Fazenda em que miliciano foi morto ainda tem sinais do ex-PM

Moradores da região relatam que Adriano Magalhães da Nóbrega andava armado na fazenda onde estava escondido

Capitão Adriano foi morto em fazenda na Bahia

Capitão Adriano foi morto em fazenda na Bahia

Reprodução

A casa em que o miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega foi morto no domingo (9) ainda guarda vestígios do desespero em que ele estava antes da operação policial que o encurralou. Na cidade de 30 mil habitantes, ninguém fala abertamente sobre o ocorrido. Sob anonimato, moradores relatam que Nóbrega foi visto andando armado na fazenda onde se escondeu.

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Localizado à beira de uma estrada em Esplanada, no litoral norte da Bahia, o imóvel de dois quartos, visitado pelo jornal O Estado de S. Paulo na quarta-feira (12), ainda tem sinais da passagem do ex-policial. Manchas de sangue sujam o chão da sala e deixam rastros até a saída. Além do sangue, há, na casa, um colchão de solteiro sem lençol, roupas desarrumadas e uma quantidade abundante de remédios. Sobre a mesa da sala, 12 pães sem embalagem, sobrevoados por moscas. Um dos quartos está cheio de fibra alimentar para gado.

A casa, que pertence ao vereador Gilson de Dedé (PSL), tem sete janelas. Em uma delas se vê uma marca que parece ser de bala, apesar de a polícia ainda não confirmar oficialmente.

Uma camiseta de Adriano ocupa o topo da pilha de roupas encontrada no quarto em que o miliciano ficou. Colegas dele lhe relataram ter visto o forasteiro na última vaquejada organizada por Leandro Guimarães, em janeiro.

Guimarães organiza vaquejadas na fazenda Parque Gilton Guimarães, em Esplanada. Aberta em 2005 e registrada como empresa individual pelo dono, a empresa tem capital social de R$ 15 mil registrado na Receita Federal. Os torneios lá organizados, porém, oferecerem prêmios que chegam aos seis dígitos.

Adriano passou uma semana abrigado lá, depois de fugir, na última semana de janeiro, da Costa do Sauípe. Só saiu no sábado, véspera da morte, após saber que estavam atrás dele naquela região. Guimarães, que portava armas, foi preso no sábado e, em depoimento à polícia, alegou que escondeu Adriano por pressão dele. O carioca, disse ele, teria se apresentado como alguém interessado em comprar terrenos no local.

Os investigadores, contudo, souberam que a relação entre os dois não começou depois que o miliciano fugiu da casa de luxo. "Ele tinha ido à Costa do Sauípe prestar algum tipo de auxílio, não sei se mantimentos... Mas que ele dava cobertura a Adriano aqui, dava", afirmou o secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa. "Precisamos entender se é só esse auxílio ou se ele era usado como laranja para Adriano comprar gado, por exemplo."