Pai relata decepção da filha por não ir a escola em mais um dia de confronto na Maré

Tiroteio durante operação policial deixou quase 8 mil alunos sem aulas

"Escuta esse barulho pai, é tiro de novo, né! Caramba não vai ter aula", disse a menina

"Escuta esse barulho pai, é tiro de novo, né! Caramba não vai ter aula", disse a menina

Reprodução/Maré Vive

Em mais uma manhã de confrontos no Complexo da Maré, zona norte do Rio, pais e alunos relatam nas redes sociais o drama de viver cercado dentro de casa devido a violência. Na região próxima ao conjunto de favelas, cerca de 8.000 alunos estão sem aulas nesta terça-feira (13). Segundo a Secretaria Municipal de Educação, 12 escolas e nove creches estão sem atendimento.  

Em uma rede social, o perfil Maré Vive publicou o relato de um pai sobre a reação da filha ao ouvir os tiros no início da manhã. Ele contou que a menina chorou a perceber o confronto: "Escuta esse barulho pai, é tiro de novo, né! Caramba não vai ter aula".

O desabafo do pai foi seguido por dezenas de comentários de outros pais e mães que compartilham a mesma rotina: ver a vida e o futuro dos filhos afetado pela violência.

"Eu fico muito triste com isso, tenho uma filha de seis anos e ela quando ouve tiros coloca a mão no ouvido pra não escutar", comentou uma moradora.

"A minha filha chora e fala que é melhor tirar logo da escola. Ninguém tem paz nesse inferno", desabafou outra mãe.

Outra moradora lamentou a rotina de violência na comunidade: "O futuro do nosso país depende dessas crianças, triste realidade das nossas crianças da maré que não pode nem ir ao colégio direito".

Para as crianças e adolescentes moradores do Complexo da Maré e de várias comunidades do Rio, o som dos tiros já tem outro significado: escolas fechadas. O sentimento é confirmado em números. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, dos 85 dias letivos deste ano, apenas em sete a rede funcionou completamente. Isto é, apenas em sete dias a rede municipal não teve nenhuma escola ou creche fechada devido à tiroteios. Na Maré, desde o início do ano, as escolas e creches fecharam 16 vezes.

Nesta terça, policiais da DRFC (Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas) realizam uma operação com apoio de militares da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais). O foco da ação é a comunidade Nova Holanda. De acordo com informações preliminares, duas pessoas já teriam sido baleadas e socorridas no Hospital Federal de Bonsucesso. Até o momento, não há informações sobre presos ou apreensões.