Vereador quer impeachment de João Campos por polêmica em nomeação de concurso
Prefeito de Recife nomeou um filho de uma procuradora como PcD, mesmo ele tendo apresentado os laudos anos depois do certame
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Um vereador filiado ao Novo protocolou um pedido de impeachment contra o prefeito de Recife, João Campos (PSB), após o chefe do Executivo local nomear um candidato aprovado em concurso público para o cargo de procurador do município.
O caso gerou repercussão nacional porque o candidato, Lucas Vieira Silva, assumiria vaga destinada a pessoa com deficiência, mesmo tendo apresentado laudo anos depois da realização do certame. Lucas é filho do juiz Rildo Vieira da Silva e de Maria Nilda Silva, procuradora do Ministério Público de Contas, vinculado ao Tribunal de Contas de Pernambuco.
O pedido de requalificação de Lucas, para concorrer como PcD, foi negado por três procuradoras concursadas do município em decisões técnicas. Mesmo assim, o nome dele foi encaminhado ao procurador-geral do município, Pedro Pontes, cargo comissionado indicado pelo prefeito, que reverteu as decisões e permitiu a nomeação de Lucas à vaga.
Após os questionamentos, João Campos anulou a nomeação. Apesar disso, para o vereador Eduardo Moura (Novo), o ato configura infrações legais graves.
“Houve uma clara ‘furada de fila’ em um concurso público, com o aval do chefe do Executivo, o que caracteriza crime de responsabilidade e infração político-administrativa”, defende.
“Quando o prefeito descumpre o edital, ele pratica um ato contra a expressa disposição legal”, defende Moura. O vereador do Novo destaca que o prefeito infringiu dispositivos da Lei Orgânica do Município, da Lei de Improbidade Administrativa, do Decreto de Lei 201, e do Código Penal.
“Os atos atentam contra a probidade administrativa e contra o cumprimento das leis, o que configura crime de responsabilidade”, justificou.
Moura também questionou o momento da nomeação, destacando que a vaga deveria ter sido preenchida pelo candidato PcD realmente classificado desde outubro de 2025, mas permaneceu aberta até dezembro, quando Lucas foi nomeado.
O parlamentar alerta para suspeita de possível favorecimento, pois Lucas é filho de uma procuradora e de um juiz que atua na vara de crimes contra a administração pública de Recife.
Em novembro de 2025, por exemplo, o casal anulou os atos da operação “Barriga de Aluguel”, que investigava a gestão João Campos por possível desvio de verbas no valor de R$ 500 milhões.
Para o pedido de impeachment ser admitido pela Câmara Municipal do Recife é preciso que ele seja assinado por dois terços dos vereadores. Caso seja admitida a acusação contra o prefeito, ele será submetido a julgamento pelos crimes comuns e de responsabilidade junto ao Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco.
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