Rio de Janeiro Quadrilha tira restos mortais de sepultura e revende jazigo a R$ 30 mil em cemitério do Rio

Quadrilha tira restos mortais de sepultura e revende jazigo a R$ 30 mil em cemitério do Rio

Mesmo túmulo teria sido vendido três vezes; funcionários públicos participariam de máfia

Donos de jazigos perpétuos denunciam venda irregular em cemitério da zona sul do Rio

Reprodução / Rede Record

Donos de jazigos perpétuos do cemitério São João Batista, em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, denunciam a venda irregular de túmulos. Parentes afirmam que restos mortais estariam desaparecendo.

A publicitária Maria Ana Neves afirma ser uma vítimas da quadrilha. A família de Maria comprou um jazigo no cemitério em 1976, ano em que a irmã da publicitária faleceu. Em 1997 o pai de Maria foi enterrado no mesmo jazigo e em 1998 a mãe.

No entanto, em 2005, Maria Ana afirma que recebeu um telefonema do Jardim da Saudade em Paciência, zona oeste, pedindo para que ela comparecesse ao cemitério para enterrar sua família.

— Achei que era engano. Eu disse que não tinha autorizado exumar ou transladar, mas a Santa Casa nem respondeu. Esperei quase seis meses e aí entrei na justiça e comecei esta saga.

De acordo com a publicitária, os restos mortais de sua família foram retirados sem sua autorização. Logo depois, ela teria sido procurada por Antônio Barbosa, que se apresentou como um corretor de sepulturas, interessado em comprar o jazigo da família.

Antônio teria pedido R$ 1.000, para analisar a situação do jazigo na Santa Casa de Misericórdia, entidade que administra os cemitérios públicos do Rio. Maria Ana pagou, mas desistiu do negócio.

Com a cópia dos documentos de Maria em mãos, o suposto corretor teria feito uma procuração assinada e registrada em cartório onde a publicitária dá ao corretor o direito de negociar o jazigo da família no São João Batista.

Sem a autorização, o jazigo da família teria sido vendido pela primeira vez em 1999 por R$ 13.500. Em 2004 o jazigo foi vendido outra vez. Uma vítima, que não quis se identifica, viu o anúncio no jornal e pagou cerca de R$ 30 mil  para comprar o mesmo jazigo. A vítima disse que não desconfiou da situação.

— Paguei reforma de túmulo e licenciamento da prefeitura até vir o documento do cartório. Então, quando você faz um documento no cartório, assinado, carimbado e cheio de selo, você acredita. Eu nunca imaginei que aquele túmulo tinha um dono.

Segundo investigações, o jazigo da família de Maria Ana foi vendido a três pessoas diferentes.

A venda de jazigos em cemitérios públicos é ilegal. A lei permite apenas a transferência da titularidade. Mesmo assim, apenas com o jazigo quitado, vazio e com a autorização do dono.

A polícia desconfia da participação de funcionários públicos na quadrilha. Segundo o Ministério Público, Antônio Barbosa, o suposto corretor, responde a três processos criminais, por estelionato, uso de documento falso e propriedade indevida, mas nunca foi preso. A polícia investiga as denúncias.  

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