Fiocruz inaugura Centro Hospitalar para covid-19

Serão 195 leitos para tratamento insensivos e semi-intensivos de pacientes infectados com o vírus; O centro possui sistema de diagnóstico especializado

Centro Hospitalar para covid-19 inaugurado na sede da Fiocruz, em Manguinhos

Centro Hospitalar para covid-19 inaugurado na sede da Fiocruz, em Manguinhos

Leonardo Oliveira

O Centro Hospitalar para a pandemia da Covid-19 começou a receber seus primeiros pacientes com a doença nesta terça-feira (19). Localizado na sede da Fiocruz, em Manguinhos, zona norte do Rio , a unidade hospitalar contará com 195 leitos de tratamento intensivo e semi-intensivo, que serão ocupados gradualmente, após avaliação diária e conjunta da direção com as secretarias municipal e estadual de saúde.

A unidade hospitalar foi construída em menos de dois meses e se difere dos hospitais de campanha.  O centro apresenta quartos particulares com tubulação específica para sugar o ar contaminado que passa por um sistema de filtragem antes de ser eliminado por chaminés. Também tem uma central de esgoto própria, feita para tratar resíduos com o novo coronavírus e garantir o descarte seguro.

Quarto individuais com os esquipamentos para o tratamento da covid-19.

Quarto individuais com os esquipamentos para o tratamento da covid-19.

Leonardo Oliveira

O sistema de diagnóstico do centro conta com aparelhos de raio-x, ultrassonografia, ecocardiograma e tomografia computadorizada, além de serviços de broncoscopia e endoscopia. A unidade é autossuficiente e independente das demais áreas da Fiocruz no campus. O complexo tem uma entrada exclusiva para ambulância e um heliponto.

"Neste momento, em que acompanhamos com tanta preocupação o aumento de casos e de mortes em nosso país, e em particular no Rio de Janeiro, é com grande emoção que entregamos esse hospital dedicado exclusivamente à Covid-19 e que permanecerá como um legado para o Sistema Único de Saúde. A Fiocruz continuará trabalhando incessantemente para fortalecer as ações do SUS em meio a esta crise humanitária que tem tido impacto tão grande na vida da população e que traz tantos desafios para um país continental e desigual como o Brasil", ressaltou a presidente da Fundação Nísia Trindade durante visita de reconhecimento ao local.

O Centro Hospitalar não tem emergências, todos os pacientes chegam ao hospital transferidos de outras unidades de saúde. O sistema informatizado da SES (Secretaria de Estados de Saúde) permite um mapeamento dos leitos disponíveis para pessoas infectadas com a doença.

Seguindo o protocolo de segurança, não são permitidas visitas aos pacientes internados.  Porém um ambiente foi especialmente foi montado no bloco anexo para receber as famílias, além da realização de ligações por vídeo chamadas. Também terá uma estrutura de call center com operadores treinados para atualizar os familiares sobre o boletim médicos de cada paciente.

O fluxo de vigilância e monitoramento dos profissionais envolvidos na rotina da unidade, envolve, entre outrso aspectos, a verificação diária da temperatura de todos os funcionários na entrada do plantão, testagem e busca ativa de pessoas sintomáticas.

O novo hospital passa a integrar o INI (Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas), unidade de referência da Fundação na atenção a doenças infecciosas, que é centro de referência para o atendimento de pacientes com a covid-19.
"O novo centro será fundamental para acelerar as pesquisas conduzidas pelo INI e toda a rede de colaboração da Fiocruz no Brasil e internacionalmente. Um exemplo é o ensaio clínico Solidarity, da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estuda a eficácia de medicamentos para tratamento da Covid-19”, explicou a diretora do INI, Valdilea Veloso.

Coordenado no Brasil pela Fiocruz, o Solidarity é um ensaio clínico randomizado e adaptativo, permitindo que, com o surgimento de novas evidências científicas ao longo do estudo, haja alteração das propostas terapêuticas.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Bruna Oliveira