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Proteger a pele é tão importante quanto cuidar da lavoura

O câncer de pele é o mais comum no Brasil, segundo o INCA a exposição crônica e desprotegida aos raios solares é o principal fator de risco

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Dia Mundial da Saúde da Pele e o alerta sobre os riscos do sol Foto: Arquivo pessoal

Já faz um bom tempo que percorro a área rural e vejo produtores e trabalhadores usando roupas e chapéus com proteção. Mas nem sempre foi assim. Eles até tentavam se proteger do sol forte, mas o chapéu de palha e os panos usados para cobrir o rosto e o pescoço não ofereciam proteção real. E nem vou falar do filtro solar — esse, então, era quase inexistente.

Sempre amei o sol. Lembro que, aos 15, 19 anos, adorava ficar exposta. Achava que aquele bronzeado era sinônimo de saúde. Usar protetor solar era raro, mesmo com campanhas de conscientização e os alertas constantes dos meus pais.


Consultar dermatologistas sempre fez parte do meu calendário anual. Mas, naquela época, a preocupação era com outras questões: cabelo, pintas e outros cuidados dermatológicos.

Meu primeiro câncer de pele foi diagnosticado em 2018: um carcinoma basocelular, bem na testa — a clássica ferida que não cicatriza. Recebi um diagnóstico preciso, passei por cirurgia, levei cerca de oito pontos e iniciei o acompanhamento com a equipe do A.C. Camargo.


Desde então, passei a fazer check-ups a cada seis meses. Em 2023, surgiu outro sinal, desta vez em outra parte do rosto. Mais uma vez fui atendida com urgência por uma médica que acabou se tornando uma amiga: a Dra. Ingrid Ferraz. Além de atuar no A.C. Camargo, ela também tinha sua clínica e atendeu meu pedido prontamente.

O diagnóstico: um novo câncer, desta vez um carcinoma espinocelular. A Dra. Ingrid prescreveu uma pomada e orientou aplicá-la no rosto inteiro — com cuidado próximo aos olhos. Perguntei o motivo. Ela respondeu:— “Fabi, o espinocelular nem sempre aparece de forma visível. Onde a pomada provocar uma ferida, é sinal de que há câncer na região.”


A decisão foi mais do que certeira. Mas eu não fazia ideia do que estava por vir. Era julho no Brasil — e alta temporada no exterior. Estava prestes a viajar, em meio a uma onda de calor. E a recomendação médica era clara: nada de sol no rosto.

Segui todas as orientações. A partir do oitavo ou nono dia, os sinais começaram a aparecer. Meu rosto inteiro estava tomado por câncer. A pomada revelou o que os olhos não viam — e indicava que a situação era mais grave do que imaginávamos.


Qualquer vento, quente ou frio, machucava. Usar o hidratante específico era extremamente doloroso. Lavar o rosto, então... nem vou entrar em detalhes. Foram 30 dias até minha pele se renovar. Mas ela estava sensível demais.

Mesmo assim, era hora de voltar ao trabalho. Retornei usando chapéu com proteção e máscara.

Algumas pessoas me perguntaram, ao voltar da licença, se eu tinha feito um peeling. Respondi, emocionada:— “Não. Eu tive câncer no rosto inteiro. Use protetor solar. Use chapéu.”

E você? Quando foi a última vez que você esteve com um dermatologista? Foto: Arquivo pessoal

Hoje, julho, dois anos após o segundo câncer de pele, minha vida mudou completamente. Não me exponho mais ao sol. Uso, o tempo todo, chapéus e bonés com proteção UV, protetor solar em creme, em pó... e por aí vai.

Agora são 15h, e estou trancada em um quarto de hotel com ar-condicionado. Lá fora, o sol está escaldante. Mas eu não me arrisco.

Quando a jornalista Natália Trotte me procurou para falar sobre o Dia Mundial da Saúde da Pele, eu não pensei duas vezes. Precisava escrever sobre a importância de cuidar da pele.

E você? Usa protetor solar? Como se protege do sol? Já passou por uma consulta com um dermatologista?

Neste 8 de julho, é celebrado o Dia Mundial da Saúde da Pele — uma iniciativa conjunta da International League of Dermatological Societies (ILDS) e da International Society of Dermatology (ISD), que reforça a importância de cuidar do maior órgão do corpo humano.

Um estudo inédito, conduzido pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) em parceria com o Instituto Datafolha e com a Divisão de Beleza Dermatológica do Grupo L’Oréal no Brasil, revela um dado alarmante: 90 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais — ou seja, 54% da população — nunca passaram por uma consulta com um médico dermatologista.

“Esses dados mostram uma realidade preocupante: ainda falta à população a consciência de que a pele pode ser um sinal de alerta para diversas doenças, das mais simples às mais graves. Estar atento a qualquer mudança e procurar um dermatologista para check-up anual deve ser um hábito. Cuidar da pele vai muito além da estética, é uma questão de saúde”, afirmou o presidente da SBD, Dr. Carlos Barcaui.

Em breve, aqui no Mundo Agro, você confere uma entrevista com um representante da SBD sobre os riscos e a prevenção do câncer de pele no campo.

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