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Ao menos 125 médicos residentes de SP estão sem receber, diz sindicato

Simesp recebe denúncias e questiona resposta do Ministério da Saúde sobre os casos. Maioria dos estudantes está atuando no combate à pandemia

São Paulo|Guilherme Padin, do R7

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Em São Paulo, há médicos residentes de várias regiões do Brasil
Em São Paulo, há médicos residentes de várias regiões do Brasil

O Simesp (Sindicato dos Médicos de São Paulo) recebeu 125 denúncias de médicos residentes no estado, que desde março, quando entraram no programa de residência, não estão recebendo suas bolsas-auxílio de R$ 3,3 mil. Parte dos médicos veio de outras cidades e estados, e há entre eles muitos que atuam na linha de frente de combate à pandemia do novo coronavírus.

Em contato com o R7, Augusto Ribeiro, representante do Simesp, afirmou que o número de denúncias aumentou substancialmente nos últimos dias, podendo ser maior que o atual, e que o sindicato entrou com uma ação na Justiça Federal nesta quarta-feira (13), para que o Ministério da Saúde pague as bolsas-auxílio em atraso.


Há, segundo Ribeiro, residentes que receberam apenas a parcela de março ou só a de abril, e, ainda, alguns que não receberam qualquer pagamento nos últimos dois meses. Por São Paulo ser um grande centro hospitalar do país, prossegue ele, o estado recebe residentes de várias regiões do Brasil, o que torna a situação ainda mais grave.

“Além da carga horária [de até 60 horas semanais] não permitir que trabalhem fora, eles não têm condições de trabalhar em outra função. Alguns não estão conseguindo pagar as contas, pensando em trancar a residência ou se desligar”, lamentou. 


Como explica Ribeiro, a maior parte das instituições, sob orientação do Conselho Nacional de Residência Médica, está deslocada para atuação na covid-19. Portanto, “pelo menos a grande maioria” dos residentes atua diretamente no combate à pandemia.

A falta de pagamento não é uma novidade ao Simesp, considera Ribeiro. Mas ele acredita que o caso atual seja diferente. “O sindicato está acostumado a lidar com ‘calotes’. Em geral, são por malícia. Mas nesse caso acreditamos que exista o dinheiro para os pagamentos. O que acontece é que o Ministério da Saúde está desorganizado. É surpreendente e revoltante. Deixa a gente com uma sensação de impotência e os residentes, apreensivos”, afirmou.


Ribeiro revela incômodo com uma resposta do Ministério da Saúde a respeito da falta de pagamentos: “disseram que era um problema com o cadastro dos residentes. Mas não justifica, porque alguns chegaram a receber um só salário. Se o problema é no cadastro, o que justificaria receberem só um?”

A reportagem pediu um posicionamento ao Ministério da Saúde, responsável pelo pagamento das bolsas-auxílio, que respondeu em nota. 


A pasta alegou que, dos 4.199 cadastros de todo o país que apresentaram alguma inconsistência, 1.329 cadastros ainda constam com erros como conta bancária bloqueada, agência inexistente e digito verificador da conta errado. Os outros 2.870 já tiveram os dados corrigidos.

O ministério disse, ainda, que fará os pagamentos das bolsas aos residentes até esta sexta-feira (15). 

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