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Funcionários de shopping e loja são indiciados por incêndio que deixou dois mortos na Tijuca

A investigação apontou falhas de gestão, demora na comunicação ao Corpo de Bombeiros e erros nos protocolos de segurança

Rio de Janeiro|Do R7

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Polícia concluiu que o shopping não possuía sistema de exaustão adequado para o controle da fumaça RECORD

A Polícia Civil indiciou, nesta quinta-feira (26), cinco pessoas ao concluir o inquérito sobre o incêndio do shopping Tijuca, na zona norte do Rio de Janeiro, que deixou dois mortos e quatro feridos. O caso aconteceu no dia 2 de janeiro deste ano.

Três indiciados são funcionários do centro comercial e outros dois trabalham na loja onde o fogo começou:


  • Dois funcionários do shopping vão responder por incêndio doloso qualificado pela morte, lesão corporal culposa, crime de perigo para a vida ou saúde de terceiros e fraude processual;
  • Terceira envolvida é suspeita dos crimes de incêndio doloso qualificado pela morte, lesão corporal culposa e crime de perigo para a vida ou saúde de terceiros;
  • Funcionários da loja foram indiciados por incêndio doloso e lesão corporal.

O documento elaborado pela 19ª DP (Tijuca) apontou falhas de gestão, demora na comunicação ao Corpo de Bombeiros e erros nos protocolos de segurança. Em nota, o shopping se defendeu e disse ter atuado de acordo com a legislação vigente.

De acordo com a investigação, uma sucessão de falhas contribuiu para a morte da bombeira civil Emellyn Silva Aguiar Menezes e do supervisor de segurança Anderson Aguiar.


Para a polícia, depoimentos e laudos evidenciaram problemas na comunicação após o início das chamas, ausência de alarmes eficazes, evacuação desorganizada, treinamento insuficiente e demora na transmissão de informações precisas sobre o incêndio.

Os investigadores ressaltaram ainda que a loja não possuía o alvará do Corpo de Bombeiros. Também foi constatado que o shopping não contava com sistema de exaustão adequado para o controle da fumaça.


O relatório apontou ainda um atraso no acionamento da corporação: o botão de pânico foi pressionado às 18h04, e o chamado aos Bombeiros ocorreu apenas às 18h27. As equipes chegaram às 18h40.

Fraude processual

O crime de fraude processual foi identificado na conduta de responsáveis pelo shopping. A investigação revelou que eles permitiram a entrada de pessoas em área interditada e a saída de item importante para a investigação.


“O laudo técnico concluiu que o incêndio teve origem elétrica previsível, em ambiente inadequado do ponto de vista técnico, sendo agravado por falhas estruturais e de segurança”, destacou a polícia.

Também são citadas instalações elétricas em desacordo com normas técnicas, elevada carga de incêndio e ausência de controle eficiente de fumaça.

Segundo a Polícia Civil, peritos afirmaram que esses fatores contribuíram diretamente para a “magnitude e a rápida propagação das chamas”.

Veja a íntegra da nota do Shopping Tijuca:

“O shopping reforça que agiu dentro dos seus protocolos de atuação previstos na legislação vigente, notificando imediatamente a loja Bell’Art para que tomasse as devidas providências. Destaca ainda que executou a evacuação seguindo o plano elaborado por empresa especializada e aprovado pelo Corpo de Bombeiros, o que garantiu que 7 mil pessoas deixassem o local sem qualquer ferimento.

O shopping reitera seu compromisso com a sociedade e sua inteira disposição em colaborar com a Justiça. Lembra ainda, com consternação, a perda dos seus dois corajosos colaboradores, Emellyn e Anderson, algo irreparável.

E com exceção das lojas em pontos ainda interditados, 98% das operações já estão funcionando normalmente. Apenas 4 lojas ainda permanecem fechadas para renovação do estoque, além de outras 6 que decidiram executar obras anteriormente planejadas".

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