Rio de Janeiro Polícia e MP prendem 18 traficantes de comunidades de Niterói, no RJ

Polícia e MP prendem 18 traficantes de comunidades de Niterói, no RJ

Grupo está ligado a empresa de telefonia, comércio de armas e gerenciamento de casa de prostituição

O MP-RJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro), em conjunto com a Polícia Civil, realiza uma operação contra o tráfico de drogas da Região Metropolitana do Rio nesta quinta-feira (25).

Por meio da delegacia de Niterói (76ª DP), agentes prenderam 18 denunciados por associação ao tráfico das comunidades da cidade. Além destes, há 12 mandados de busca e apreensão para serem cumpridos em endereços ligados à organização criminosa. Dentre eles, alguns localizados em condomínios de luxo da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio.

Denunciados são presos no Morro da Ilha da Conceição, em Niterói

Denunciados são presos no Morro da Ilha da Conceição, em Niterói

Divulgação/PCERJ

De acordo com a delegada responsável pelas investigações, Camila Pegorim, ao menos 20 comunidades eram controladas, majoritariamente localizadas em Niterói. A operação foi denominada “Disney” pela identificação de grande parte dos traficantes do Morro da Ilha da Conceição, conhecido como “Morro do Mickey”. Além deste, o Morro do Sabão, do Estado, do Palácio e do Cavalão também eram submetidas aos denunciados. Os mandados foram expedidos pelo Juízo da 4ª Vara Criminal da Comarca de Niterói.

Segundo o MPRJ, o líder do tráfico no Morro de Mickey e do Sabão foi identificado como Carlos Vinícius Lirio da Silva, conhecido como "Cabeça", com Flávio Simões Brasil, vulgo “Narigudo”, como braço direito. No Sabão, o gerente do tráfico era Ryan Nóbrega Jubim, o “Do Flamengo". No Cavalão, em Icaraí, a denúncia lista Reinaldo Medeiros Ignácio, o “Kadá”, tendo abaixo dele o seu filho, Reinaldo Medeiros Ignácio Júnior, vulgo Reinaldinho.

Já no Morro do Estado, que se divide entre o Centro de Niterói e o bairro do Ingá, o tráfico de drogas era dominado pela facção Terceiro Comando Puro, chefiado por Andrei Soares Maciel, vulgo “Coronel”. Com a prisão dele, o denunciado Raphael Conceição de Souza, o “Lutador”, assumiu a comunidade, que passou a ser do Comando Vermelho. A liderança do Morro do Palácio estava a cargo de Max Christian Fernandes Teixeira, vulgo “Negão”, que perdeu domínio para outra organização. Com a mudança, são apontados como novos chefes: Anderson Souza Leite, conhecido como “Bozo”, Igor Barboza Miranda, o “Bozin”, e Renato Santana de Almeida, o “Renatinho”.

A Justiça autorizou o uso de escutas telefônicas para a investigação, que durou dois anos. No decorrer das diligências, realizadas com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), foi comprovada a interferência via celular de dez presos no controle do tráfico de drogas nestas comunidades. Em seguimento, outros crimes foram identificados. Entre eles, o comércio ilegal de armas e a manutenção de uma casa de prostituição, comandada por Diego da Conceição Antônio, que tinha como braço direito Pedro de Simone.

Condomínio de luxo da Barra da Tijuca

Condomínio de luxo da Barra da Tijuca

Reprodução/Record TV Rio

Em relação ao Comando Vermelho, os traficantes também forneciam sinal clandestino de TV a cabo às comunidades, com lucro mensal avaliado em aproximadamente R$1.000.000. Suspeita de fornecer o sinal da ação criminosa, uma empresa de TV a cabo do Rio Comprido, na zona Central do Rio, foi peça chave da investigação. Os donos do estabelecimento, aparentemente legal, foram alvos dos doze mandados de busca e apreensão. Em endereços de luxo da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, dois carros avaliados em quase R$1.000.000 foram apreendidos.

*Estagiária do R7, sob supervisão de PH Rosa

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