Polícia busca câmeras e não descarta homofobia em morte de dançarino na Baixada Fluminense
O corpo de Adriano Cor foi encontrado com sinais de violência após desaparecimento
Rio de Janeiro|Do R7

A DHBF (Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense) faz diligências nesta quarta-feira (8) para encontrar câmeras que possam ter gravado o trajeto percorrido pelo ator e dançarino Adriano da Silva Pereira, de 32 anos, encontrado morto na última terça-feira (7) em um rio de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. O local onde o corpo foi achado — um valão no rio Cabuçú, em Nova Iguaçu — não possui câmeras. Conhecido como Adriano Cor, o rapaz saiu de casa em Belford Roxo, na noite de domingo (5), para dar uma volta e desapareceu.
Paulo André, delegado-assistente da DHBF, responsável pelas investigações, informou ao R7 que todas as hipóteses são consideradas na apuração, inclusive, motivação homofóbica, apontada por amigos. O corpo de Adriano, sepultado nesta quarta no Jardim da Saudade, em Mesquita, tinha sinais de violência.
A polícia quer ouvir nos próximos dias parentes e amigos para tentar elucidar o assassinato. O delegado Paulo André espera o laudo do IML (Instituto Médico Legal) para analisar as agressões. Perícia foi realizada no local onde o corpo foi encontrado.
De acordo com a amiga Taísa Machado, Adriano saiu na noite de domingo, por volta das 23h, para dar uma volta perto de casa.
— Ele foi de chinelo e não levou o celular. Essa é a grande incógnita do crime. Ele foi encontrado num bairro distante de casa. Não existe a possibilidade de ter caído no rio. É um choque, foi um crime brutal. Ele não se envolvia em confusão. O mais lógico é que tenha sido um crime de homofobia. Ele era uma pessoa que se afirmava na imagem dele. Ele ia ao candomblé e sempre estava de turbante e guias. Ele era uma pessoa colorida, que fugia do padrão.
Amor pelo maracatu
Adriano era dançarino e ator, integrante do grupo de maracatu Tambores de Olokun e trabalhava no Brechó da Dona Pavão. Na segunda (6), ele começaria em um novo emprego na cozinha de um restaurante na capital.
Nas redes sociais, amigos lamentam a morte. Elogiado pela alegria e carisma, alguns afirmam não ter outro motivo para terem assassinado Adriano se não a homofobia.
Ainda de acordo com amigos, que renderam homenagens a Adriano no sepultamento, ele não tinha inimigos e era bastante ativo em projetos artísticos tanto na baixada como na capital. Um cortejo de maracatu acompanhou o sepultamento.
Na página do Tambores de Olokun, a seguinte mensagem foi publicada: "É com imenso pesar que o Tambores de Olokun comunica a perda do nosso amado irmão Adriano Cor, nossa Baiana Rica, que nos honrou e representou de maneira tão linda. O Olokun ficava mais iluminado em sua presença. Adriano, você sempre estará entre nós com sua saia rodada e seu sorriso infinito, transbordando amor e carinho! É assim que nos lembraremos de você! Que sua passagem seja repleta de paz e luz e que Olokun te acompanhe até o Orum!"















