Rio de Janeiro Caso Henry: "Monique pensou em tirar a própria vida", diz irmão

Caso Henry: "Monique pensou em tirar a própria vida", diz irmão

No segundo dia consecutivo de depoimentos, testemunhas de defesa afirmaram que Monique era mãe zelosa e carinhosa

  • Rio de Janeiro | Victor Tozo, do R7*, com informações de Fernanda Macedo, da Record TV Rio

Monique Medeiros chora no terceiro dia de depoimentos sobre a morte do filho

Monique Medeiros chora no terceiro dia de depoimentos sobre a morte do filho

Brunno Dantas/TJRJ

No segundo dia consecutivo de audiência sobre o caso do menino Henry Borel, nesta quarta-feira (15), no TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio), as testemunhas de defesa de Monique Medeiros afirmaram que a professora era uma mãe carinhosa e zelosa com a criança e disseram não acreditar no envolvimento dela na morte do filho. 

Entre os convocados para depor, estava o irmão de Monique, Bryan Medeiros. Ele disse que ela pensou em tirar a própria vida no dia do velório do menino.

"O tempo foi passando, a gente ficou ligando, [perguntávamos] cadê a Monique, cadê a Monique? E depois eu fui saber que ela pensou em jogar o carro da ponte, que ela saiu de carro e pensou em tirar a própria vida. Então, ela demorou a chegar [no velório]. A Monique nunca mais foi feliz depois daquilo."

Em seu depoimento, Bryan disse que a irmã foi "a melhor mãe que Henry poderia ter tido". Questionado sobre a passagem de Monique por um salão de beleza no dia seguinte ao velório de Henry, se limitou a dizer que não possui "arcabouço técnico" para julgar o processo de luto.

Após Bryan, a mãe de Monique, Rosângela Medeiros, foi ouvida. Ela negou ter conhecimento sobre possíveis violências que o neto sofresse por parte de Jairinho. "Henry nunca foi agredido, eu jamais deixaria isso. Nunca reclamou de nenhuma agressão, ou tortura." Mas, ao final da sessão, ao ser questionada pela juíza Elizabeth Machado Louro se acreditava que o neto foi agredido no dia da morte, em razão de a perícia ter apontado lesões internas no corpo do menino, a avó respondeu que sim.

"Poderosos em Bangu"

O coronel dos bombeiros da reserva Reinaldo Pereira, marido de uma prima de Monique, foi a terceira testemunha a ser ouvida. Ele afirmou que a ré sempre foi uma mãe "zelosa e carinhosa".

"Sempre acreditei na inocência dela. Se não acreditasse, não estaria sentado aqui hoje", declarou.

Em seu depoimento, Pereira disse achar que Monique foi prejudicada por ter sido defendida pelo mesmo advogado de Jairinho no início do processo. Ele contou, ainda, que se ofereceu para custear uma defesa separada para a mãe de Henry, mas que os pais dela não aceitaram.

O bombeiro também afirmou que nunca conheceu Jairinho pessoalmente, apenas através da política, além de ter dito que não teve conhecimento de que Monique estaria vivendo um relacionamento abusivo.

Ao ser questionado sobre o conhecimento que tinha de Jairinho e de seu pai, o coronel Jairo, Pereira afirmou que ambos são "poderosos" na região de Bangu, na zona oeste do Rio. 

Antiga babá da criança, Glauciene Dantas também foi chamada para depor. Ela trabalhou na casa dos avós maternos de Henry desde 2018 até a morte do menino, e foi responsável por cuidar dele antes da mudança de Monique para o apartamento de Jairinho, na Barra da Tijuca, zona oeste.

Dantas disse nunca ter presenciado nenhuma agressão a Henry na casa dos avós, ressaltando que era uma "criança muito bem cuidada". No entanto, declarou nunca ter conhecido Jairinho ou ter presenciado Henry com o padrasto, não podendo afirmar como o menino era tratado no apartamento do ex-vereador.

Ao todo, cinco pessoas foram ouvidas hoje. Entre elas, o diretor da Polícia Civil, Antenor Lopes. A próxima audiência foi marcada para 9 de fevereiro. A juíza também decidiu pela manutenção da prisão preventiva de Monique e Jairinho.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Bruna Oliveira

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