Laudo descarta morte de idosa por injeção de café com leite, diz conselho de enfermagem
Morte de idosa de 80 anos foi causada por infecção pulmonar e urinária, diz laudo cadavérico
Rio de Janeiro|Do R7

O laudo cadavérico da idosa de 80 anos, que morreu após suposta injeção de café com leite, no PAM (Posto de Atendimento Médico) de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, em outubro do ano passado, revela que ela foi vítima de infecção pulmonar e urinária. O documento foi enviado pela assessoria do Coren-RJ (Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro) à redação do R7 nesta terça-feira (4).
A morte de Palmerina Pires Ribeiro foi investigada e o exame contradisse a versão de morte por embolia pulmonar - entupimento da artéria pulmonar ou de ramos. O laudo cadavérico, realizado em casos de morte suspeita, foi pedido pelo Coren-RJ.
Palmerinha morreu no PAM após ter ficado internada por dez dias. Segundo as conclusões do perito legista Paulo Reigota, não havia presença de leite no sangue da idosa, que apresentava aspecto normal. Além disso, não foram detectados sinais de embolia gordurosa cardíaca e pulmonar, o que afasta a possibilidade de a idosa ter recebido café com leite na veia.
O Ministério Público informou que este laudo não é definitivo. Segundo o MP, novos exames serão feitos para não afastar a causa da morte por injeção de café com leite.
Entenda o caso
Segundo parentes, uma funcionária teria confundido a bebida com a medicação. A idosa, que recebia alimentação por meio de uma sonda, morreu quatro dias depois - no dia 15 de outubro passado. Uma das filhas de Palmeirinha disse que viu o momento em que a enfermeira trocou o soro pelo café com leite. De acordo com a família, o hospital não tinha o medicamento indicado para reverter o efeito da bebida no organismo da aposentada.
A estagiária Rejane Moreira Telles, de 23 anos, foi tida como a responsável pela morte da idosa. Ela foi indiciada por homicídio culposo (sem intenção de matar). No dia 17 do mesmo mês, Rejane prestou depoimento na delegacia e admitiu que errou administrando o leite no acesso venoso e não na sonda nasogástrica, e não chamou o supervisor da escola.
No entanto, o laudo cadavérico indica que não houve injeção intravenosa de qualquer alimento na paciente. O presidente da Coren-RJ, Pedro de Jesus, diz que a estudante do curso de técnicas de enfermagem estava no seu terceiro dia de estágio e que a falta de experiência pode tê-la confundido sobre o erro ou o acerto do procedimento. Jesus ainda afirma que a jovem pode ter sido pressionada e acabou acreditando que teria causado a morte da idosa.
Segundo Alexandre Ziehe, da Delegacia de São João de Meriti (64ª DP), ela disse que recebeu a ordem de administrar o café com leite na sonda nasogástrica e estava na companhia de outra aluna que não conhecia até o momento.
*Colaborou Larissa Kurka, estagiária do R7 Rio















