Rio de Janeiro Prefeitura e Câmara de Nova Iguaçu são alvo de buscas por fraudes

Prefeitura e Câmara de Nova Iguaçu são alvo de buscas por fraudes

Sepol cumpre 21 mandados de busca e apreensão nas Secretarias de Economia, Planejamento e Finanças e de Infraestrutura 

  • Rio de Janeiro | Rafael Nascimento, do R7 *, com Record TV Rio

Agente durante operação nesta terça (24)

Agente durante operação nesta terça (24)

Reprodução/ Record TV Rio

A Sepol (Secretaria de Estado de Polícia Civil), por meio da DCC-LD (Delegacia de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro), realiza uma operação, nesta terça-feira (24), para cumprimento de 21 mandados de busca e apreensão contra o braço político da milícia de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal Especializada em Organizações Criminosas.

Entre os alvos estão as sedes das Secretarias de Economia, Planejamento e Finanças e de Infraestrutura do município, o gabinete de um vereador da cidade e condomínios de luxo na Barra da Tijuca, na zona oeste da capital fluminense, e em Cabo Frio, na Região dos Lagos. Os envolvidos são investigados por organização criminosa, crimes contra licitação e peculato (subtração ou desvio de dinheiro público).

Por meio de monitoramento de contratos, os agentes descobriram indícios de fraudes em licitações realizadas pelo município de Nova Iguaçu e desvio de recursos públicos para áreas dominadas pela milícia. Apenas em um dos contratos investigados, os valores e pagos superam a quantia de R$ 17 milhões.

Investigados

De acordo com o delegado Thales Nogueira Braga, titular da DCC-LD, após a realização de levantamentos, foi possível verificar inúmeras irregularidades nas publicações de licitações e contratos de obras públicas. Segundo a investigação, pessoas ligadas ao ex-secretário de obras de Nova Iguaçu, e atual vereador do município Jeferson Ramos (MDB), faziam a intermediação de uma empresa de concreto com líderes comunitários de regiões dominadas por milícias para que fosse feito calçamento irregular desses lugares em troca de apoio político.

Estão entre os alvos também a secretária de Infraestrutura, Cleide de Oliveira Moreira, os irmãos Fábio Henrique Sousa Barbosa e Luiz Henrique Sousa Barboza. Fábio é o dono da Fabimix, empresa responsável pelas obras, e Luiz é funcionário da companhia de desenvolvimento de Nova Iguaçu.

O delegado ainda confirmou que a Fabimix ganhou R$ 70 milhões em processos licitatórios com o município. No entanto, segundo os investigadores, mais de R$ 60 milhões são oriundos de processos sem transparência.

Entre os fatos que chamaram a atenção estão a adoção de modalidades licitatórias presenciais, apesar de recomendação do Tribunal de Contas para modalidades eletrônicas; liquidação e pagamento das empresas suspeitas fora de cronograma financeiro e falta de clareza nas informações do processo licitatório, com violação das leis de transparência.

A operação desta terça (24) contará com apoio de agentes do DGPE (Departamento-Geral de Polícia Especializada).

A Prefeitura de Nova Iguaçu informou que coloca à disposição dos investigadores todas as informações e arquivos que forem necessários para realizar um trabalho profundo e transparente. "A prefeitura ainda não tomou conhecimento das acusações, mas repudia qualquer prática fora da lei e da boa governança", conluiu.

*Estagiário do R7 sob supervisão de PH Rosa

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