Estúdio News analisa o crescimento do consumo de medicamentos no combate à obesidade
O programa vai ao ar neste sábado (21), às 22h15
Estúdio News|Do R7

Medicamentos desenvolvidos originalmente para o tratamento do diabetes passaram a ocupar lugar de destaque também no combate à obesidade, impulsionando um forte crescimento no consumo dessas substâncias no Brasil. Este tema ganha espaço no Estúdio News deste sábado (21), a partir das 22h15, na RECORD NEWS.
Fármacos como a semaglutida e a tirzepatida, comercializados em canetas injetáveis, tornaram-se populares nos últimos anos devido à sua eficácia na perda de peso.
De acordo com dados do Conselho Federal de Farmácia (CFF), o uso desses medicamentos registrou um aumento de 88% no último ano, refletindo a crescente procura por tratamentos farmacológicos para emagrecimento. Somente em 2024, a importação de produtos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro atingiu aproximadamente R$ 9 bilhões.
Segundo especialistas, esses medicamentos atuam como análogos de um hormônio naturalmente produzido pelo organismo, desempenhando múltiplas funções.
Andressa Heimbecher, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo - SBEM-SP, ressalta que a obesidade está diretamente ligada ao desenvolvimento do diabetes tipo 2, o que explica por que essas medicações surgiram primeiro com aprovação para a doença metabólica.
Do ponto de vista digestivo, os medicamentos atuam retardando o esvaziamento gástrico e prolongando a sensação de saciedade. “Alimentos que normalmente permaneceriam cerca de quatro horas no estômago podem levar até oito horas para serem digeridos”, explica a especialista. Além disso, há impacto direto no cérebro, com redução do apetite e da compulsão alimentar, o que leva a uma ingestão menor de alimentos e, consequentemente, à perda de peso.
Os estudos clínicos mostram resultados expressivos, mas os resultados variam de pessoa para pessoa. “Existe uma curva de resposta individual. Alguns pacientes perdem mais peso, outros menos, por isso, o acompanhamento médico é fundamental”, afirma a endocrinologista.
Além da redução do peso, os medicamentos também contribuem para diminuir o risco de doenças associadas à obesidade, como esteatose hepática (gordura no fígado), doenças cardiovasculares e até alguns tipos de câncer. O médico Wagner Marcondes, cirurgião do aparelho digestivo e gastroenterologista do Hospital Moriah, explica que o excesso de peso coloca o organismo em um estado inflamatório crônico. “Esse estado inflamatório aumenta o risco de infarto, AVC e outras doenças. Quando o peso é reduzido, esses riscos também diminuem”, afirma.
No dia a dia dos consultórios, médicos relatam um número cada vez maior de pacientes que demonstram medo intenso de interromper o uso das medicações e voltar a ganhar peso.
O gastroenterologista diz que o tratamento da obesidade deve ser encarado como um processo crônico e multidisciplinar, que vai muito além da prescrição de medicamentos. “O manejo precisa envolver endocrinologista, nutricionista, psicoterapeuta e, em alguns casos, psiquiatra. Tratar apenas com remédio não resolve a raiz do problema”, afirma.
Apesar de reconhecerem a eficácia das canetas no combate à obesidade, os médicos reforçam que o uso deve ser sempre acompanhado e ajustado de forma gradual. “Não se trata de fidelizar o paciente ao consultório, mas de fazer um manejo responsável, com ajustes de dose, possibilidade de desmame e mudança de hábitos”, afirma Wagner.
O Estúdio News vai ao ar aos sábados, às 22h15. A RECORD NEWS é sintonizada pelos canais de TV fechada 586 Vivo TV, 14 Oi TV, 578 Claro, 419 Sky e 2038 Samsung TV Plus, além do canal 42.1 em São Paulo e demais canais da TV aberta em todo o Brasil.














