Miltinho da Van é condenado a 40 anos de prisão por assassinar funkeira na Baixada Fluminense
Durante julgamento, ele confessou o crime e disse que estava "possuído" quando matou
Rio de Janeiro|Do R7

Milton Severiano Vieira, o Miltinho da Van, foi condenado a 40 anos, dez meses e 20 dias de prisão e 32 dias-multa pela morte da dançarina de funk Cícera Alves de Sena, conhecida como Amanda Bueno. A sentença foi dada durante o julgamento do acusado no Fórum de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde o crime ocorreu em abril de 2015.
Segundo o TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), o julgamento durou mais de 13 horas. Milton foi condenado por homicídio duplamente qualificado (feminicídio e asfixia), além de roubou majorado e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.
Miltinho da Van confessou ter assassinado a vítima, pois, segundo ele, estava "possuído" no momento do crime. O acusado, que se diz arrependido, falou que não se reconhecia naquele instante do homicídio, que "aquele não era ele". Miltinho também alegou que agiu em legítima defesa, pois a namorada estava armada e o teria ameaçado.
A Justiça do Rio ouviu quatro testemunhas de acusação e quatro de defesa durante a tarde desta segunda-feira (10) no julgamento de Milton Severiano Vieira, mais conhecido como Miltinho da Van. O julgamento no plenário da 4ª Vara Criminal da Comarca de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
A ex-companheira do acusado prestou depoimento e relatou que almoçou com Miltinho no dia do assassinato. Ele teria pedido para os dois retomarem o relacionamento, alegando que já não amava mais Amanda. Depois de assassinar a funkeira, o homem teria ligado novamente para a ex-mulher dizendo que a mataria e tiraria a própria vida em seguida.
A mãe de Amanda chegou ao tribunal quando o julgamento já havia começado. Iraídes Maria de Jesus estava acompanhada de amigos e parentes e não quis falar com a imprensa. Todos vestiam uma camiseta com uma foto da dançarina de funk.
O advogado Patrick Berriel explica que Miltinho da Van vai responder perante o tribunal do júri popular por homicídio e outros três crimes.
— Miltinho da van responde por homicídio duplamente qualificado, meio cruel e pela qualificadora do feminicídio. Acoplado a esses crimes, ele ainda tem o roubo majorado, porque logo após o fato, ele roubou o veículo. Dentro do veículo foi encontrada uma arma de fogo de uso restrito e munição. Ainda mais, responde pelo crime de embriaguez ao volante. Então quer dizer, é um homicídio duplamente qualificado e mais três crimes conexos que será respondido perante o tribunal do júri popular.
Ele também acredita que o acusado pode pegar até 50 anos de prisão.
— Eu acredito que se na realidade emplacar algumas teses da defesa, ele pode ter um apenamento de seis anos. E se todas as acusações que foram colocadas contra ele forem acolhidas pelo tribunal do júri, a pena dele pode chegar entre 40 e 50 anos.
A dançarina de funk Amanda Bueno, de 29 anos, foi assassinada com um tiro na cabeça dentro de casa em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, na noite desta quinta-feira (16). A dançarina já foi integrante dos grupos "Jaula das Gostozudas" e "Gaiola das P...
A dançarina de funk Amanda Bueno, de 29 anos, foi assassinada com um tiro na cabeça dentro de casa em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, na noite desta quinta-feira (16). A dançarina já foi integrante dos grupos "Jaula das Gostozudas" e "Gaiola das Popozudas". O companheiro de Amanda, Milton Severiano Vieira, afirmou que cometeu o crime porque teve um surto. Ele agrediu a noiva e atirou na cabeça dela diversas vezes. A jovem teria descoberto uma traição do companheiro, suspeito do crime, antes de ser morta. Leia mais
Relembre o caso
A funkeira foi morta com um tiro na cabeça no dia 16 de novembro de 2015, na residência do casal, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, após revelar segredos do passado para o companheiro.
Primeiramente, ela contou que havia trabalhado como stripper numa boate em Brasília. Depois, a dançarina também afirmou que, em 2007, havia tentado matar a tiros uma colega da boate onde trabalhava. Ela chegou a ser condenada a dois anos de prisão por tentativa de homicídio, mas respondia pelo crime em liberdade.
O assunto, até então desconhecido por Milton, foi discutido pelo casal dentro de casa. Com ciúmes, ele ofendeu Amanda e, para se vingar, marcou um encontro com uma ex-namorada. O encontro foi fotografado, filmado e enviado para a funkeira.
Milton bateu por várias vezes com a cabeça de Amanda em uma pedra e depois atirou com uma arma calibre 12. Imagens de câmera de segurança mostram a jovem deitada no chão, sendo agredida com violência antes de ser baleada pelo companheiro. Os dois tinham ficado noivos quatro dias antes do crime. Ao confessar o crime à polícia, ele alegou que teve um "surto".
O julgamento começou às 11h no plenário da 4ª Vara Criminal da Comarca de Nova Iguaçu, na baixada.

























