Professor da UFRRJ coordena projeto de redução de pena pela leitura
Há 14 anos na área, Marcos Pasche celebra Dia dos Professores se sentindo realizado por desenvolver trabalho que une sistema carcerário e universidade
Rio de Janeiro|Vinícius Andrade, do R7*

Movido pelo desejo de se renovar como profissional, o professor de Letras da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) Marcos Estevão Gomes Pasche decidiu ir além das salas de aulas. Atualmente, Pasche coordena um projeto de extensão de remição de pena através da leitura no maior sistema prisional fluminense, o Complexo de Gericinó, em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro.
Leia também: Dia dos professores: uma reflexão necessária
Em maio de 2018, o professor universitário acessou pela primeira vez a unidade para iniciar a ação. Ele conta com o apoio de dois graduandos de Letras, além de bolsistas da Proext (Pró-Reitoria de Extensão) da UFRRJ.
Há 14 anos na área, Pasche celebra mais um Dia dos Professores, nesta terça-feira (15), se sentindo realizado como profissional e cidadão por desenvolver um trabalho que une sistema carcerário e universidade.
“Em um único trabalho, nós conseguimos proporcionar bolsa para dois estudantes, além de um grupo de estudos dentro da universidade sobre cárcere. E, principalmente, estamos atuando diretamente para que pessoas que são privadas da liberdade tenham um menor tempo de pena e possam resgatar a cidadania por meio da leitura e escrita”.

Segundo o docente, o intuito da ação é de que cada detento leia uma obra literária e tenha a pena reduzida em quatro dias:
“O projeto consiste em encontros quinzenais com turmas de 25 participantes. No último encontro, eles fazem a resenha, que são corrigidas pelos professores e depois encaminhadas à Vara de Execução Penal”.
Dentre os livros mais procurados estão "A Cabana", de William P. Young, e "O Processo", de Franz Kafka. As obras seguem uma lista feita pela Seap (Secretária de Estado de Administração Penitenciária) e são doadas pela sociedade.
Dos 30 mil detentos do Complexo de Gericinó, 1300 são atendidos pelo projeto, segundo a Seap. Para participar, os internos precisam saber ler e escrever. A iniciativa é uma parceria da Seap com a UniRio, a Fundação Geraldo de Biasi (Volta Redonda), a Uniflu (Campos) e a Seeduc-RJ (Secretaria de Estado de Educação).
A ação faz parte da Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210/84), aprovada no ano de 2012, que visa a ressocialização do indivíduo através do trabalho ou do estudo.
*Estagiário do R7, sob supervisão de Bruna Oliveira















