Uma viagem pelos vinhos de guarda do Brasil
Com rótulos de até cinco décadas, degustação evidencia maturidade e diversidade da produção nacional

Degustar rótulos raros de vinhos brasileiros, de diferentes regiões, castas e safras, é uma experiência que revela não apenas a diversidade do país, mas também a evolução técnica da vitivinicultura nacional.
Essa foi a proposta do Brasil de Guarda, evento realizado pelo Grupo Baco Multimídia em parceria com a Wine South America, que reuniu especialistas para uma imersão em vinhos de guarda produzidos no Brasil.
Ao todo foram 13 vinhos entre exemplares jovens e rótulos com até cinco décadas de envelhecimento, comprovando o potencial de guarda e a qualidade alcançada por produtores nacionais.

O encontro contou com a participação de profissionais do setor e convidados, promovendo debates sobre características técnicas, identidade dos vinhos e o amadurecimento do mercado brasileiro.
O Mundo Agro acompanhou a experiência ao lado de Sergio Queiroz, sócio-diretor do Grupo Baco, em uma jornada marcada por análises técnicas, harmonizações cuidadosas e um ambiente descontraído no Restaurante Josephine, em São Paulo.
Além da degustação, a conversa avançou para os desafios do setor vitivinícola e as perspectivas para os próximos anos. Nesse contexto, a Wine South America 2026 reforça seu papel estratégico como uma das principais plataformas de negócios do vinho nas Américas.
A feira acontece de 12 a 14 de maio, em Bento Gonçalves (RS), e projeta crescimento tanto no número de expositores nacionais quanto internacionais, além da presença de novos países produtores.
Realizada em um momento de forte expansão do mercado brasileiro, a edição de 2026 destacará tendências como vinhos sem álcool, o protagonismo dos espumantes brasileiros e o fortalecimento do enoturismo.
Depois da degustação e da aula proporcionada por especialistas do setor, conversei com Sérgio Queiroz. Confira o bate-papo e acompanhe o blog para a cobertura da feira e novas descobertas do universo do vinho.

Mundo Agro: O que representam esses 13 vinhos que degustamos hoje?
Sergio Queiroz: A certeza de que o Brasil trilha o caminho certo. De que trabalhar o vinho de guarda é um caminho. Obviamente, não para todo e qualquer vinho, mas, em especial, para esses produtores que tiveram o zelo, o cuidado e a aposta em guardar seus vinhos. E estamos tomando hoje vinhos espetaculares.
Mundo Agro: Como você avalia o conjunto dos vinhos que degustamos?
Sergio Queiroz: Foi um espetáculo de vinhos. Eu não tiro nenhum desses 13 vinhos como algo razoável. Foram todos vinhos muito bons.
Mundo Agro: O que significa provar vinhos tão antigos no Brasil?
Sergio Queiroz: Chegar a tomar um vinho de 1973 com essa qualidade, com essa entrega, um vinho vivo, com todas as propriedades dele, é um espetáculo.
Mundo Agro: E os vinhos de castas menos conhecidas?
Sergio Queiroz: Um vinho, uma casta que não é tão conhecida no Brasil, vir se apresentar com essa idade e com essa qualidade é surpreendente.
Mundo Agro: Entre os 13 vinhos, foi possível escolher um?
Sergio Queiroz: É difícil. Quando você comenta de um vinho que já vai para 50 anos, 40 anos, 30 anos, você já está tratando de uma coisa diferenciada, única. Eu adorei todos eles.
Mundo Agro: Algum rótulo específico ficou marcado?
Sergio Queiroz: Eu fico encantado com o Chardonnay da Cordilheira de Sant’ana. Um vinho branco, de 20 anos, que está espetacular. Falar do Cave Geisse 98 é brincadeira, é um néctar dos deuses.
Mundo Agro: O que diferencia esses vinhos mais maduros dos estilos mais jovens?
Sergio Queiroz: A gente está tomando vinho com essa idade, que tem entrega de um vinho maduro, denso. Não é aquele vinho com o frescor dos nossos vinhos mais jovens, que têm todo o seu valor, mas é outra coisa.
Mundo Agro: Quais são hoje os maiores desafios do vinho brasileiro?
Sergio Queiroz: O desafio é botar o vinho para ser experimentado, para ser provado. É conceito. É marketing. É apostar no taco.
Mundo Agro: Como combater o preconceito contra o vinho nacional?
Sergio Queiroz: É perder um pouco da síndrome de vira-lata e entender, reconhecer que a gente tem feito coisa de qualidade.
Mundo Agro: O mercado brasileiro vive um bom momento?
Sergio Queiroz: O Brasil está em festa. Enquanto você vê os mercados caírem em produção e em consumo, o Brasil cresce.
Mundo Agro: E o impacto das safras recentes?
Sergio Queiroz: A safra de 2018 foi um espetáculo. 2020 e 2021 também. E este ano tem uma safra muito boa, pelo que aparenta.
Mundo Agro: O que esperar para os próximos anos?
Sergio Queiroz: Vejo cada vez mais o brasileiro atento ao mercado do vinho, interessado. Cresce o número de cursos, de eventos, de ações promocionais.
Mundo Agro: Qual o papel do vinho para o desenvolvimento regional?
Sergio Queiroz: O vinho mantém famílias no campo. Você planta a uva e industrializa. Vende em forma de vinho engarrafado. Isso é uma pequena indústria que gera movimento para a região.
Mundo Agro: Para finalizar: vinho, em uma palavra?
Sergio Queiroz: Belo prazer.
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