Cedae diz que alterações da água no RJ não representam risco à saúde

Técnicos da companhia detectaram a presença de substância orgânica produzida por algas em amostras de água; Cedae diz que fenômeno é raro

Moradores reclamam de água com cheiro e gosto forte

Moradores reclamam de água com cheiro e gosto forte

Reprodução/Record TV Rio

Depois da reclamação de moradores de 11 bairros do Rio de Janeiro sobre o recebimento de água com cheiro forte e coloração turva, a Cedae (Companhia de Águas e Esgotos do Estado) disse, na terça-feira (7), que as alterações não oferecem risco à população.

Em nota, a empresa informou que após análises finalizadas na terça-feira, técnicos da companhia detectaram a presença da substância Geosmina em amostras de água. A Geosmina é uma substância orgânica produzida por algas e que, segundo a companhia, não representa nenhum risco à saúde dos consumidores. Desta forma, “a água fornecida pode ser consumida pela população”.  Mais de um milhão de pessoas vivem nos bairros afetados.

De acordo com a Cedae, “a substância não oferece riscos à saúde, mas altera o gosto e o cheiro da água. O fenômeno natural e raro de aumento de algas em mananciais, em função de variações de temperatura, luminosidade e índice pluviométrico, causa o aumento da presença deste composto orgânico, levando a água a apresentar gosto e cheiro de terra”.

A companhia informou ainda que as amostras já analisadas na tarde de ontem na Estação de Tratamento do Guandu, “não apresentaram alteração quanto ao cheiro e ao gosto, estando dentro dos padrões. Ao longo do sistema, porém, a água ainda pode apresentar gosto e cheiro alterados em alguns locais. Por isto, a Cedae continuará monitorando todo o sistema de abastecimento ao longo da semana”.

Coleta de amostras

Diante das reclamações, a Subsecretaria de Vigilância Sanitária e Controle de Zoonoses do Rio de Janeiro, responsável pelo monitoramento da qualidade da água de abastecimento distribuída pela Cedae, divulgou que inspecionou 12 pontos nos bairros de Paciência, Campo Grande e Santa Cruz, na zona oeste da cidade e em Olaria, Brás de Pina e Ramos, na zona norte. Os técnicos estão coletando amostras para a análise microbiológica feita no Lasp (Laboratório Municipal de Saúde Pública), com os resultados saindo em 24 horas, a partir da chegada do material na unidade.

A coordenadora do Lasp, a médica veterinária Roberta Ribeiro, informou que ao tomar conhecimento da alteração na água, fez contato com a Cedae, sendo informada que a empresa estava apurando o que causou a alteração.

Roberta Ribeiro ressaltou que “em caso de alteração, notificamos imediatamente à Cedae para providenciar a adequação dos problemas, muitas vezes pontuais e rapidamente sanados pela empresa”. A coordenadora do laboratório frisou que o índice é de, em média, 9% de alteração, sendo que no segundo semestre de 2019 o maior problema foi o de turbidez mais alta que o permitido. Isso acontece quando há material em suspensão na água, o que pode ser provocado por um cano enferrujado ou mesmo por sujeira que atinge a água.

Fiscalização

O laboratório municipal monitora outros cerca de 100 pontos de fornecimento de água da Cedae em unidades de saúde e de educação da prefeitura do Rio de Janeiro, analisando também a água consumida internamente em bebedouros, cozinhas e banheiros.

Por meio da Coordenação de Engenharia, a Vigilância inspeciona ainda os reservatórios de água de imóveis públicos, a partir de demandas recebidas pela Central de Atendimento ao Público, pelo telefone 1746. Um exemplo foi a vistoria feita na UniRio, na Urca, no primeiro semestre do ano passado, quando técnicos interditaram a unidade por conta da água contaminada depois que um temporal atingiu o Rio e causou diversos danos à rotina da cidade.