 800 empresas do mundo, está entre as semifinalistas e segue concorrendo para avançar no programa. Tudo isso mostra que nossa tecnologia não é só sobre aumentar produtividade, mas sobre garantir comida onde ela mais faz falta. A gente está mexendo com algo essencial. Porque sem alimento, nenhuma sociedade se sustenta. E é isso que guia a missão da Krilltech: adaptar a ciência à vida real e transformar territórios através da agricultura.
✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp














