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De motorista de van a chefe do tráfico: quem era TH da Maré, morto em operação no Rio

Alvo de 16 mandados de prisão, Thiago da Silva Foly era um dos criminosos mais procurados do estado

Rio de Janeiro|Raian Cardoso, da RECORD

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Foto exclusiva mostra presença de TH na Maré Reprodução

Um dos criminosos mais procurados do estado, Thiago da Silva Folly, morto durante uma operação policial, na manhã desta terça-feira (13), começou a sua trajetória no crime em 2009, durante a guerra entre ADA (Amigos dos Amigos) e TCP (Terceiro Comando Puro) no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro.

Antes disso, a inteligência da polícia possuía apenas informações de TH como um criminoso de pouca expressão. Em 2009, ele ainda era uma figura secundária, atuando como suporte para traficantes mais experientes, como Anderson Ferreira dos Santos, o vulgo “Chapoca”, conhecido por operar com o transporte clandestino de vans e kombis na Maré.


TH trabalhava como motorista desses veículos e também cobrador, com o tempo, passou a prestar serviços logísticos ao tráfico: levava armas, munições e cargas durante os confrontos com a facção rival. Inclusive, ele colocou a mão em armamentos para defender aliados.

De acordo com uma fonte da inteligência da Polícia Civil, a ascensão no crime ocorreu anos depois, em 2014, durante a ocupação da Maré pelo Exército, dentro da chamada operação de GLO (Garantia da Lei e da Ordem).


Em 2015, várias lideranças do TCP já haviam sido presas, como Mangolê, Facão, o próprio Chapoca, dentre outros. Com esse cenário, a facção precisava de homens de confiança para controlar as favelas da Maré e evitar que a facção ADA retornasse às comunidades. Foi nesse momento em que TH ganhou espaço.

A escolha de Thiago Folly para assumir a liderança não foi aleatória. Segundo fontes, ele já possuía uma trajetória consolidada junto ao grupo e era visto como alguém de confiança, com capacidade “administrativa” e “disciplinada”, além de ser linha dura com inimigos.


Ao assumir o controle do tráfico local, TH passou a seguir à risca as ordens repassadas pelos líderes da facção que estavam presos. Sob o seu comando, foi mantida a estrutura do TCP na Maré, seguindo as diretrizes internas da facção.

Entre as medidas ordenadas por ele estavam a política de não enfrentamento, a restrição ao uso desnecessário de armas de fogo — com punições internas para quem desobedecesse — e a proibição da venda de crack, considerada danosa até mesmo dentro da lógica criminosa da facção.


TH ficou responsável por garantir o pagamento de integrantes presos, manter a ordem entre as lideranças em liberdade e lidar com o fluxo de “arrependidos” da facção ADA que migravam para o TCP. Tudo isso exigia habilidade política e controle com mãos de ferro do território, especialmente num cenário com diversos interesses e lideranças influenciando de dentro das cadeias o dia a dia das comunidades da Maré.

A convivência com figuras consideradas “nomes de peso” do TCP, como Chocolate (preso recentemente pela Polícia Civil), Mangolê (solto em 2020), e o “Cria/DiFerro” foi fundamental para sua chegada e permanência no topo do tráfico na Maré.

De acordo com fontes, o respeito conquistado por TH vinha tanto pela obediência à hierarquia da facção quanto pela sua capacidade de manter a estrutura criminosa funcionando mesmo em tempos de forte repressão. A morte de TH no Timbau, território onde se refugiava, representou o fim de uma liderança que começou de forma discreta, mas que soube se consolidar dentro do Terceiro Comando Puro.

Foto em cartaz mostra a joia
TH era um dos criminosos mais procurados do Rio Disque Denúncia

Ficha de TH da Maré

  • Thiago da Silva Folly tinha 36 anos;
  • Um dos principais nomes do Terceiro Comando Puro;
  • Estava na mira das autoridades há mais de 10 anos;
  • Contra ele havia 16 mandados de prisão em aberto;
  • Envolvimento com roubo de veículos e de carga;
  • O traficante é apontado como um dos responsáveis pela morte de dois PMs durante uma operação, em junho do ano passado: Jorge Henrique Galdino Cruz e Rafael Wolfgramm Dias;
  • TH também foi denunciado pela morte do cabo do Exército Michel Augusto Mikami, em 2014. O militar, do interior de São Paulo, fazia parte da ocupação das Forças Armadas na região;
  • O criminoso também foi denunciado pela morte de Hélio Andrade, soldado da Força Nacional que entrou por engano na Vila do João e teve a viatura fuzilada dias antes das Olimpíadas de 2016.

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