Acusado de 25 estupros na década de 90, maníaco do Jardim Mirna é liberado de manicômio e ataca criança
Após 18 anos detido, Marco Antônio Azar passou ao regime de desinternação progressiva
São Paulo|Do R7

Considerado um dos maiores estupradores da década de 1990, Marco Antônio Bernardes Azar, de 58 anos, é suspeito de atacar uma criança de 7 anos, em Bauru, no último dia 13, duas semanas depois de deixar o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Franco da Rocha (Grande São Paulo).
Dono de um buffet infantil, Azar estava internado desde 1997, após ser capturado na zona sul da capital paulista. Na época, ele confessou o estupro de 25 crianças com idade entre 10 e 12 anos.
Conhecido como "maníaco do Jardim Mirna", ele atuava em bairros do extremo sul paulistano, como Interlagos, Socorro, além do próprio Jardim Mirna. Algumas vítimas também foram atacadas na cidade de São Bernardo do Campo.
Os primeiros crimes atribuídos a Azar teriam ocorrido ainda na década de 1980 – mais precisamente em 1984.
Após 18 anos em tratamento psiquiátrico, ele passou ao sistema de "desinternação progressiva". A cada mês, passaria 27 dias em casa e três em tratamento. Solto, viajou a Bauru, onde tem familiares.
No último dia 13, Azar teria se aproximado de uma menina de 7 anos. A criança estava na casa da avó, no bairro Tangarás, quando começou a chover. Ela correu então correu para casa, no mesmo bairro, para recolher as roupas do varal.
Azar teria então levado a criança para dentro da casa vazia e tentado abusar sexualmente dela. Vizinhos perceberam e detiveram o suspeito. O ataque não se consumou, mas pela legislação o ato já pode ser classificado como estupro.
Internado
Diretor do grupo Tortura Nunca Mais e um dos idealizadores do sistema de "desinternação progressiva", o psiquiatra Paulo César Sampaio critica a soltura de Azar.
— Ele precisa ser tratado adequadamente. E, quando sai do centro de tratamento, precisa ser acompanhado. Esse tipo de soltura sem acompanhamento não adianta nada. Ele é doente. Então, quem é culpado pelo estupro? Ele ou a autoridade que o soltou?
Sampaio atuou no sistema prisional por mais de 20 anos. Foi Coordenador de Saúde do Sistema Penitenciário de São Paulo de 2008 a 2010, ano em que pediu exoneração após ser acusado de medicar irregularmente presos de Taubaté depois de uma rebelião — o processo contra ele acabou arquivado.
Na última semana, Sampaio lançou o livro “A Desconstrução de um Sonho”, em que relata sua experiência.
— Esse não é o primeiro caso em que isso acontece. O maníaco da Cantareira também foi desinternado e voltou a atacar. O sistema de desinternação não está sendo bem aplicado. É preciso que alguém assuma a responsabilidade pelos atos de quem é desinternado...
Detido novamente
Após ser contido pelos vizinhos da criança em Bauru, Azar sofreu uma tentativa de linchamento. Mas os moradores foram contidos e o comerciante, levado para a Delegacia de Defesa da Mulher. Após prestar depoimento, foi transferido para a cadeia de Barra Bonita, onde ficam acusados de crimes sexuais na região.














