"Dífícil chegar a desfecho", dizem especialistas sobre caso Ágatha

Armas de policiais militares e kombi onde menina foi baleada continuaram em uso após o crime; falhas podem atrapalhar o trabalho da perícia

Ágatha Félix foi morta quando voltava de passeio com sua mãe

Ágatha Félix foi morta quando voltava de passeio com sua mãe

Reprodução

Especialistas criticaram o trabalho da Polícia Civil nas investigações da morte da menina Ágatha Félix, atingida por um tiro de fuzil no Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro. A reconstituição do crime será feita nesta terça-feira (1º), mas, segundo dois profissionais da área criminal ouvidos pelo R7, dificilmente o caso terá uma solução em razão de uma série de falhas na coleta de provas.

Ao menos dois equívocos foram apontados pela Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil do Estado do Rio de Janeiro). Em primeiro lugar, a kombi, onde a menina foi baleada, não só foi lavada como utilizada para transporte de passageiros, antes de ser entregue à perícia.

Além disso, as armas dos policiais militares, que patrulhavam a comunidade na noite do crime, demoraram até quatro dias para serem entregues à DH da Capital (Divisão de Homicídios da Capital), onde o crime é investigado.

O presidente da Abacrim (Associação Brasileira dos Advogados Criminalista), James Walker, destacou que seria de grande importância ter resguardado a cena do crime:

"No Brasil, não há uma tradição de preservação do local do crime. O trabalho da perícia sempre foi muito prejudicado pela facilidade de se desfazer a área onde ocorreu a ação. Com isso, o processo final fica muito comprometido e dificilmente se consegue chegar a uma conclusão", disse o advogado. 

Já o perito criminal Mauro Ricart lembrou que outro problema para investigação é que o laudo pericial realizado no fragmento de bala encontrado no corpo da criança apontou que o projetil é compatível com fuzil. No entanto, o resultado sobre as características da arma que disparou é impreciso, o que inviabiliza o confronto balístico.

"Não há como identificar de qual arma partiu o tiro que matou Ágatha, assim como não existe mais a cena do crime. Pelas informações que recebi desse caso, é praticamente impossível conseguir um desfecho", afirmou Ricart, que ressaltou a dificuldade de esclarecer casos em que vítimas são atingidas por balas perdidas.

Reconstituição

A reconstituição da morte de Ágatha será feita no Complexo do Alemão, às 21h. O objetivo da polícia é reproduzir as mesmas condições em que a criança foi atingida e conseguir mais detalhes de como tudo aconteceu.

A expectativa é a de que participem da reprodução simulada os PMs envolvidos na ocorrência, o motorista da Kombi e a mãe da menina.

Segundo informações da Record TV Rio, os policiais alegaram em depoimento que foram atacados por um suspeito em uma motocicleta. Mas a versão é contestada pelo condutor do veículo onde a menina estava. O motorista afirma que não houve tiroteio e apenas os militares atiraram na ação.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Bruna Oliveira