Rio de Janeiro Auditoria aponta que Paes gastou o dobro em obras do Porto do Rio

Auditoria aponta que Paes gastou o dobro em obras do Porto do Rio

Auditores constataram 14 alterações no projeto inicial que praticamente dobraram o valor pago às empreiteiras na construção do Porto Maravilha

Região portuária do Rio de Janeiro

Região portuária do Rio de Janeiro

Bruno Bartholini/CDurp

Uma auditoria em obras feitas durante a gestão do prefeito Eduardo Paes no Rio de Janeiro mostra que elas poderiam ter ficado pela metade do preço.

As responsáveis pela construção são empreiteiras denunciadas por corrupção na Operação Lava Jato e doadoras de campanha do ex-prefeito. 

O custo das obras do boulevard que revitalizou a região portuária do Rio está sob suspeita.

O Porto Maravilha, como é conhecido, foi remodelado durante a gestão do ex-prefeito Eduardo Paes.

O projeto foi uma parceria público-privada para transformar uma área degradada numa atração para os eventos que o Rio iria receber: a Copa do Mundo (2014) e os Jogos Olímpicos (2016).

Entre as intervenções urbanas propostas estavam a construção de túneis, o Museu do Amanhã e a demolição do viaduto da Perimetral.

As três empreiteiras associadas no projeto foram alvo da Lava-Jato e acusadas de corromper políticos.

Executivos da Odebrecht e da OAS já admitiram aos procuradores da república que contribuíram, por meio de caixa dois, para as campanhas de Eduardo Paes à prefeitura do Rio.

Mas há três anos o consórcio acionou o município, reclamando de um desequilíbrio econômico financeiro no contrato e cobrando uma dívida de mais de R$ 700 milhões.

Um relatório recente feito pela comissão de investigação preliminar da prefeitura identificou que o município era credor e não devedor. 

Os auditores constataram 14 alterações no projeto inicial que praticamente dobraram o valor pago pelo município às empreiteiras na construção do Porto Maravilha.

Na execução das obras, o valor gasto ficou acima de R$ 3,32 bilhões.

Segundo o relatório, o orçamento poderia ter sido de R$ 1,63 bilhão.

Na prestação de serviços e manutenção, enquanto a despesa foi de R$ 4,28, os auditores apontaram que a quantia poderia ter sido inferior a R$ 1,45 bilhão.

No total, entre contratos e aditivos, os valores desembolsados na gestão de Eduardo Paes para a construção da zona portuária chegaram a R$ 7,1 bilhões.

O orçamento refeito concluiu que o mesmo projeto poderia ter sido executado por R$ 3,66 bilhões.

A concessionária Porto Novo afirmou que houve lisura e legalidade em todos os procedimentos ao longo dos nove anos de operação do contrato com aprovação da Controladoria Geral, Procuradoria Geral e do Tribunal de Contas do Município.

O ex-prefeito Eduardo Paes disse que o relatório produzido não corresponde à verdade.

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