São Paulo André do Rap seria chefe do PCC em Amambay, no Paraguai, diz jornal

André do Rap seria chefe do PCC em Amambay, no Paraguai, diz jornal

Segundo especialista, região concentra 80% da produção de maconha no país, tem pistas para aviões que transportam cocaína e é rota de acesso ao Brasil

  • São Paulo | Fabíola Perez, do R7

André do Rap estaria no controle do PCC no Paraguai

André do Rap estaria no controle do PCC no Paraguai

Reprodução

Apontado como um dos líderes do PCC (Primeiro Comando da Capital), organização criminosa que atua dentro e fora dos presídios de São Paulo, o narcotraficante André Oliveira Macedo, de 43 anos, conhecido como André do Rap, estaria atuando como chefe da facção no departamento da Amambay, cuja capital é a cidade de Pedro Juan Caballero, no Paraguai.

A informação foi publicada no jornal paraguaio "ABC en el Este" e confirmada por especialistas ouvidos pela reportagem do R7. Segundo a publicação, André do Rap armou as estruturas do PCC e agora teria controle absoluto sobre o departamento de Amambay.

Leia mais: André do Rap: Os 5 passos até a soltura do traficante e os obstáculos para prendê-lo novamente

O objetivo seria reestabelecer o tráfico de drogas, como cocaína e maconha, na região, de armas e munições. "Com o controle de Amambay, ele poderia articular e ampliar os negócios do PCC na região", afirma Juan Martins, professor e pesquisador da Universidade Nacional de Pilar/Conacyt, no Paraguai. 

Segundo o pesquisador, o controle do território é importante por diversos motivos "Um deles é porque Amambay é a principal zona de produção de maconha no país, cerca de 80% da droga é cultivada nesse departamento", explica.

"Além disso, é uma região com várias 'cidades-gêmeas' entre o Paraguai e do Brasil, onde o controle dos dois países é praticamente inexistente. Também é uma das principais rotas de acesso ao Brasil. O terceiro motivo é que é uma das principais regiões que concentra pistas de aterrizagem de aviões que transportam cocaína andina para entrar no Brasil."

O narcotraficante teria ainda a missão de pacificar a fronteira seca entre o Brasil e o Paraguai. Os diversos conflitos entre narcotraficantes da região teriam gerado perdas para a organização. "Os conflitos foram diminuindo a medida que o PCC adquiriu poder. De fato, este anos, diminuíram os registros de homicídios e a presença de André do Rap poderia ter impactos sobre a redução dos conflitos na região", afirma Martins.

Condenado a 27 anos de prisão, ele foi solto no dia 10 de outubro da Penitenciária Presidente Venceslau, no interior da capital, depois de uma decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello.

Horas após a soltura, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, revogou o habeas corpus e ele voltou a ser foragido da Justiça. Depois da revogação, a Polícia Civil de São Paulo montou uma força-tarefa para recapturá-lo.

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