Rio de Janeiro Prefeito de Japeri é preso por suspeita de associação com o tráfico

Prefeito de Japeri é preso por suspeita de associação com o tráfico

Vereadores Cacau e Miga, do PP, também foram denunciados; investigações apontam que políticos usavam cargos para favorecer traficantes

prisão prefeito japeri

Carlos Moraes prestará depoimento na Cidade da Polícia

Carlos Moraes prestará depoimento na Cidade da Polícia

JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO/27.072018

O prefeito de Japeri (RJ), Carlos Moraes (PP), foi preso preventivamente na manhã desta sexta-feira (27) na Operação Sênones, por suspeita de associação com o tráfico de drogas. Segundo as investigações, uma facção criminosa teria se instalado na prefeitura do município.

O vereador Claudio José da Silva (PP), o Cacau, também foi preso na ação.

Outros 37 mandados de prisão e de busca e apreensão estão sendo cumpridos pela Polícia Civil, inclusive contra o presidente da Câmara de Vereadores, Wesley George de Oliveira (PP), o Miga, e contra uma assessora da prefeitura. 

Carlos Moraes, Miga e Cacau são suspeitos de envolvimento com o tráfico de Japeri

Carlos Moraes, Miga e Cacau são suspeitos de envolvimento com o tráfico de Japeri

Reprodução Eleições 2016

Segundo o MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro), o prefeito e os vereadores integravam o núcleo político da organização criminosa que domina o tráfico de drogas no Complexo do Guandu, em Japeri, na Baixada Fluminense. A denúncia aponta ainda que eles se aproveitavam dos seus cargos para atuar em favor dos interesses criminosos dos traficantes de drogas.

“Os políticos valiam-se de seus mandatos para repassar informações privilegiadas e para articular ações integradas que permitissem ao bando desenvolver livremente suas atividades ilícitas. A denúncia descreve que o uso do prestígio político deles não se limitava à prática de atos de persuasão junto a outras autoridades, tendo sido detectados indícios de fraudes em licitações e desvios de dinheiro público em favor dos interesses da organização criminosa”, escreveu o MPRJ.

Além dos políticos, 37 suspeitos foram denunciados por integrarem a mesma facção criminosa, sob a liderança de “BR" — preso na semana passada em operação do GAECO/MPRJ (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) com a Polícia Militar.

Escutas autorizadas pela Justiça flagraram ligações telefônicas entre o prefeito e BR. Em uma das conversas, BR liga para o político pedindo ajuda para pôr fim à uma operação policial que estaria impedindo a realização de um baile funk promovido pelos traficantes da localidade.

A partir de então, as investigações descobriram que Moraes, Miga e Cacau se associaram ao tráfico de drogas local. 

Na casa do prefeito, que mora no município vizinho de Nova Iguaçu, também na Baixada, foram apreendidos uma pistola, munições, mais de R$ 34 mil e 850 dólares.

Carlos Moraes foi eleito no primeiro turno das eleições de 2016, assumindo o cargo pela terceira vez. Já Miga foi o vereador mais votado, com 1501 votos. Cacau recebeu 601 votos que lhe renderam o décimo lugar na última eleição. 

O R7 tenta contato com os advogados de defesa dos suspeitos, mas ainda não os encontrou. O espaço está aberto para a manifestação dos investigados.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Raphael Hakime

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