Juiz absolve homem preso por ouvir funks "proibidões" e compara músicas às de Chico Buarque
Magistrado citou que funks não incitam violência mas, na verdade, são gerados por ela
Rio de Janeiro|Do R7

Um juiz da 37ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio absolveu no dia 1º deste mês um homem denunciado pelo Ministério Público por ouvir funks "proibidões", o que faria "apologia ao crime ou criminoso". A denúncia foi feita porque no dia 24 de dezembro de 2013, policiais militares teriam visto o réu cantar músicas com trechos como "vai morrer quem mandou mexer".
Na decisão, Marcos Augusto Ramos Peixoto afirma que músicas ou a cultura do funk não são incitadoras de crimes e de violência mas, sim, frutos de um cotidiano com o qual "pode-se concordar/gostar ou não (...) porém jamais proibir ou, pior, criminalizar". Para ele, os proibidões "não são crimes, mas forma de arte" que retratam o cotidiano das favelas cariocas.
No texto, Peixoto ainda cita Chico Buarque como "um recordista de proibidões "a ponto de, por algum tempo, ter de passar a lançar músicas sob o pseudônimo de Julinho da Adelaide de modo a tentar driblar os censores que, à simples imagem de seu nome lançado a uma composição proibiam a música ou retalhavam a letra ao ponto de restar incompreensível e, assim, impublicável".
Ele afirma que o Poder Judiciário não poderia compactuar com a criminalização das músicas pois trata-se de "uma política de controle da voz dos excluídos, daqueles que não estão inseridos dentro do padrão cultural hegemônico (bonitinho, limpinho...)". Para o juiz, essa tentativa de "pacificar" as músicas surge para "controlar os corações e mentes dos excluídos" que já viram seus territórios serem "invadidos e controlados por Unidades de Polícias Pacificadoras (UPPs)".
Por fim, Peixoto cita que o Poder Judiciário precisa de coragem para manter o Estado Democrático de Direito. Segundo ele, "coragem que falta sempre que as decisões judiciais distanciam-se das normas constitucionais para atender às maiorias de ocasião ou se submeter aos interesses dos grandes grupos econômicos e daqueles que detém o poder político".















