Rio de Janeiro Moradores temem mais milícia do que tráfico, diz pesquisa

Moradores temem mais milícia do que tráfico, diz pesquisa

Levantamento do Datafolha mostra que o medo de milicianos em bairros da zona sul,  com maior concentração de renda, é ainda maior

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Pesquisa foi feita entre os dias 23 e 25 de janeiro deste ano

Pesquisa foi feita entre os dias 23 e 25 de janeiro deste ano

Tania Rego/Agência Brasil/18.02.2019

Uma pesquisa do Instituto Datafolha apontou que o medo da milícia - organizações criminosas formados por agentes ativos ou inativos da Segurança Pública - supera o de traficantes entre os moradores de comunidades do Rio de Janeiro. O levantamento, encomendado pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), foi divulgado nesta segunda-feira (18). 

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Segundo o instituto, 29% dos entrevistados nas favelas temem mais a milícia que os traficantes; 25% têm mais medo do tráfico; 18% têm mais receio da polícia; 21% temem todos na mesma intensidade.

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Na zona sul, em bairros nobres da capital, este número é ainda maior: 38% das pessoas entrevistadas temem mais a milícia; 20% sentem mais medo de traficantes, 24% de todos e 12% da polícia.

A pesquisa também buscou avaliar a Intervenção Federal na Segurança Pública do Rio de Janeiro. Ao todo, 843 pessoas foram ouvidas entre os dias 23 e 25 de janeiro deste ano, data em que as tropas da Força Nacional já tinham deixado o Estado.

Intervenção não surtiu efeito

A pesquisa mostrou ainda que a Intervenção na Segurança foi aprovada por 73% dos entrevistados. Outros 20% foram contra a intervenção

Já 54% acham que a iniciativa não teve efeito prático no combate à violência; 39% disseram que a presença dos militares nas ruas da capital fluminense teve efeito positivo no enfrentamento ao crime.

Caso Marielle 

No período da Intervenção, o então secretário de Segurança General Richard Nunes afirmou que milicianos estariam envolvidos na morte da vereadora Marielle Franco, assassinada com quatro tiros em março de 2018, no centro do Rio. Já em agosto do mesmo ano, o então Ministro da Segurança Pública Raul Jungmann reconheceu que "agentes do Estado" e "políticos" estão envolvidos no crime.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Bruna Oliveira