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ProWine São Paulo movimenta o mercado e posiciona o Brasil no mapa global do vinho

Maior feira de vinhos e destilados das Américas aposta em profissionalização, tendências e visibilidade internacional para o setor brasileiro

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A ProWine São Paulo 2025 busca consolidar o Brasil como um relevante produtor no mercado global de vinhos.
  • A feira deve movimentar R$ 500 milhões até o final de 2025, reunindo mais de 200 marcas nacionais e expositores de 36 países.
  • O evento promove a profissionalização do setor, destacando tendências como o aumento do consumo de vinhos brancos e opções de baixo teor alcoólico.
  • A ProWine é um importante espaço para visibilidade internacional e crescimento dos negócios, evidenciando a diversidade e a qualidade dos vinhos brasileiros.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Feira internacional destaca expansão e diversidade do vinho brasileiro Foto cedida: ProWine São Paulo

A edição 2025 da ProWine São Paulo, que acontece até esta sexta-feira, tem uma missão clara: consolidar o Brasil como um player estratégico no mercado global de vinhos e destilados.

Com estimativa de movimentar até meio bilhão de reais até o fim do próximo ano, a feira reúne mais de 200 marcas nacionais e expositores de 36 países.


São inúmeros destaques entre opções com baixo teor alcoólico e rótulos sustentáveis.

Em entrevista exclusiva, Malu Sevieri, diretora da feira, fala sobre o amadurecimento do consumidor brasileiro, o papel da ProWine na visibilidade internacional do vinho nacional e as grandes apostas para o futuro do setor.


Malu Sevieri, diretora da ProWine São Paulo Foto cedida: ProWine São Paulo

Mundo Agro: Qual expectativa de negócios para esta edição da ProWine?

Malu Sevieri: A feira deve movimentar em torno de R$ 250 milhões em negócios diretos durante os três dias, chegando a R$ 500 milhões até o fim de 2025. A ProWine São Paulo reforça o dinamismo do mercado de bebidas, que deve encerrar o ano movimentando R$ 19 bilhões apenas no segmento de vinhos. Durante o evento, expositores nacionais e internacionais apresentam as novidades e os rótulos que devem pautar as vendas e tendências do próximo ano. O impacto da feira é tão relevante que, em apenas três meses, pode responder por 5% de todo o faturamento anual do setor


Mundo Agro: De que forma a feira contribui para o fortalecimento da imagem do Brasil no mercado global de vinhos e destilados?

Malu Sevieri: A feira traz uma visibilidade enorme para o mercado nacional de vinhos. Este ano, temos um número recorde: mais de 200 produtores nacionais participando como expositores. Quando reunimos esse grupo junto com produtores de todo o mundo e compradores internacionais circulando, o Brasil se posiciona de forma muito mais relevante, especialmente em termos de volume. Muita gente ainda acredita que o Brasil tem apenas cinco ou seis produtores — aqueles que mais exportam — e nada além disso. Fora do país, o Brasil não é amplamente reconhecido como produtor de vinhos. E faz sentido: somos ainda um “bebê” perto de países que produzem há 800 ou 900 anos. Mas, quando essas pessoas vêm à feira, inclusive os próprios produtores estrangeiros, se surpreendem. Eles conversam entre si, caminham pelos estandes, participam das degustações e começam a colocar o Brasil no mapa como um país produtor de vinhos — e não apenas como um polo de espumantes com alguns poucos nomes. A feira é essencial nesse sentido. Não existe outro lugar no Brasil que reúna, em três dias, compradores e expositores de 36 países falando exclusivamente sobre vinhos e destilados. É um palco importantíssimo de visibilidade para os produtores nacionais e também de conexão. Vale destacar que muitos produtores brasileiros hoje já têm sua própria importadora, ou seja, vendem seus vinhos e também rótulos que trazem de outros países. Esse modelo também acontece lá fora: vários produtores estrangeiros têm um braço de importação e podem, inclusive, importar vinhos brasileiros. Por isso, a presença na feira é estratégica — ela não só dá visibilidade, mas também abre portas reais de negócios.


Mundo Agro: Que diferenciais tornam a ProWine São Paulo a maior feira profissional de vinhos e destilados das Américas e quantas marcas e países participarão?

Malu Sevieri: O primeiro diferencial é o serviço que a gente presta. A ProWine São Paulo não é um evento como tantos outros de vinho em que você entra, pega uma taça, fica bebendo e circulando. Aqui, a degustação é promovida da forma mais profissional possível. O visitante vai até o produtor, conversa, aprende sobre todo o processo de produção, faz a degustação ali e, depois, deixa a taça para seguir ao próximo. Criamos, assim, um ambiente de profissionalização muito sólido. Outro ponto essencial é o credenciamento dos visitantes. Não é qualquer pessoa que participa da feira. Eu até brinco com os meus amigos, dizendo que adoraria convidá-los para tomar uma taça de vinho e dar risada, mas esse não é o objetivo do evento. O propósito é reunir compradores e especificadores, para que os produtores possam apresentar seus vinhos e interagir diretamente com quem decide. Ao transformar o ambiente no mais profissional possível, geramos um grande diferencial. A ProWine São Paulo não é lugar de happy hour ou de festa — por mais que estejamos sempre muito felizes, especialmente na semana do evento, quando reencontramos tantas pessoas queridas. A feira é, antes de tudo, um ambiente profissional. Por isso, acredito que o grande diferencial do evento está tanto no serviço oferecido a expositores e visitantes quanto na seleção criteriosa de quem participa durante esses três dias.

Mundo Agro: Quais são as tendências de consumo de vinhos e destilados que devem pautar 2025?

Malu Sevieri: Nós sempre analisamos os ciclos do mercado. Quando falamos em tendências, estamos nos referindo ao futuro. A ProWine São Paulo 2025 começa agora, mas já estamos pensando nas movimentações que irão marcar este ciclo até a ProWine São Paulo 2026. Os dados de mercado, incluindo pesquisas contratadas, mostram um aumento expressivo no consumo de vinhos brancos no Brasil. O consumidor brasileiro tem comprado e consumido mais esse tipo de vinho. Isso não significa que os tintos tenham perdido espaço — o consumo cresceu de forma geral —, mas a maior expansão está no vinho branco. Outra tendência observada é a produção crescente de vinhos low ou no alcohol, ou seja, vinhos com baixo teor alcoólico ou sem álcool. Muitos produtores já ampliaram ou iniciaram a produção nessa categoria. O desafio, no entanto, é entender como o consumidor irá absorver esse movimento. Haverá demanda suficiente para acompanhar essa oferta? Isso será analisado ao longo do próximo ciclo. Também identificamos uma popularização gradual de categorias alternativas, como vinhos laranja, biodinâmicos e orgânicos. Trata-se de uma tendência impulsionada pela curiosidade do consumidor, que busca conhecimento e novas experiências fora do que é considerado tradicional. Resta acompanhar se esse interesse momentâneo irá se consolidar.

Mundo Agro: Como o público brasileiro tem evoluído em termos de paladar e preferência por vinhos?

Malu Sevieri: O fato é que o brasileiro está bebendo mais vinho. O país está entre os poucos no mundo que apresentam crescimento no consumo. Ainda temos um consumo per capita muito baixo em comparação com mercados maduros, o que representa um enorme potencial de expansão. De modo geral, o comportamento do consumidor brasileiro reflete essas mudanças: maior adesão ao vinho branco, interesse em vinhos de baixo teor alcoólico ou sem álcool e curiosidade por categorias como laranja, biodinâmico e orgânico. O que se observa é que o consumidor brasileiro está, cada vez mais, aberto a experimentar.

Mundo Agro: O que explica o Brasil movimentar em torno de 19 bilhões neste ano? Quais fatores explicam esse crescimento?

Malu Sevieri: O consumidor brasileiro está comprando de forma mais qualificada. As análises mostram que ele tem priorizado vinhos de médio a alto valor, deixando de lado os rótulos de entrada. Essa categoria de entrada permanece estagnada, enquanto as demais apresentam crescimento. Esse movimento reflete, em grande parte, o aumento de conhecimento e educação do consumidor, que passa a experimentar e valorizar produtos diferentes. O mercado deve continuar crescendo em termos financeiros por diversos fatores. Um dos principais é o aumento do investimento na produção. Muito se comenta que o Brasil “agora tem muitas vinícolas” ou que “as vinícolas estão melhores”. Isso não é apenas resultado do tempo, mas sobretudo de maiores investimentos em tecnologia, processos e qualidade. Hoje, os produtores e vinícolas investem muito mais do que há dez anos, e esse movimento naturalmente gera resultados superiores. Esse ciclo de investimentos fortalece o setor, diversifica a oferta e impulsiona a percepção de qualidade. Por isso, considero o mercado brasileiro extremamente dinâmico e com grande potencial de evolução.

Mundo Agro: Como está a participação das vinícolas nacionais nesta edição da ProWine?

Malu Sevieri: Para esta edição, houve um aumento de 15% no número de empresas brasileiras participantes. São aproximadamente 200 marcas.

Mundo Agro: Quais regiões do Brasil vêm ganhando mais reconhecimento internacional na produção de vinhos?

Malu Sevieri: Entre as regiões que estão ganhando projeção internacional aqui no Brasil estão Portugal, que todos os anos vem crescendo, o que é um fenômeno. Eles fazem um trabalho o ano inteiro de promoção de marca e seguem em expansão. A Argentina volta a crescer agora; os vinhos que estavam vindo de descaminho estão chegando de forma legalizada. Grécia é um país que tem crescido no Brasil de relevância e de quantidade de produtores, o que é bem interessante também. Com o aumento do consumo de Champagne, temos mais produtores da França. A ProWine São Paulo tem uma grande participação do Rio Grande do Sul, e ao todo são 11 estados brasileiros hoje expondo na feira (BA, DF, ES, GO, MG, PE, PR, RJ, RS, SC, SP). O país estará representado por vinícolas de diferentes regiões e entidades que evidenciam a diversidade e a riqueza do setor. Entre elas estão a Região dos Vinhos dos Altos Montes, Vinhos Gaúchos, Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale), Vinhos de Altitude de Santa Catarina, Vinhos do Vale do São Francisco, o Sindicato da Indústria do Vinho de Minas Gerais (SindVinho MG) e a Associação Nacional de Produtores de Vinhos de Inverno (Anprovin). Essa presença reforça a pluralidade do vinho brasileiro, que se destaca pela variedade de terroirs e estilos.

Mundo Agro: Quais novidades tecnológicas ou de sustentabilidade estão sendo apresentadas nesta edição?

Malu Sevieri: Além dos produtores, a feira também conta com a presença de empresas de inteligência de mercado e plataformas de tecnologia, por exemplo, com soluções que ajudam as marcas a compreender melhor o comportamento do consumidor, otimizar processos e tomar decisões estratégicas com base em dados. É uma forma de mostrar que inovação e sustentabilidade andam lado a lado no setor, trazendo ferramentas que contribuem não apenas para ampliar os negócios, mas também para torná-los mais eficientes e conscientes.

Mundo Agro: O vinho para você em uma palavra é?

Malu Sevieri: Possibilidades (de conhecer novas culturas, de fazer negócios, viajar...)

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