Venezuela: a expectativa da reunião da ONU e o peso meramente simbólico das críticas internacionais
Especialista ouvida pelo R7 Planalto pontua que, apesar de notas duras, pouca coisa é possível mudar com posicionamentos
A semana começa com a expectativa da reunião da ONU (Organização das Nações Unidas) para tratar da situação da Venezuela, depois de dias marcados por encontros emergenciais na América Latina e no Caribe e por notas condenando a ação de Donald Trump. Na madrugada do último sábado (3), por determinação dele, tropas norte-americanas invadiram o país sul-americano e prenderam o presidente Nicolás Maduro.
Apesar das reuniões, na avaliação de Denilde Holzhacker, especialista em ciência política e relações internacionais, pouco poderá ser feito. A pedido do R7 Planalto, ela comentou a nota conjunta construída pelos governos de Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e da Espanha, e veiculada no domingo.
“A nota é dura, mas dentro do padrão do que se esperaria. Reforçando a necessidade de uma transição no país e alegando a questão de a medida ser uma ação unilateral norte-americana. Não foi nenhuma nota fora do padrão. O que é importante é que ela mostra uma construção de coalizão dos países para ter uma capacidade de ação [fortalecida]”, explica.
A especialista avalia que o posicionamento conjunto é o primeiro passo para a reunião da ONU nesta segunda-feira.
“Por mais que as ações dos Estados Unidos vão gerar esse tipo de posicionamento [de crítica], dificilmente os norte-americanos vão aceitar qualquer ingerência ou resolução de condenação no Conselho de Segurança da ONU. Todas as ações serão, provavelmente, discutidas na Assembleia, como vimos em todos os casos de violação de direitos internacionais nos últimos dez anos”, pontua.
Denilde destaca, contudo, que o documento não aborda a transição do governo venezuelano após a prisão de Nicolás Maduro. “A nota reforça que é preciso um caminho pacífico, estabelecimentos de processos democráticos, mas não fala sobre a questão da transição [de governo]”, ressalta.
O próprio Donald Trump, em declaração à imprensa, disse que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, pode pagar um preço maior do que o de Nicolás Maduro “se ela não fizer o que é certo”.
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Pressão internacional
Para a especialista, apesar da tentativa de ação conjunta, há pouca capacidade de a comunidade internacional mudar o cenário. Nesse primeiro momento, os resultados são mais de pressão sobre os EUA.
Denilde também comenta sobre a Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), que teve uma reunião emergencial na tarde de domingo (4) para abordar a situação dos países latinos. O encontro, no entanto, terminou sem uma nota conjunta, pela falta de consenso entre os países e devido à presença de alguns presidentes que apoiam a ação de Trump, como o argentino Javier Milei.
“A Celac não tem nenhum papel de ingerência. O peso dela é mais simbólico. Quem poderia ter algum tipo de ação mais dura contra os Estados Unidos é a OEA (Organização dos Estados Americanos), mas ela não foi convocada. E isso esbarra no Conselho de Segurança da ONU. Os Estados Unidos vão barrar qualquer ação multilateral dos organismos internacionais que tenham algum papel de condenação ou de posicionamento articulado por essas organizações”, acredita.
Para a especialista, todas as medidas serão mais simbólicas do que resolutivas. Ela acrescenta, contudo, que o cenário abre um precedente “bastante perigoso” para a América Latina “voltar a sofrer intervenções americanas, como já tivemos em vários momentos anteriores”.
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