Ribeirão Preto se prepara para receber a Agrishow 2026
Expectativa é reunir cerca de 197 mil visitantes na maior feira de tecnologia agrícola da América Latina
Todos os anos, durante alguns dias, Ribeirão Preto se transforma em uma vitrine global do agronegócio. A cidade recebe a Agrishow, maior feira de tecnologia agrícola da América Latina, que reúne empresas, produtores e especialistas de diferentes países para apresentar inovações voltadas ao campo.
Em 2026, o evento acontece entre 27 de abril e 1º de maio e deve reunir cerca de 197 mil visitantes e mais de 800 marcas expositoras.
Em entrevista exclusiva ao Mundo Agro, Liliane Bortoluci, da Informa Markets, falou sobre os preparativos para a feira este ano e seu impacto econômico, social e ambiental.

Mundo Agro: A Agrishow é considerada a maior feira de tecnologia agrícola da América Latina. É referência no setor. Como esse evento se traduz em impacto econômico concreto para Ribeirão Preto e região?
Liliane Bortoluci: A Agrishow fica muito feliz de poder contribuir com a economia de Ribeirão Preto e dos municípios vizinhos. Durante o período do evento, a região recebe visitantes de todas as partes do Brasil e de mais de 50 países, o que gera uma movimentação importante em diferentes setores da economia. Além de impulsionar negócios no agronegócio, a feira contribui para a atividade econômica regional ao estimular o empreendedorismo e ampliar a demanda por hospedagem, alimentação, transporte e diversos outros serviços.
Mundo Agro: A estimativa de movimentação entre R$ 300 milhões e R$ 500 milhões envolve quais setores da economia local?
Liliane Bortoluci: Essa movimentação está ligada principalmente a setores como a rede hoteleira, bares, restaurantes, transporte, comércio e serviços de modo geral, que registram aumento de atividade por conta da presença de visitantes, expositores e equipes que trabalham no evento. Esse fluxo também beneficia prestadores de serviços e pequenos empreendedores da região, como os operadores de food trucks que participam das praças de alimentação da feira, e que encontram nesse período uma oportunidade de ampliar sua renda.
Mundo Agro: Como a feira contribui para a geração de empregos temporários e oportunidades de renda durante o evento?
Liliane Bortoluci: A realização da Agrishow mobiliza um grande número de profissionais em diferentes frentes de trabalho. Em 2025, mais de 7 mil trabalhadores se credenciaram para atuar em atividades ligadas diretamente ao evento, desde a montagem e a realização até a desmontagem, atendendo tanto os expositores quanto a organização da feira. Além desses postos diretos, há também diversas oportunidades indiretas geradas em hotéis, restaurantes, transporte e comércio da região e, muitas delas, já surgem bem antes do primeiro dia de Agrishow.
Mundo Agro: Nos últimos anos, a Agrishow tem reforçado sua agenda de ESG. Quais iniciativas mais se destacam nesse sentido?
Liliane Bortoluci: A feira desenvolve diversas iniciativas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Entre elas estão as ações de gestão de resíduos e reciclagem, destinando até a madeira utilizada nas estruturas dos estandes para geração de energia e projetos de paisagismo, a doação de marmitas para instituições beneficentes, o uso de energia solar em algumas áreas do evento, o Agrishow Labs, que abre espaço e valoriza a inovação promovida por pequenas empresas, e o Agrishow Pra Elas, que estimula uma participação e um protagonismo cada vez maior das mulheres no agro nacional. Também abrimos espaço aos microempreendedores nas praças de alimentação, e projetos voltados à inclusão, como a contratação de profissionais 60+.
Mundo Agro: Qual é o impacto das ações de reciclagem realizadas com a Cooperagir para os trabalhadores da cooperativa?
Liliane Bortoluci: A parceria com a Cooperagir contribui para dar a destinação adequada de mais de 50 toneladas de resíduos recicláveis gerados durante a feira e, ao mesmo tempo, gera impacto positivo para os cooperados. Esse trabalho fortalece a cadeia da reciclagem na região e o volume contribui para ampliar as oportunidades de renda para os trabalhadores da cooperativa, além de reforçar o compromisso da feira com práticas ambientais responsáveis.
Mundo Agro: Com quase 200 mil visitantes, quais são os principais desafios de segurança e logística do evento?
Liliane Bortoluci: Um evento desse porte exige planejamento detalhado, especialmente em relação à mobilidade, organização dos acessos e segurança do público. Trabalhamos com um esquema operacional amplo que envolve um trabalho integrado de inteligência, com recursos tecnológicos de monitoramento, além de equipes de apoio e parcerias com autoridades de trânsito e de segurança. Nos últimos anos, também foram implementadas melhorias no acesso e na mobilidade no entorno da feira, o que contribuiu para reduzir congestionamentos e tornar a circulação mais organizada.
Mundo Agro: Como a organização garante condições seguras de trabalho durante a montagem e desmontagem da feira?
Liliane Bortoluci: Todas as atividades de montagem e desmontagem seguem as normas regulamentadoras determinadas pelos órgãos oficiais. A organização exige que expositores e fornecedores cumpram essas regras e realiza processos de controle e acompanhamento documental. Também há fiscalização ao longo de todo o período de preparação e desmontagem da feira para garantir que os procedimentos sejam adotados corretamente.
Mundo Agro: Que tipo de estrutura de emergência e monitoramento é disponibilizada aos participantes?
Liliane Bortoluci: A Agrishow conta com uma estrutura de apoio preparada para atender o público durante o evento. Isso inclui equipes de segurança, brigadistas, atendimento médico e monitoramento das áreas de circulação, além de UTI móvel. O planejamento também envolve integração com serviços públicos da região para garantir respostas rápidas caso seja necessário qualquer tipo de atendimento emergencial.
Mundo Agro: Qual é o papel do projeto Agrishow Pra Elas na promoção da participação feminina no agronegócio?
Liliane Bortoluci: O Agrishow Pra Elas foi criado para estimular e dar visibilidade à participação feminina no agronegócio. Segundo dados do IBGE, as mulheres já são responsáveis por mais de 30 milhões de hectares de propriedades rurais no Brasil. O projeto busca destacar esse protagonismo e incentivar a presença feminina em diferentes áreas do setor, desde a gestão das propriedades até a pesquisa, a inovação e o desenvolvimento de novas tecnologias.
Mundo Agro: Por que a feira optou por incluir profissionais com mais de 60 anos em algumas funções operacionais?
Liliane Bortoluci: Essa iniciativa faz parte das ações sociais da feira e busca ampliar oportunidades de trabalho para profissionais com mais experiência. Muitos desses trabalhadores têm grande capacidade de atendimento e organização, o que contribui para o funcionamento do evento. Ao mesmo tempo, essa inclusão cria oportunidades de renda para um público que muitas vezes encontra mais dificuldade de inserção no mercado de trabalho.
Mundo Agro: Como a Agrishow contribui com instituições sociais da região, como a Casa das Mangueiras e o Grupo de Apoio à Criança com Câncer de Ribeirão Preto?
Liliane Bortoluci: A Agrishow mantém parcerias já há alguns anos com instituições da região que desenvolvem trabalhos sociais importantes, como a Casa das Mangueiras e o Grupo de Apoio à Criança com Câncer de Ribeirão Preto. Com a Casa das Mangueiras, apoiamos iniciativas como cursos já desenvolvidos no passado, incluindo um recente sobre impressão 3D, e também eventos para arrecadação de fundos, como feijoada que eles promovem. Já com o GACC, atuamos com a destinação das notas fiscais da praça de alimentação em que os clientes não pedem a inclusão do CPF, para que a instituição possa ter acesso ao benefício fiscal referente.
Mundo Agro: Qual é a importância da parceria com o Hemocentro de Ribeirão Preto para estimular a doação de sangue durante o evento?
Liliane Bortoluci: A parceria com o Hemocentro de Ribeirão Preto busca incentivar a doação de sangue entre visitantes, expositores e público em geral através das nossas mídias. Como o evento possui uma grande audiência digital, buscamos ampliar a conscientização sobre a importância da doação e apoiar o trabalho realizado pela instituição.
Mundo Agro: Como a Agrishow pretende ampliar seu impacto social e ambiental nas próximas edições?
Liliane Bortoluci: A organização trabalha continuamente para fortalecer as iniciativas voltadas à sustentabilidade e ao impacto social. Através da Informa Markets, organizadora do evento, a feira está submetida a um programa de acompanhamento das iniciativas ESG chamado Fundamentals, em que anualmente é detalhada cada uma das ações dentro de 16 itens, que são avaliados tanto pelas equipes locais quanto globais da empresa. Isso inclui aprimorar os programas de gestão de resíduos, ampliar parcerias com cooperativas e instituições da região e desenvolver novas ações de inclusão e responsabilidade social dentro do evento, dentre outras.
Mundo Agro: Quais são as expectativas de público e negócios para a próxima edição?
Liliane Bortoluci: Em 2026, a Agrishow realiza sua 31ª edição e a expectativa é receber cerca de 197 mil visitantes, vindos de todo o Brasil e também de mais de 50 países. A feira também contará com mais de 800 marcas expositoras, que apresentarão soluções e tecnologias voltadas ao agronegócio.
Mundo Agro: Agrishow para você em uma palavra é?
Liliane Bortoluci: Inovação.
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