Rio de Janeiro MP mira responsáveis por gestão financeira de Adriano da Nóbrega

MP mira responsáveis por gestão financeira de Adriano da Nóbrega

Promotoria indiciou nove pessoas por crimes de associação criminosa, agiotagem e lavagem de dinheiro

MP apreendeu carros e cerca de R$ 75 mil com integrantes da quadrilha

MP apreendeu carros e cerca de R$ 75 mil com integrantes da quadrilha

Reprodução

O MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) iniciou, na manhã desta segunda-feira (22), uma operação para cumprir três mandados de prisão e 27 de busca e apreensão contra a organização criminosa responsável pela movimentação financeira e lavagem de dinheiro do miliciano Adriano da Nóbrega. Até as 9h30, dois carros e R$ 75 mil haviam sido apreendidos.

De acordo com a promotoria, nove pessoas, incluindo um sargento e um soldado da PM, foram denunciadas por crimes de associação criminosa, agiotagem e lavagem de dinheiro. A I Vara Criminal Especializada da Capital também aceitou o pedido do MP de sequestro do Haras Fazenda Modelo, automóveis e bloqueio de bens de R$ 8,4 milhões, correspondentes ao valor mínimo constatado em movimentações pelos criminosos.

A ação de hoje é desdobramento da Operação Intocáveis I, que investigou integrantes do grupo paramilitar do Rio das Pedras, na zona oeste do Rio, liderada por Nóbrega, que também tinha influência no Escritório do Crime, grupo de matadores de aluguel.

De acordo com a denúncia, faziam parte da rede de apoio que administrava os recursos e fazia a lavagem de dinheiro do miliciano o soldado da PM Rodrigo Bittencourt Fernandes Pereira do Rego; a mulher de Nóbrega, Julia Emilia Mello Lotufo; Daniel Haddad Bittencourt Fernandes Leal; e o sargento da PM Luiz Carlos Felipe Martins, que foi morto no sábado (20), em Realengo. Todos eles tiveram prisão decretada.

A denúncia também aponta que, entre 2017 e 9 de fevereiro de 2020, seis denunciados atuaram na concessão de empréstimos a juros exorbitantes a terceiros, de até 22%, utilizando empresas de fachada.

O dinheiro investido para os empréstimos vinha dos lucros obtidos por Nóbrega por meio de práticas criminosas da organização que atua no Rio das Pedras e adjacências. As atividades rendiam recursos incompatíveis com a evolução patrimonial como ex-capitão da PM.

Uma das empresas usadas no esquema era a Cred Tech Negócios Financeiros LTDA que tinha como sócios o PM Rodrigo Bittencourt e Carolina Mandin. Entre agosto de 2019 e abril de 2020, o empreendimento movimentou R$ 3.624.531,00.

Outros dois denunciados atuavam como laranjas no esquema de lavagem de dinheiro, que confiscavam os bens dos devedores da empresa e passavam para seus nomes.

Já o sargento morto no sábado, Luiz Carlos Martins, era o homem de confiança de Nóbrega e auxiliava na administração dos valores que seriam colocados a título de empréstimos a juros. Ele também era responsável por levar valores a familiares e prestadores de serviços do miliciano. O PM também pagava as despesas pessoais dele como aluguel, carros, cartões de crédito. A ação penal contra ele será extinta.

Julia Lotufo, mulher de Nóbrega, era responsável pela contabilidade e gestão financeira dos lucros. Também era a ela que outros denunciados se reportavam para prestar contas sobre os valores pertencentes ao miliciano, que eram investidos como empréstimos ou para a criação de outra empresa de fachada, a Lucho Comércio de Bebidas, também utilizada para lavagem de dinheiro.

Meses após a morte de Nóbrega, os dois sócios da empresa transferiram todo o capital para dois irmãos de Julia. A alteração, segundo investigadores, aponta que ela permaneceu agindo com o intuito de ocultar e administrar o patrimônio do ex-companheiro, se beneficiando dos crimes praticados por ele.

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