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Quadrilha alicia menores para vender animais silvestres em feira livre do RJ

O R7 teve acesso a imagens feitas no dia 24 de agosto que flagram adolescentes negociando um papagaio e iguanas

Rio de Janeiro|Raphael Lacerda*, do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A quadrilha utilizava adolescentes para vender animais silvestres na feira de Duque de Caxias, RJ.
  • Os menores eram aliciados, pois não sofrem penas severas por crimes não violentos.
  • Uma megaoperação resultou na prisão de 47 pessoas e no resgate de mais de 800 animais, sendo a maior ação contra o tráfico de animais no Brasil.
  • O grupo explorava o tráfico de armas e tinha relações com facções de tráfico de drogas em comunidades.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Um jovem tentava negociar um filhote de iguana no local Imagens obtidas pelo R7

A quadrilha alvo de uma operação na última terça-feira (16) contra o tráfico de animais no Rio de Janeiro usava adolescentes para comercializar as espécies na feira livre de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

O R7 teve acesso a imagens feitas no dia 24 de agosto que flagram menores de idade negociando um papagaio e iguanas. Segundo o delegado titular da DPMA (Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente), André Prates, os jovens são aliciados pelas quadrilhas porque não respondem criminalmente pelo ato.


“Eles usam esses adolescentes porque se forem pegos não dá nada para eles. O adolescente só pode ser apreendido quando for um crime com violência ou grave ameaça. Como aquilo ali eles estão fazendo venda ilegal, todo mundo é solto. Eles (criminosos) se aproveitam disso e aliciam menores”, afirmou Prates.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, os adolescentes seriam recrutados para atuar apenas na venda dos animais.


“Os animais não são desses menores, mas eles trabalham para esses membros dessa quadrilha e devem ganhar alguma comissão — como se fossem funcionários dessa quadrilha”, detalhou o delegado.

Papagaios e micos também eram comercializados no local Imagens obtidas pelo R7

Somente em 2025, agentes do Cpam (Comando de Polícia Ambiental) resgataram 138 animais e prenderam cinco suspeitos durante ocorrências na feira de Caxias.


No entanto, o chefe da divisão operacional do grupamento, major Neyfson Borges, destacou que nenhum menor foi apreendido pela Polícia Militar. O PM ressaltou que por ser uma atividade complexa a operação é toda feita por criminosos mais experientes.

“Na maioria das vezes, são adultos, mas também tem menores. Isso também é um fator dificultoso para a gente, mas não é exclusividade. Eles também lançam mão desse artifício em algumas das vezes para preservar quem está por trás desse comércio”, explicou o major.


Além da pena branda para os crimes ambientais, a comercialização pela internet e o elo com facções criminosas é um fator que dificulta o trabalho da Polícia Militar, como afirma Borges.

“Eles anunciam a venda pelas redes sociais, pela dark web, e isso nem fica exposto na feira. Dependendo do animal, ele fica em cativeiro dentro da favela. Quem está comprando vai até um lugar dentro da comunidade, faz negociação ali e sai com o animal. É um problema para a Polícia Ambiental, porque para eu fazer uma operação desse tipo, preciso de todo um aparato das forças de operações especiais. Dificulta ainda mais o combate a esse tipo de crime”, pontuou.

Megaoperação resgatou mais de 800 animais

Agentes da DPMA prenderam 47 pessoas e resgataram mais de 800 animais durante a megaoperação “São Francisco”, na última terça (16). Também foram apreendidos um fuzil, revólver, granadas e materiais táticos. É a maior ação contra o tráfico de animais silvestres na história do Brasil.

Os policiais estiveram em endereços na capital fluminense, região metropolitana, Baixada Fluminense, Região Serrana e Região dos Lagos, além de São Paulo e Minas Gerais.

Conforme as investigações, o grupo explorava há décadas o tráfico de animais silvestres e seria o principal responsável pela venda em feiras clandestinas. A organização também traficava armas e munições, para garantir a continuidade do esquema, e mantinha relações próximas com facções ligadas ao tráfico de drogas. Parte dos criadouros era, inclusive, em comunidades.

O inquérito apurou que o grupo atuava por meio de núcleos com funções específicas, entre eles, o de caçadores. Os criminosos seriam responsáveis pela caça em larga escala dos animais em seus habitats naturais.

Após serem retiradas da natureza, as espécies eram transportadas pelo setor de atravessadores, que entregava os bichos nos centros urbanos para a comercialização.

Havia, ainda, um núcleo especializado em primatas. As investigações apontaram que o bando caçava, dopava e vendia macacos para outros integrantes do esquema. Muitos deles eram retirados das matas do Rio de Janeiro, como o Parque Nacional da Tijuca e o Horto.

*Sob supervisão de Patricia Peramezza

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