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RJ: estudantes denunciam casos de racismo em torneio universitário

Ao menos três casos de racismo aconteceram durante Jogos Jurídicos em Petrópolis; torcedores jogaram casca de banana em atleta do time adversário; 

Rio de Janeiro|Jaqueline Suarez, do R7*

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Segundo estudantes, ofensas racistas teriam partido de torcedores da PUC-Rio
Segundo estudantes, ofensas racistas teriam partido de torcedores da PUC-Rio

Estudantes de várias universidades do Rio de Janeiro usaram as redes sociais para denunciar casos de racismo ocorridos durante os Jogos Jurídicos Estaduais, neste fim de semana, em Petrópolis, região serrana no Rio de Janeiro. Segundo os relatos, cascas de banana teriam sido lançadas em jogadores do time adversário pela torcida da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica).

De acordo com os participantes do torneio, os alvos das ofensas racistas foram atletas da UCP (Universidade Católica de Petrópolis), da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e da UFF (Universidade Federal Fluminense).


O primeiro episódio teria acontecido no sábado (2) durante uma partida de futsal entre a PUC e a UCP, quando cascas de banana foram lançadas na quadra por torcedores da PUC. No dia seguinte, a torcida foi banida da final da modalidade, porém os casos de racismo se repetiram.

Racismo foi denunciado nas redes
Racismo foi denunciado nas redes

“Muito triste e revoltante o que está acontecendo nos Jogos Jurídicos. Alunos (no plural) da PUC-Rio, para provocar o Direito-Uerj, saíram do ginásio imitando macacos. Ontem, outro estudante de lá jogou uma casca de banana contra uma atleta negro da UCP. Casos de polícia”, escreveu um universitário no Twitter. Procurado pelo R7, ele contou ter sofrido ameaças devido as denúncias que fez na internet.


A imitação teria acontecido neste domingo (3), após um jogo de basquete entre PUC-Rio e Uerj, quando a torcida da universidade privada teria "extrapolado" nas provocações ao time adversário, segundo relatos.

Outro caso aconteceu também neste domingo, na final do handebol feminino entre a PUC e a UFF. Estudantes contaram que uma atleta negra da federal fluminense foi chamada de macaca. O jogo foi imediatamente interrompido e as jogadoras só voltaram para a quadra após a retirada da torcida da pontifícia. 


As atléticas das quatro instituições envolvidas foram procuradas pelo R7 para comentar o assunto, mas apenas o grupo da Universidade Católica de Petrópolis se posicionou até a publicação desta matéria.

A atlética da UCP afirmou que os casos estão “sendo apurado pelas autoridades responsáveis” e informou também quais as sanções sofridas no âmbito dos Jogos Jurídicos pela delegação da PUC-Rio.


“Dentro do evento teve a multa prevista, retratação formal e subjetiva, a elaboração de uma campanha pós-jogos sobre o racismo nos jogos universitários, e uma reunião com o atleta envolvido [estudante da UCP], além da perda da torcia [da PUC] nas finais restantes dos jogos”.

Professores comentam o caso

O diretor da faculdade de Direito da Uerj, Ricardo Lodi, se solidarizou com os estudantes da instituição vítimas de racismo durante o torneio esportivo e destacou que injúria racial é crime. 

“No Estado Democrático de Direito não são mais admissíveis atos como estes, em especial vindo de estudantes de Direito, o que exige, considerando ser a prática criminosa, que sejam amplamente investigados e, assegurado o contraditório e a ampla defesa, sejam os culpados exemplarmente punidos para que tais condutas abomináveis não voltem mais a acontecer no ambiente universitário, espaço que deve ser pautado pela pluralidade e tolerância”, escreveu em uma rede social.

Ele destacou também as manifestações individuais de professores da PUC-Rio, que lamentaram e condenaram tais atitudes.

Uma docente da instituição, também através de uma rede social, disse que os episódios não ferem apenas os atletas, mas “ofende toda uma população excluída e marginalizada por anos e anos. Trata-se de crime!” ressaltou.

Professora da PUC-Rio condenou atitudes racistas relatadas pelos estudantes
Professora da PUC-Rio condenou atitudes racistas relatadas pelos estudantes

PUC-Rio

Procurada pelo R7,a Pontifícia Universidade Católica afirmou que irá apurar o ocorrido. 

"Após tomar conhecimento, pelas redes sociais, de informações sobre atos de racismo possivelmente ocorridos durante os jogos jurídicos, a Vice-Reitoria para Assuntos Comunitários e o Departamento de Direito da PUC-Rio decidiram constituir Comissão Disciplinar para averiguação das informações e, caso confirmada a veracidade, a apuração e individualização das responsabilidades de membros do corpo discente. A Comissão Disciplinar será composta pelos professores Breno Melaragno, professor de Direito Penal, Job Gomes, professor de Direito do Trabalho e de Direito Desportivo, e Thula Pires, coordenadora do NIREMA (Núcleo Interdisciplinar de Reflexão e Memória Afrodescendente) e professora de Direito Constitucional, e terá prazo de quinze dias para elaboração de relatório".

Punição

Em nota, a Liga Jurídica Estadual do Rio de Janeiro informou que decidiu, por unanimidade, penalizar a PUC-Rio. Entre as punições estão a perda de 12 pontos e a não participação da universidade nos Jogos Jurídicos Estaduais do RJ em 2019. 

O documento informa ainda que, diante dos supostos atos praticados, não haverá faculdade campeã geral este ano.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Raphael Hakime

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