Rio de Janeiro Grupo de voluntários apura depredação de patrimônio no RJ

Grupo de voluntários apura depredação de patrimônio no RJ

Inepac apurará denúncias recebidas durante o período do Carnaval. De acordo com o instituto, Rio de Janeiro conta com 1.677 bens tombados

Monumento a Marechal Deodoro foi depredado este mês

Monumento a Marechal Deodoro foi depredado este mês

Tânia Rego/Agência Brasil/ 17.02.2020

O Inepac (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural) começa nesta quinta-feira (27) a apurar denúncias recebidas durante o Carnaval sobre furto, roubo e depredação de monumentos históricos e artísticos no Rio de Janeiro.

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De acordo com Cláudio Prado de Mello, diretor-geral do instituto, a apuração será feita por voluntários, profissionais de arte e amantes de história interessados em reduzir o número de furtos, roubos e vandalismo de estátuas e outros itens históricos do Estado.

O movimento "Brigadistas do Patrimônio" - uma ação coletiva sem fins lucrativos que visa preservar bens públicos - também participará do trabalho.

Malfeitores

O consumo de drogas é, de acordo com uma pesquisa feita pelo Inepac, uma das motivações para depredar o patrimônio público. O estudo levantou que ferros-velhos pagam entre R$ 6 e R$ 8 por cada letra de bronze de placas públicas, por exemplo.

“Esse é o preço que a gente conseguiu levantar de uma pedrinha de ‘crack’. Então, os nossos monumentos estão virando elementos para manter o vício das pessoas. Isso é muito triste”, comentou Cláudio Prado de Mello.

Outra motivação, de acordo com o diretor-geral, é o mercado negro de antiguidades e itens históricos. “A gente está falando do mercado negro de antiguidades que também existe. Não raramente, a gente recebe fotografias de peças, placas de bronze ou de outros materiais que são oferecidos em feiras”.

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Vandalismo

Cláudio Prado de Mello relata ainda que já havia levado denúncias de depredação ao MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro), mas não houve resposta.

“Hoje nós estamos em uma situação catastrófica, porque a gente tem preocupação com a paisagem da nossa cidade. Esses mobiliários urbanos fazem parte dessa paisagem. Na medida em que estão dilapidados, destruídos, fragmentados ou simplesmente faltando alguns elementos, isso acaba sendo muito negativo para o conjunto do patrimônio histórico. Quando o turista vem e fotografa, isso depõe contra o nome da nossa cidade para o mundo”. De acordo com os números do Inepac, o estado do Rio de Janeiro conta com 1.677 bens tombados.

Rede de informação

O grupo Brigadistas do Patrimônio conta com trabalho voluntário de uma rede de colaboradores, e desenvolve um trabalho de conscientização sobre a importância de patrimônios públicos. “Muitas vezes a pessoa não tem noção do quanto aquilo significa em termos de valor ou da parcela da memória daquilo que é preservado. Mas nos compete, a despeito das dificuldades que a gente vai encontrar, dividir o nosso conhecimento e sensibilizar as pessoas sobre a importância do nosso patrimônio”, afirmou o Cláudio Prado de Mello.

Para informar vandalismo, furtos ou depredação em bens públicos de arte, o instituto disponibiliza um canal de comunicação via Whatsapp. O telefone para denúncias é o (21) 98913-1561. Os casos apurados são comunicados à polícia.

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